Fotografia

Animais da Amazônia

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Fotógrafo/Photografer:
Leonide Príncipe

Do livro/from the book:
Brasil das Artes
Editado por/edited by:
São Paulo ImagemData

O título sugere que estejamos falando do artesanato de uma cidade ou região do país mas, na verdade, esse é um trabalho tão especial e tão claramente definido que o criador nomeia a forma de fazer. Isto mesmo. José Alcântara criou um jeito de ver e refazer os bichos da floresta Amazônica e multiplicou esse fazer com seus filhos tendo hoje diversos alunos que absorvem os conhecimentos do mestre realizando e assinando com seus próprios nomes centenas de verdadeiros "alcântaras".

Entre os 6 e 10 anos, Alcântara ajudou a fazer e fez canoas de madeira chegando a usar muitas delas para cruzar os igarapés da região. Depois disso, muitas coisas aconteceram na sua vida.
Trabalhou como pedreiro, motorista de táxi, mecânico, pintor (ainda de carro) e, nessa busca por identidade, acabou tornando-se marceneiro.

Na pequena marcenaria em Manaus, pela qual foi contratado para pintar móveis laqueados em degradê, acabou achando seu caminho. Primeiro aprendeu a montar armários e, depois, a fabricar cômodas. Certo dia, tendo terminado um armário, sentiu falta de alguma coisa. Achou que poderia acrescentar um detalhe, uma tira de madeira com algumas folhas entalhadas, lembrando a arte que aprendeu com os barcos da infância. O sucesso veio fácil. todos queriam móveis entalhados.

Entre formões e goivas, foi pegando o jeito, até que, novamente, o acaso desenhou definitivamente o caminho do artista. Vendo um cisne de louça de sua mãe, resolveu copiá-lo em madeira. Mantendo as proporções e recriando os detalhes, sem esquecer os dotes de pintor que aprendeu nos automóveis, conclui seu primeiro bicho, que ele não vende, não dá e guarda até hoje na casa de sua mãe.

Estudanto a anatomia de centenas de gatos, seus movimentos, e observando onças "sem chegar muito perto", Alcântara começou a esculpir a sua marca registrada. Sempre em madeira bruta, sem qualquer emenda, começou a dar vida primeiro aos felinos amazônicos e, depois, seus peixes cotias, antas, cobras, jacarés, tucanos, araras, com uma infinidade de propostas de tamanhos, movimentos e situações. Para os bigodes dos bichos, usa bigodes de gato que os meninos de Manaus levam para ele. O brilho dos olhos, que parecem vidro, é outro segredinho de sua técnica. Usa uma mistura de resinas e colas para chegar ao resultado. E o que se vê é impressionante. Hoje, Alcântara trabalha principalmente com seus filhos Joe (27 anos), Jean (24 anos) e James (22 anos) que já assinam seus trabalhos, que têm a mesma qualidade que os do pai.

As peças da família estão espalhadas em todo o planeta, em museus e coleções particulares. Além do perfeccionismo na sua execução, representam o simbólico do desenvolvimento de um artista que, após buscar tantos caminhos diferentes, foi encontrar nas suas origens uma maneira particular de mostrar um pouco da Amazônia.

Cleber Papa

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