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Figureiras de Taubaté

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Fotos/photos:
Regina Stella

Do livro/from the book:
Brasil das Artes
editado por/edited by:
São Paulo ImagemData

É impossível não achar. Quem chega a Taubaté pode perguntar a qualquer um onde é a rua das Figureiras. Todo o mundo é capaz de dar uma dica ou informação de uma caminho para chegar lá rapidamente. É só passar a ponte e virar à direita ou à esquerda dependendo de onde você vem. Depois do morro, não tem erro. É só andar mais um pouquinho que você já vê. Vê o quê? a rua das Figureiras.

Tem uma árvore de pavãezinhos enorme no começo da rua. E onde elas ficam? É fácil saber: as casas delas são pintadas diferente de tudo o que você já viu.

De amarelo, de cor de terra com uns desenhos, de quadradinhos verdes e azuis. Qualquer um sabe que é lá. O que se encontra na rua das Figureiras é esse sentimento. Gente amiga, feliz, afetiva e produzindo um tipo de artesanato que tem uma tradição na região e que segundo consta, deu origem ao pavão como símbolo do folclore no Brasil.

A princípio, eram presépios de barro. Do menininho, dos santos, bois e vaquinhas, as figurinhas foram ganhando outras utilizações e passaram a espelhar o cotidiano. Maria Edith Alves Santos, Maria Luiza Santos Vieira e Maria Cândida Santos são três das mais tradicionais figureiras da região, e quando se entra no seu ateliê nos fundos da casa, sempre se encontra um armário cheio de encomendas, peças na sua maioria já vendidas e aguardando o comprador. Foi sua família, a partir do pai, que iniciou o trabalho na região. Foram elas que criaram a "chuva" – um trabalho hoje reproduzido por várias outras figureiras e figureiros, que mais se assemelha a uma fonte que jorra pavões, galinhas d'angola, beija-flores e outros bichinhos muito coloridos.

Na realidade, essa arte figurativa surgiu na região desde o início da colonização, irradiando-se no Vale a partir do Covento de Santa Clara onde, desde o século XVII, os frades estimulam a população a fazer presépios de barro. As irmãs Santos lembram com carinho do folclorista Rossini Tavares de Lima que sempre estimulou o trabalho e a organizaçãoe a organização das figureiras de Taubaté que têm sua arte conhecida em todo o país.

O trabalho começa com a coleta do barro à beira de rios próximos ou adquirindo de fornecedores da própria região. A construção das figuras é feita com todo o cuidado, acrescentando pedacinhos de arame ao barro para fazer bicos, guirlandas e arcos. Depois de secas à temperatura ambiente, as peças são delicadamente pintadas em várias cores com tinta a óleo ou à base de pvc.

Como a procura de peças é grande, cada um dos artistas busca criar novos desenhos e aplicações além de desenvolver outras estruturas. Um dos exemplos disso, são os delicados "imãs de geladeira", que utiliza a figurinha do pavãozinho, peça que apesar da grande aceitação, mantém o padrão de qualidade das peças maiores.

Esse artesanato de grande aceitação virou uma marca da região, mantendo diversas famílias, criando uma identidade própria duradoura e, sobretudo, mantendo viva uma das expressões mais legítimas do imaginário popular.

Cleber Papa

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