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As cerâmicas Marajoara e Tapajônica

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Luiz Braga

Do livro/from the book:
Brasil das Artes
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São Paulo ImagemData

Para entendermos essa produção artística, é bom observarmos a extensão territorial em que está inserida. As cerâmicas marajoara e tapajônica são originárias da Amazônia, que abrange os estados do Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, parte de Goiás e do Maranhão, Acre, Amapá e países vizinhos. É nessa imensa região que vem sendo detectada a presença de vários grupos de culturas muito antigas, responsáveis, entre outras atividades, pela produção de objetos em cerâmica de formas e finalidades muito variadas.

Os estudos arqueológicos que vêm sendo realizados demonstram que, na ilha de Marajó (Pará), por volta deo primeiro milênio a.C., ocorreu uma ocupação de agricultores e ceramistas,
provavelmente vindos dos Andes, com 5 fases arqueológicas distintas: Ananatuba (980 a.C./200 a.C.), Mangueiras ( AD 100), Formiga (AD 100/400), Marajoara (AD 300/1350) e Aruã (até 1820).

A "menina dos olhos" da arqueologia Amazônica é da fase Marajoara, cuja principal característica é a presença de vasos, urnas, peças com formas humanas, tangas, estatuetas, sempre com muitos detalhes de acabamento, seja com desenhos em baixo-relevo ou aplicação de desenhos em alto-relevo. As carcterístcas de produção e a grande variedade de peças sugerem que ali vivia um grupo, ou grupos, com razoável grau de organização e de estratificação social.

Um outro foco de interersse está junção do rio Tapajós com o Amazonas, em Santarém, também no Pará. Essa é a região sede da também conhecida cultura tapajônica que possui, como uma das suas características, a produção cerâmica de vasos e urnas com a aplicação de delicados adornos contendo representações de homens e animais, muitas vezes combinando os dois. Pela abundância de decoração e multiplicidade de formas, é possível supor que a finalidade de tais objetos era o uso em cultos e cerimoniais, embora muitas peças pareçam brinquedos ou objetos de decoração.Essas peças originais, encontradas nos sítios arqueológicos, podem ser vistas principalmente no Museu Emílio Goeldi, em Belém do Pará, sendo também encontradas em outros museus como o Museu Nacional, no Rio de Janeiro e coleções particulares.

O ensaio fotográfico foi realizado apartir da produção de réplicas da cerâmica marajoara e tapajônica, realizadas em Icoaraci, uma das cidades da grande Belém, a 23 km do centro. Nessa cidade, muitos artesãos (homens, mulhres e crianças) realizam um trabalho de moldagem do barro, utilizando as técnicas primitivas e com um resultado de réplicas muito preciso e próximo das peças originais. Desses artesãos, destaca-se o casal Inês e Raimundo Cardoso, que faz um trabalho de inestimável qualidade e beleza. Além deles, centenas de outros artesãos dedicam-se à produção dessas peças em barracões de madeira, onde o visitante pode adquirir esses trabalhos, escolhendo-os entre milhares de opções.

Como é natural, existem também distorções nas chamadas "peças de encomenda" e modernizadas, que já aparecem nas oficinas. Alguns já realizam peças com mensagens, nome do comprador, escudos de times de futebol, aplicação de purpurina e outros recursos, que acabam dando à produção uma característica divertida e bem popular.

Porém, se o comprador deseja réplicas que remontem às peças originais, basta fazer uma visita ao Museu Goeldi, conhecer o detalhe dessa produção e, posteriormente identificar com facilidade os diversos artistas que produzem peças com altíssimo padrão.

Cleber Papa

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