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Às Margens de Parati

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Fotos/photos:
Nair Benedicto

Do livro/from the book:
Brasil das Artes
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São Paulo ImagemData

As ondas do mar acariciam praias de areia branca e batida, arrebentando-se nas encostas de 65 ilhas, verdadeiros paraísos de visitantes ou navegadores solitários, como Amyr Klink, um de seus mais ilustres. A Mata Atlântica espreita calçadas de paralelepípedos irregulares, grossas paredes decoradas, sobrados coloniais com sacadas de ferro trabalhado, igrejas centenárias, museus e fortes, distribuídos pelas 14 ruas que formam o bairro histórico. E a lua, eterna companheira dos enamorados de todas as idades, desmacha-se sobre o vaivém de centenas de pessoas que passeiam por entre bares e restaurantes, transformando as noites nas mais românticas de toda a Costa Verde, entre Rio e Santos.


Assim é Parati, uma das representantes mais bem conservadas do áureo período monárquico e berço ainda de um de seus herdeiros mais devotados, o prínicipe João, descendente legítimo dos Orleans e Brangança.

Parati é mesmo uma cidade inesquecível . Seja por seu passado histórico até hoje preservado na arquitetura, arte, culinária e festas, seja pela natureza que a rodeia – um longo trecho da Mata Atlântica cortado por trilhas, riachos e cachoeiras belíssimas e uma baía com águas limpas, com 300 praias. A cidade conservando pura sua raiz colonial e de enorme importância como porto no tempo do Brasil Colônia, por onde escravos, especiarias e o luxo europeu para os Barões do Café entravam no país e saía o ouro que vinha de Minas Gerais, foi tombada pela UNESCO que lhe conferiu o título de Patrimônio da Humanidade.

Quando a extração e a exportação do ouro decaiu em meados do século XVIII, Parati foi perdendo importância. Mas ao mesmo tempo em que se mantinha isolada, pôde preservar seu patrimônio histórico, costumes e natureza, atributos que permitem o turismo, tanto marítimo, por meio de saveiros e barcos de aluguel, quanto terrestre, via turismo ecológico, com suas trilhas e cachoeiras inseridas na vegetação típica da Mata Atlântica, com passagem obrigatória por alguns de seus engenhos mais antigos e usados para a fabricação de aguardente.

A noite, além de agitados bares e restaurantes, também pode ser silenciosa e tranqüila, oferecendo exposições, concertos de música sacra e espetáculos de teatro. Entre muitas belezas que a cidade oferece e na grande variedade de lojinhas de roupas e produtos da região. Parati é conhecida por seus barquinhos de madeira. Nos baixios da Ilha de Mamanguá, a 2 horas de barco de Parati, quase todos são parentes, pescadores e fazedores dos barcos e barquinhos de todos os tamanhos e estilos, que reproduzem as traineiras, veleiros e canoas vistos no porto para pesca e turismo. Todos concordam que o grande mestre é o Préia, mas José Delfino, Reni e Renildo da Conceição, Almerindo Ricardo, Genésio do Nascimento, Simei César e suas famílias, entre outos, também realizam com grande qualidade e beleza rústica centenas de barcos confeccionados em caxeta, uma madeira leve conhecida no Norte do país como tebebuia. Da vila de pescadores, no Saco de Mamanguá, os barquinhos são levados por mar para Parati onde são pintados por outras famílias e comercializados nas lojas da cidade durante todo o ano. Essa atividade é uma marca do litoral carioca conhecida em todo o mundo.

Cleber Papa

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