Fotografia

Santeiros do Piauí


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Fotógrafo/Photografer:
João Fávero

Do livro/from the book:
Brasil das Artes
Editado por/edited by:
São Paulo ImagemData

É natural que num país como o Brasil onde há uma abundante variedade de vegetação, a madeira seja utilizada de forma tão diversa e criativa. Com toda a certeza, é o recurso mais presente na vida do brasileiro, seja no mobiliário, nos utensílios domésticos, na construção de moradias e também na arte popular. Na madeira é que se vale a arte imaginária em grande profusão. Herança européia ou manisfestação expontânea, a confecção de imagens em madeira é o caminho adotado por centenas de artesãos em todo o país para dar vazão à sua criatividade e talento.

Com a ocupação do território brasileiro a partir do litoral em direção ao interior e a presença da Igreja Católica com sua infinidade de temas, desenvolveu-
se um tipo de arte que reproduz em madeira, santos e santas, pombas, anjos e demônios, além de talhas e esculturas que viram altares e sacrários. A imaginária sacra também se estendeu às religiões afro-brasileiras onde ocupa um importante papel nos cultos religiosos.

Esta atividade, presente no Brasil desde o descobrimento, encontra ainda hoje grande número de artesãos, com características e fundamentos estéticos diversos, com grande apuro técnico. Alguns vivendo em condições extremas de simplicidade e outros urbanizados com boas condições de vida e de exercícios da profissão. Independente do local onde vivem, métodos de trabalho e temas adotados, muitos destes artistas são reconhecidos mundialmente e seu trabalho está presente em museus, igrejas e coleções particulares em vários países do mundo.

Utilizando imburana-de-cheiro (imbuana-de-cheiro ou imburana-de-espinho), cedro amarelo ou vermelho, os Santeiros do Piauí, abordados nesta exposição do Brasil das Artes, oferecem magníficos exemplares da arte imaginária. Mestre Expedito (Expedito Antonino dos Santos), autodidata, foi pedreiro, carpinteiro, sapateiro, ferreiro, fabricante de intrumentos musicais e, finalmente, santeiro dos mais expressivos que o país possuí. Vivendo em Teresina e utilizando toras de cedro como base para seu trabalho, suas imagens, que incorporam elementos estéticos regionais, o colocam entre os mais importantes artistas brasileiros em atividade. Tendo trabalhado ao lado de mestre Dézinho — provavelmente, o mais conhecido expoente. Mestre Expedito ja perdeu a conta de quantas peças criou e, certamente, dos muitos prêmios querecebeu e exposições em todo o mundo.

Distante 223 quilômetros de Teresina, em Pedro II, pequena cidade que traz no nome uma homenagem ao último imperador brasileiro, é que vamos encontrar mestre Araújo (José Joaquim de Araújo). Nasceu em Olho-D'Água Grande (hoje Domingos Mourão) como mestre Expedito e, a partir de troncos mortos de imburana-de-espinho que seleciona pessoalmente no sertão piauiense, faz brotar da madeira imagens belíssimas, de impressionante qualidade e proporções, com uma riqueza de detalhes poucoas vezes vistas em peças do gênero.

O trabalho de mestre Araújo é sutil, delicado e a harmonia das formas compete com o acabamento preciso que imprime a cada peça. Também vivendo em Teresina, Maurício Jonas Mendes da Costa, com apenas 19 anos, representa a garantia de continuidade da arte santeira, tão rica no Piauí. Ainda não ostenta o título de meste como Expedito e Araújo e, modestamente, considera-se um aprendiz. A qualidade do que realiza hoje já o projeta como uma das grandes promessas brasileiras.

Este universo, generosamente oferecido pelo estado do Piauí ao Brasil, traduz uma das mais consolidadas manifestações artísticas que o país possui.

Cleber Papa

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