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Para entendermos essa produção artística,
é bom observarmos a extensão territorial em
que está inserida. As cerâmicas marajoara e tapajônica
são originárias da Amazônia, que abrange
os estados do Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima,
Mato Grosso, parte de Goiás e do Maranhão, Acre,
Amapá e países vizinhos. É nessa imensa
região que vem sendo detectada a presença de
vários grupos de culturas muito antigas, responsáveis,
entre outras atividades, pela produção de objetos
em cerâmica de formas e finalidades muito variadas.
Os estudos arqueológicos que vêm sendo
realizados demonstram que, na ilha de Marajó
(Pará), por volta deo primeiro milênio
a.C., ocorreu uma ocupação de agricultores
e ceramistas,
provavelmente vindos dos Andes, com 5 fases arqueológicas
distintas: Ananatuba (980 a.C./200 a.C.), Mangueiras
( AD 100), Formiga (AD 100/400), Marajoara (AD 300/1350)
e Aruã (até 1820).
A "menina dos olhos" da arqueologia Amazônica
é da fase Marajoara, cuja principal característica
é a presença de vasos, urnas, peças
com formas humanas, tangas, estatuetas, sempre com muitos
detalhes de acabamento, seja com desenhos em baixo-relevo
ou aplicação de desenhos em alto-relevo.
As carcterístcas de produção e
a grande variedade de peças sugerem que ali vivia
um grupo, ou grupos, com razoável grau de organização
e de estratificação social.
Um outro foco de interersse está junção
do rio Tapajós com o Amazonas, em Santarém,
também no Pará. Essa é a região
sede da também conhecida cultura tapajônica
que possui, como uma das suas características,
a produção cerâmica de vasos e urnas
com a aplicação de delicados adornos contendo
representações de homens e animais, muitas
vezes combinando os dois. Pela abundância de decoração
e multiplicidade de formas, é possível
supor que a finalidade de tais objetos era o uso em
cultos e cerimoniais, embora muitas peças pareçam
brinquedos ou objetos de decoração.Essas
peças originais, encontradas nos sítios
arqueológicos, podem ser vistas principalmente
no Museu Emílio Goeldi, em Belém do Pará,
sendo também encontradas em outros museus como
o Museu Nacional, no Rio de Janeiro e coleções
particulares.
O ensaio fotográfico foi realizado apartir da
produção de réplicas da cerâmica
marajoara e tapajônica, realizadas em Icoaraci,
uma das cidades da grande Belém, a 23 km do centro.
Nessa cidade, muitos artesãos (homens, mulhres
e crianças) realizam um trabalho de moldagem
do barro, utilizando as técnicas primitivas e
com um resultado de réplicas muito preciso e
próximo das peças originais. Desses artesãos,
destaca-se o casal Inês e Raimundo Cardoso, que
faz um trabalho de inestimável qualidade e beleza.
Além deles, centenas de outros artesãos
dedicam-se à produção dessas peças
em barracões de madeira, onde o visitante pode
adquirir esses trabalhos, escolhendo-os entre milhares
de opções.
Como é natural, existem também distorções
nas chamadas "peças de encomenda" e
modernizadas, que já aparecem nas oficinas. Alguns
já realizam peças com mensagens, nome
do comprador, escudos de times de futebol, aplicação
de purpurina e outros recursos, que acabam dando à
produção uma característica divertida
e bem popular.
Porém, se o comprador deseja réplicas
que remontem às peças originais, basta
fazer uma visita ao Museu Goeldi, conhecer o detalhe
dessa produção e, posteriormente identificar
com facilidade os diversos artistas que produzem peças
com altíssimo padrão.
Cleber Papa
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