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Gabriella Pace (Cecy) e Eduardo Itaborahy (Peri)
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A ópera "O Guarani", de Carlos Gomes, esteve
em cartaz no Palácio das Artes, em Belo Horizonte,
com apresentações nos dias 22, 24, 26, 28 e
29 de setembro. Os ingressos custaram R$ 40,00 (setor I),
R$ 34,00 (setor II) e R$ 24,00 (balcão) e estudante
paga meia. Para os amantes da ópera, trata-se de um
espetáculo imperdível: a montagem inédita,
realizada pela Fundação Clóvis Salgado,
será mostrada em sua versão integral, recuperada
a partir das partituras originais pelo maestro carioca Roberto
Duarte, num trabalho que durou seis anos e que só agora
foi definitivamente concluído. A cena de dança
do terceiro ato - normalmente eliminada na maioria das montagens,
por ser de difícil execução - também
é mostrada, em coreografia assinada por Arnaldo Alvarenga.
Com direção de Cleber Papa e regência
do maestro Emilio De Cesar, a ópera foi executada pela
Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, pelo Coral Lírico
da Fundação Clóvis Salgado e pela Cia
de Dança de Minas Gerais, todos corpos artísticos
mantidos pela Fundação Clóvis Salgado.
Peri, o principal personagem masculino, é vivido pelo
tenor Eduardo Itaborahy, que já cantou esse papel em
quatro temporadas diferentes, no Brasil e na Europa, e hoje
é considerado o melhor intérprete desse personagem.
Cecília, a moça por quem o índio se apaixona,
é interpretado pela soprano Gabriella Pace, que faz
sua estréia nesse papel. No elenco, também estão
os cantores Daniel Lee (no papel de Gonzales), Stephen Bronk
(Cacique Aimoré), José Gallisa (Dom Antônio),
Wagner Costa (Dom Álvaro), Mauro Chantal (Alonso) e
Ramiro Souza e Silva (Pedro). A cenografia é de Raul
Belém Machado e os figurinos de Elena Toscano.
Montagem inovadora - Segundo o diretor Cleber Papa, a montagem
mineira de "O Guarani" é bastante diferente
das últimas encenações da ópera,
apresentadas em Sofia (Bulgária), Manaus e Lisboa (Portugal),
todas produzidas por ele. "Esta é a primeira vez
que faço O Guarani atuando como diretor de cena. A
postura cênica adotada, portanto, é nova",
relata. Cleber ressalta que, ao dirigir, faz questão
absoluta de criar as cenas colocando sempre a música
em primeiro lugar. "Essa é a característica
do gênero ópera. Dirigir cantores é bem
diferente de trabalhar com atores, porque o canto exige um
esforço muito grande. Temos que compor as cenas extraindo
delas o máximo, mas sem que elas prejudiquem o canto",
afirma.
Além
disso, também a personalidade de cada personagem tem
características diferentes das montagens anteriores.
Peri é menos raivoso, tornando-se mais sensual, afetuoso
e heróico, com gestos contidos. Cecília muda
de características durante o transcorrer da história:
começa como adolescente ingênua e transforma-se
numa mulher forte e decidida no final do espetáculo.
O vilão Gonzales continua sem caráter, mas aparece
como um homem descontrolado, sem limites, patético
no seu amor impossível por Cecília. E o Cacique,
apresentado normalmente como um homem rude e frio, desta vez
ganha uma certa dose de lirismo.
Os cenários criados por Raul Belém Machado,
que tem mais de 600 espetáculos no currículo,
refletem e se adequam aos conceitos utilizados pela direção.
São construídos em módulos que se adaptam
a várias cenas e utilizam muitas pedras, para transmitir
a agressividade e a aridez da história. A Mata Atlântica,
onde se passa grande parte da encenação, é
estilizada, com o uso de painéis em tons de cinza esverdeado.
"A ópera é toda uma vitória dos
sentimentos e um libelo contra o preconceito. O tempo todo
os valores éticos são colocados em questão,
terminando com o triunfo deles. Por tudo isso, o tom geral
do cenário é o de glória", explica
Raul. Detalhe importante: apesar de sofisticados, os cenários
foram pensados para serem de fácil transporte e montagem,
o que permite a apresentação do espetáculo
em outros Estados brasileiros e também no Exterior.
"Realmente, este é um trabalho com todas as condições
de viajar para outros estados brasileiros e para o exterior,
já que cenários foram pensados para serem de
fácil transporte e montagem", comenta Rosana Caramaschi,
da São Paulo ImagemData. "A Fundação
Clóvis Salgado tem-se destacado por realizar produções
próprias com resultados de acabamento e funcionalidade
muito interessantes. O mesmo acontece com este Guarani",
ressalta
Pólo operístico - A Fundação
Clóvis Salgado, realizadora e produtora da montagem
mineira de "O Guarani", é a Instituição
que administra o Palácio das Artes de Belo Horizonte,
um complexo cultural que reúne, num só endereço,
três teatros, três galerias de arte, um cinema,
um centro de produção e o Centro de Formação
Artística, com escolas profissionalizantes de Teatro,
Dança e Música, além de um café
e uma livraria. Mantém três corpos artísticos:
a Orquestra Sinfônica, o Coral Lírico e a Cia
de Dança de Minas Gerais.
Nos últimos anos, a Fundação Clóvis
Salgado/ Palácio das Artes vem se consolidando em Belo
Horizonte como um importante pólo produtor de óperas,
atividade até então concentrada principalmente
nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2001,
por exemplo, a produção de "Aida",
de Verdi, foi elogiada pela crítica e pelo público,
que lotou o Grande Teatro em todas as 8 récitas realizadas.
Devido ao grande sucesso a ópera foi remontada em 2002,
reunindo um público de aproximadamente 22 mil pessoas
nas duas temporadas.
Projetado por Oscar Niemeyer, o Palácio das Artes ocupa
uma área de 18.500 metros quadrados no centro de Belo
Horizonte e no ano passado realizou nada menos que 1.720 eventos,
assistidos por cerca de 700 mil pessoas.
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