|
A estréia de O Guarani no Teatro Alla Scalla (Milão
/ Itália) foi responsável pelo grande impulso
que teve a carreira internacional do compositor brasileiro
Antonio Carlos Gomes. Além da música exuberante,
um belíssimo exemplar do lirismo romântico, a
ópera também chamou a atenção
da exigente platéia italiana pelo exotismo do tema.
De fato, apresentar índios brasileiros e sua relação
com a colonização portuguesa, ainda hoje, é
um fato que comove qualquer platéia. Basta olharmos
o sucesso das montagens de Bonn e de Washington, ambas de
Plácido Domingo, ou mesmo a montagem histórica
da São Paulo ImagemData na Bulgária, que, ainda
para este ano de 2000, está preparando outra montagem
inédita de O Guarani a ser apresentada em Lisboa, com
estréia em 10 de outubro.
Carlos Gomes, cujo nome assinala uma rua no Centro de Milão
e outra em Lecco, onde também viveu, foi aplaudido
e reconhecido quando o público italiano viu O Guarani
pela primeira vez. Apesar de todo o sucesso na sua época
com várias outras óperas, somente nos últimos
6 anos saiu do ostracismo nacional e internacional imposto
por uma série de fatores e justificativas. De fato,
a música de Carlos Gomes passou a ter uma grande divulgação
internacional de várias de suas óperas, inclusive
a produção de Fosca, apresentada em Manaus em
1998.
O Guarani é um marco na vida de Carlos Gomes e de
certa forma, dos próprios brasileiros. É uma
versão romântica da formação do
povo brasileiro, da miscigenação de duas culturas
diferentes, da religiosidade, sem deixar de pontuar os conflitos
que existiram no início da colonização.
Por estas razões, O Guarani foi escolhido para ser
a ópera de abertura do IV Festival Amazonas de Ópera
Manaus 2000. A ópera O Guarani teve seu libreto
escrito por Antonio Scalvini, tendo como base o romance homônimo
de José de Alencar. Composta por Carlos Gomes, reflete,
em momentos de rara beleza e lirismo musical, muitos dos aspectos
elementares da Cultura Brasileira.
A história começa na esplanada da casa de D.
Antonio Mariz, fidalgo português, com a chegada de caçadores
cheios de entusiasmo por suas aventuras e animais abatidos.
Gonzales, um aventureiro, comenta ironicamente o amor de D.
Alvaro por Cecília, filha de D. Antonio. Este aproxima-se
dos aventureiros e conta que sua filha foi presa pelos índios
Aimorés e libertada por Peri, um índio Guarani,
que é apresentado a todos. Em seguida, Cecília
surge falando de sua felicidade por estar salva, quando seu
pai anuncia seu casamento com D. Alvaro. Apesar de não
gostar, Cecília cede ao pai. Encontra-se sozinha depois
com Peri e ambos cantam os seus sentimentos apaixonados.
No 2.° ato, Peri está na sua gruta na floresta,
onde revela saber que os aventureiros querem apoderar-se dos
bens de D. Antonio, colocando Cecilia em risco. Ele jura protegê-la.
Chegam Gonzales, Rui e Alonso que conspiram contra D. Antonio.
Os dois últimos afastam-se para contar ao bando o que
pretendem fazer. Gonzales e Peri encontram-se e brigam. Os
aventureiros reunidos juram fidelidade a Gonzales, que se
torna o líder do grupo. No seu quarto, à noite,
Cecília canta a esperança de seu amor e adormece.
Gonzales invade o aposento e a obriga a acompanhá-lo,
quando uma flecha atinge sua mão. Mais uma vez, Cecília
é salva por Peri. Alertados pelo barulho, os homens
de D. Antonio vêm ao quarto. A casa é simultaneamente
invadida pelos Aimorés em guerra. Cecília e
Peri são feitos prisioneiros.
O ato seguinte acontece na tribo Aimoré, onde Cecília
e Peri estão presos. O cacique apaixona-se por Cecília
e quer poupá-la da morte. Peri toma um veneno porque,
uma vez morto e servindo de alimento à tribo, conforme
ritual de guerra, matará a todos. Quando chega a hora
da morte de Peri, a aldeia é invadida pelos homens
de D. Antonio, que travam intensa luta praticamente dizimando
a população Aimoré.
No 4.° e último ato, os aventureiros tramam matar
Peri e D. Antonio e raptar Cecília. D. Antonio já
sabe da trama e encontra-se com Peri, que ainda vive graças
a um antídoto de ervas da floresta. D. Antonio pede
a Peri que vá embora porque irá destruir os
aventureiros. Peri concorda, desde que leve Cecília,
salvando-a. D. Antonio permite desde que ele se torne cristão,
com o que o guarani concorda.
Peri e Cecília vão embora enquanto D. Antonio
explode o castelo, matando a todos.
|