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A revista musical "A Noiva do Condutor", composta
por Noel Rosa em 1935 e montada apenas duas vezes até
2002, foi encenada dias 25 e 26 de abril no Festival de Ópera
do Theatro da Paz. Trata-se de uma obra brejeira, engraçada,
que retrata com perfeição a sociedade e os hábitos
cariocas na década de 30.
"Noel Rosa foi o Supla de sua época", diz
Elvira Gentil, a diretora cênica da montagem que será
encenada em Belém. "Noel fazia o que todos queriam
fazer. Passava as noites de bar em bar, namorava muito, viajava,
desafiava a polícia. Mas, ao mesmo tempo, era um homem
muito ingênuo, muito simples", conta.
É exatamente esta simplicidade, presente em toda a
obra de Noel Rosa, que será apresentada no palco do
Theatro da Paz. Helena (Denise de Freitas), a Noiva, se apaixona
por Joaquim (Adriano Pinheiro), um jovem que se diz advogado.
O pai de Helena, Dr. Henrique (João Bourbonnais), não
está de acordo com o namoro, mas consente o noivado,
evitando que os vizinhos façam fofocas a respeito de
sua filha. Mas um dia, Helena e o pai, tomam um bonde e descobrem
que o condutor é Joaquim.
A história é narrada por um locutor (Carlos
Falat), e simultaneamente, é acompanhada por uma radiouvinte
(Eloísa Leão), que torce por um final feliz.
Quando Helena descobre que Joaquim é um condutor, este
faz de tudo para recuperar seu amor, mas Helena jura nunca
mais vê-lo. O pai de Joaquim, Sr. Barbosa (Miguel Bretas),
um rico banqueiro, chega para explicar o desentendimento com
o filho, que insistia em casar-se com uma tal de Helena. A
reconciliação é geral.
"Imprimi ao espetáculo um clima de alegria, simplicidade
e malícia inocente. De um lado do palco está
o estúdio de rádio e de outro a radiouvinte,
passando roupa, cozinhando, muito envolvida com a história.
Ela chega até a dançar na festa de casamento,
oferecendo doces aos noivos. Em um determinado momento ela
invade a rádio e faz parte das personagens", explica
Elvira.
A montagem que será apresentada no Festival de Ópera
do Theatro da Paz utiliza recursos cinematográficos
de narrativa. Há um carro antigo onde Helena e Joaquim
passeiam. Os cenários são telões que
descem no palco, representando os Arcos da Lapa, o Coreto,
a vila de casas todas iguais e outros pontos do Rio de Janeiro
da década de 30.
A sonoplastia da Noiva do Condutor é um incrível
jogo de movimento. O som da rádio sai do próprio
palco. O movimento dos atores é um sinal para que se
faça a sonoplastia ao vivo.
"Procurei, juntamente com a Mônica Giardini, diretora
musical, imprimir nas personagens a maior sinceridade possível,
parodiando uma época. Portanto, o público vai
encontrar a simplicidade e a ingenuidade de uma maneira exagerada.
Por exemplo: quando Helena descobre que Joaquim é um
condutor, ela chora, grita. O público ri pelo exagero
da cena, mas percebe que a atitude dela é sincera,
real", ressalta Elvira.

Perfil de Noel Rosa
Filho de um gerente de farmácia e de uma professora,
Noel de Medeiros Rosa nasceu em 11 de dezembro de 1910 no
bairro carioca de Vila Isabel. Noel nasceu de um parto complicado,
"arrancado" a fórceps, o que lhe causou afundamento
e fratura no maxilar.
Alfabetizado pela mãe, Noel dedicava-se mais a música
do que aos estudos. Aprendeu a tocar violão com o pai,
e, bandolim, de ouvido, com a mãe. Chegou a ingressar
na Faculdade de Medicina (1930), mas abandonou o curso dois
anos depois, pois estava muito envolvido com a boêmia.
Foi convidado para integrar o Bando dos Tangarás, formado
pelos amigos de Vila Isabel, João de Barro (Braguinha),
Almirante, Alvinho e Henrique Brito.
A partir daí, Noel passa a se apresentar em público
e conquista as rádios cariocas. Até 1937, ano
de sua morte, Noel compôs cerca de 300 músicas.
A canção que lançou Noel para o sucesso
foi Com que Roupa?, sua primeira gravação, cantada
durante o carnaval de 1931.
Noel foi um homem de cabarés, prostíbulos,
botequins. A boêmia era sua religião. Era nesse
universo suburbano que ele buscava inspiração
para compor suas músicas, uma verdadeira crônica
social do Rio de Janeiro. Este era o seu modo de viver. Mesmo
sabendo que a tuberculose lhe corroía os pulmões,
Noel nunca largou o cigarro e a bebida. Foi também
um sedutor, envolvendo-se com várias mulheres ao mesmo
tempo, o que lhe causou um casamento forçado com Lindaura
Silveira, embora não a amasse, e se declarasse um inimigo
mortal do casamento. A dançarina Juraci Correia de
Moraes, a Ceci, foi o grande amor de sua vida e serviu de
inspiração para uma dezena de sambas. Sua última
composição, Meu Último Desejo, em parceria
com Vadico, lembrava o dia em que se conhecerem, em uma festa
de São João.
No dia 04 de maio de 1937, Noel Rosa agonizava em sua casa
na Vila Isabel, e falece por volta das onze horas da noite,
ao lado de sua mãe, esposa e alguns amigos. A tuberculose
encerrou sua vida, mas sua produção musical
permanece até hoje.
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