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A Noiva do Condutor - Belém/2002
Ópera
 
Apresentação Sinopse Ficha Técnica Calvozo Elvira Gentil

 
Opereta de Noel Rosa, foi encenada no Festival de Ópera do Theatro da Paz


-Ensaio Aberto:
Jaime de Oliveira Bibas

Festival de Ópera do Theatro da Paz.
20 de abril a
12 de maio de 2002

Direção geral:
Cleber Papa
Direção Artística:
Gilberto Chaves
Direção de Produção:
Rosana Caramaschi

 

 
Fotos/Photos

A revista musical "A Noiva do Condutor", composta por Noel Rosa em 1935 e montada apenas duas vezes até 2002, foi encenada dias 25 e 26 de abril no Festival de Ópera do Theatro da Paz. Trata-se de uma obra brejeira, engraçada, que retrata com perfeição a sociedade e os hábitos cariocas na década de 30.

"Noel Rosa foi o Supla de sua época", diz Elvira Gentil, a diretora cênica da montagem que será encenada em Belém. "Noel fazia o que todos queriam fazer. Passava as noites de bar em bar, namorava muito, viajava, desafiava a polícia. Mas, ao mesmo tempo, era um homem muito ingênuo, muito simples", conta.

É exatamente esta simplicidade, presente em toda a obra de Noel Rosa, que será apresentada no palco do Theatro da Paz. Helena (Denise de Freitas), a Noiva, se apaixona por Joaquim (Adriano Pinheiro), um jovem que se diz advogado. O pai de Helena, Dr. Henrique (João Bourbonnais), não está de acordo com o namoro, mas consente o noivado, evitando que os vizinhos façam fofocas a respeito de sua filha. Mas um dia, Helena e o pai, tomam um bonde e descobrem que o condutor é Joaquim.

A história é narrada por um locutor (Carlos Falat), e simultaneamente, é acompanhada por uma radiouvinte (Eloísa Leão), que torce por um final feliz. Quando Helena descobre que Joaquim é um condutor, este faz de tudo para recuperar seu amor, mas Helena jura nunca mais vê-lo. O pai de Joaquim, Sr. Barbosa (Miguel Bretas), um rico banqueiro, chega para explicar o desentendimento com o filho, que insistia em casar-se com uma tal de Helena. A reconciliação é geral.

"Imprimi ao espetáculo um clima de alegria, simplicidade e malícia inocente. De um lado do palco está o estúdio de rádio e de outro a radiouvinte, passando roupa, cozinhando, muito envolvida com a história. Ela chega até a dançar na festa de casamento, oferecendo doces aos noivos. Em um determinado momento ela invade a rádio e faz parte das personagens", explica Elvira.

A montagem que será apresentada no Festival de Ópera do Theatro da Paz utiliza recursos cinematográficos de narrativa. Há um carro antigo onde Helena e Joaquim passeiam. Os cenários são telões que descem no palco, representando os Arcos da Lapa, o Coreto, a vila de casas todas iguais e outros pontos do Rio de Janeiro da década de 30.

A sonoplastia da Noiva do Condutor é um incrível jogo de movimento. O som da rádio sai do próprio palco. O movimento dos atores é um sinal para que se faça a sonoplastia ao vivo.

"Procurei, juntamente com a Mônica Giardini, diretora musical, imprimir nas personagens a maior sinceridade possível, parodiando uma época. Portanto, o público vai encontrar a simplicidade e a ingenuidade de uma maneira exagerada. Por exemplo: quando Helena descobre que Joaquim é um condutor, ela chora, grita. O público ri pelo exagero da cena, mas percebe que a atitude dela é sincera, real", ressalta Elvira.


Perfil de Noel Rosa

Filho de um gerente de farmácia e de uma professora, Noel de Medeiros Rosa nasceu em 11 de dezembro de 1910 no bairro carioca de Vila Isabel. Noel nasceu de um parto complicado, "arrancado" a fórceps, o que lhe causou afundamento e fratura no maxilar.

Alfabetizado pela mãe, Noel dedicava-se mais a música do que aos estudos. Aprendeu a tocar violão com o pai, e, bandolim, de ouvido, com a mãe. Chegou a ingressar na Faculdade de Medicina (1930), mas abandonou o curso dois anos depois, pois estava muito envolvido com a boêmia. Foi convidado para integrar o Bando dos Tangarás, formado pelos amigos de Vila Isabel, João de Barro (Braguinha), Almirante, Alvinho e Henrique Brito.

A partir daí, Noel passa a se apresentar em público e conquista as rádios cariocas. Até 1937, ano de sua morte, Noel compôs cerca de 300 músicas. A canção que lançou Noel para o sucesso foi Com que Roupa?, sua primeira gravação, cantada durante o carnaval de 1931.

Noel foi um homem de cabarés, prostíbulos, botequins. A boêmia era sua religião. Era nesse universo suburbano que ele buscava inspiração para compor suas músicas, uma verdadeira crônica social do Rio de Janeiro. Este era o seu modo de viver. Mesmo sabendo que a tuberculose lhe corroía os pulmões, Noel nunca largou o cigarro e a bebida. Foi também um sedutor, envolvendo-se com várias mulheres ao mesmo tempo, o que lhe causou um casamento forçado com Lindaura Silveira, embora não a amasse, e se declarasse um inimigo mortal do casamento. A dançarina Juraci Correia de Moraes, a Ceci, foi o grande amor de sua vida e serviu de inspiração para uma dezena de sambas. Sua última composição, Meu Último Desejo, em parceria com Vadico, lembrava o dia em que se conhecerem, em uma festa de São João.

No dia 04 de maio de 1937, Noel Rosa agonizava em sua casa na Vila Isabel, e falece por volta das onze horas da noite, ao lado de sua mãe, esposa e alguns amigos. A tuberculose encerrou sua vida, mas sua produção musical permanece até hoje.

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