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Ópera
Norma
 
Inglaterra, 2002

 


Cleber Papa: inspiração
nos pré-rafaelitas ingleses
 

Com récitas nos dias 16 e 17 de agosto de 2002, em Sherborne (Inglaterra), a ópera "Norma", de Vincenzo Bellini, montada pela Dorset Opera, teve direção cênica de Cleber Papa, da São Paulo ImagemData. Regida pelo maestro Patrick Shelley, a ópera foi cantada pela armênia Karine Babajanya (Norma), pela norte-americana Andrea Baker, pelo búlgaro Michail Milanov (Oroveso), pela inglesa Annalise Whittlesea (Clotilde) e pelos tenores brasileiros Eduardo Itaborahy (Pollione) e Mauro Wrona (Flávio). Outros dois brasileiros também participaram da montagem: Gilberto Chaves (assistente de direção) e Homero Velho (diretor de palco).

"Norma" estreou no Alla Scala de Milão em dezembro de 1831, é considerada a obra prima do bel-canto e o papel-título teve em Maria Callas sua mais famosa intérprete. A história é uma tragédia conduzida pelo amor, que fala da paixão e do dualismo entre a vida privada e a religiosidade. Sua ação acontece na Gália, durante a ocupação romana, onde a sacerdotisa Norma mantém uma relação secreta com o oficial romano Polione, de quem tem dois filhos. "Norma sabe que sua paixão é impossível mas, ao mesmo tempo, sonha poder viver o seu amor com liberdade", relata Papa.





Mauro Wrona interpreta Flávio
 

Segundo ele, a direção cênica da obra de Bellini representa um desafio para qualquer diretor. "A música é maravilhosa e vibrante, mas as dificuldades para a direção são muitas, porque não há grandes rotinas de ação no palco", explica. "Procurei encontrar no libreto a linha dramática teatral, respeitando os tempos musicais. A partir daí surgiu a concepção das ações, onde o diálogo é privilegiado, preservando-se a dramatização", afirma.

O projeto visual da montagem, imaginado pelo diretor e desenhado pelo cenógrafo Howard Lloyd, buscou inspiração na obra do pintor J. W. Waterhouse, representante do pré-rafaelismo inglês. "Esse movimento - conta Papa - surgiu na Inglaterra no final do século 19, exatamente na época da estréia da ópera de Bellini. Buscava retomar, na literatura e nas artes plásticas, a atmosfera medieval de antes de Rafael. Portanto, a pintura pré-rafaelita era dominada um certo realismo romântico". Essa atmosfera pré-rafaelita, segundo Papa, inspirou os figurinos, os cenários e até algumas condutas de encenação.
 


Eduardo Itaborahy canta o papel de Polione

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