Mostra de Dramaturgia Contemporânea 2003

2ª edição da Mostra de
Dramaturgia Contemporânea

12/11 a 21/12 de 2003
Teatro Popular do SESI

- Ensaio Aberto: Renato Borghi

Programação destacou a dramaturgia do Nordeste
e trouxe também peças inéditas de Portugal e do Uruguai

História
A Mostra de Dramaturgia Contemporânea é a consolidação de uma idéia surgida em 2001 sob a coordenação de Renato Borghi e Élcio Nogueira Seixas, com produção da São Paulo ImagemData. Talentosos e jovens autores apresentaram seus textos que foram dirigidos por alguns dos mais importantes diretores teatrais. Quinze espetáculos de curta duração se revezaram no palco do SESI em 2002 encenados pelo mesmo núcleo de atores, formado por Borghi, Élcio, Débora Duboc e Luah Guimarãez. Na primeira edição, a Mostra teve ampla repercussão, estendendo suas apresentações a outros estados. Além disso, pela importância da iniciativa e pela representatividade do projeto recebeu os prêmios Shell e APCA como reconhecimento, por parte da crítica especializada.

Em 2003
Nesta edição, uma consultoria especializada se incumbiu de selecionar textos sempre sob o critério excelência, considerando um conjunto de qualidades que impulsionam a montagem de uma peça, como originalidade, o sentido contemporâneo e a arquitetura da escrita. A curadoria analisou 180 obras e seis delas, provenientes da Bahia, Pernambuco, Ceará, Uruguai, São Paulo e Portugal, foram selecionadas. Outro diferencial em relação à Mostra de 2002 pode ser verificado na direção de arte, já que no ano passado as peças foram geradas a partir da visão de cada diretor, não importando muito a composição final do mosaico. Desta vez os encenadores criaram a partir do diálogo com uma direção de arte, com Daniela Thomas à frente, que pensa o conjunto da Mostra de forma autônoma. A experiência propõe que, além de seus universos independentes, as peças interajam num espaço estético comum, o que gera novos olhares sobre as obras.

Espetáculos
A programação trouxe as peças: "Então Felicidades", de José Mora Ramos (Portugal), direção de Regina Galdino; "Mal Necessário", de Cássio Pires (São Paulo), direção de Marcelo Lazzaratto; "Braseiro", de Marcos Barbosa (Fortaleza), direção de Débora Dubois; "Coiteiros de Paixões", de Luiz Felipe Botelho (Pernambuco), direção de Johana Albuquerque; "Alta Noite", de Elísio Lopes Jr. (Bahia), direção de Francisco Medeiros; e "El Muro de Berlim Nunca Existió", de Luis Vidal Giorgi (Uruguai), direção de Fernando Kinas. Cada dupla de espetáculos ficou em cartaz por duas semanas, sempre de quarta a domingo, com apresentações às 21h.

Consultoria:

Aimar Labaki
É dramaturgo, tradutor e roteirista. Autor de "Tudo de Novo no Front" e "Vermouth", direção de Gianni Rato, "A Boa", direção de Ivan Feijó, "Pirata na Linha" e "MotoRboy", direção de Débora Dubois, além de "MSTesão", "VagaBunda", "Babado Forte" (baseado no livro de Érika Palomino), "O Anjo do Pavilhão Cinco" (baseado em original de Dráuzio Varella) e "Miranda e a Cidade", todas inéditas. Traduziu, entre outros, "Copenhagen", de Michael Freyn, e "Ismênia", de Ianis Ritsos. É curador do programa "Dramaturgias", do Centro Cultural Banco do Brasil.

Silvana Garcia
Realizou estudos de graduação e pós graduação (mestrado e doutorado) em Artes Cênicas na escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Autora dos livros "Teatro da Militância" e "As Trombetas de Jericó - Teatro das Vanguardas Históricas". Professora de história do Teatro e Literatura Dramática da Escola de Arte Dramática da USP desde 87. Professora e orientadora no programa de pós graduação do Departamento de Artes Cênicas da USP, atualmente é diretora da Divisão de Pesquisas - Idart - do Centro Cultural São Paulo. É jurada do prêmio Shell de Teatro desde 97; foi jurada do prêmio Mambembe, membro da Comissão de Averiguação e Avaliação de Projetos Culturais do Município de São Paulo e do Edital Flávio Rangel. Desde 92 participa como jurada e debatedora de espetáculo em diversos festivais de teatro.

Curadoria:

Renato Borghi
O ator e diretor Renato Borghi tem 44 anos de carreira. Criou, junto com José Celso Martinez Corrêa, o Teatro Oficina, nos anos 60. A parceria durou 13 anos e rendeu clássicos como "O Rei da Vela", de Oswald de Andrade, e "Galileu Galilei", de Bertold Brechet. Em 72, desligou-se do Oficina e fundou, com Estér Góes, sua própria companhia: O Teatro Vivo de São Paulo, realizando entre outros, "O Que Mantém um Homem Vivo?", de Bertold Brechet, "Absurda Pessoa", de Alan Aickbourn, e "Um Grito Parado no Ar", de Gianfrancesco Guarnieri. Em 79, criou a Renato Borghi Produções Artísticas, produzindo "Decifra-me ou devoro-te", peça de sua autoria, direção de Roberto Lage, "O amante de madame Vidal", de Verneuil, direção de Gianni Ratto. Em 93, fundou o Teatro Promíscuo, com Elcio Nogueira Seixas, que entre outros espetáculos, produziu; "Édipo", de Sêneca, sob sua direção, "Senhora do Camarim", também de sua autoria e com direção de Elcio Nogueira Seixas e Cristiane Esteves, "Tio Vânia" e "Jardim das Cerejeiras", de Tchekhov (com Tônia Carrero), direção de Elcio Nogueira Seixas. Renato Borghi, além de ser um dos mais premiados atores do Brasil, é também autor de teatro, seu texto "O Lobo de Ray-Ban", recebeu prêmios em várias categorias, incluindo melhor autor. Borghi tem ainda participações importantes no cinema e TV. Atualmente encontra-se realizando a segunda edição da "Mostra de Dramaturgia Contemporânea", projeto idealizado por ele e Elcio Nogueira Seixas. Na primeira edição, a Mostra reuniu 16 autores e 13 diretores em 15 espetáculos que tiveram por objetivo valorizar e dar visibilidade ao trabalho dos novos dramaturgos brasileiros.

Elcio Nogueira Seixas
O ator e diretor Elcio Nogueira Seixas já trabalhou com os maiores diretores do Teatro Brasileiro contemporâneo: José Celso Martinez Corrêa e Antunes Filho. Fundou, na década de 90, o Teatro Promíscuo, com o ator Renato Borghi, dirigindo e atuando em várias montagens do grupo. Desde 93 é professor de interpretação, ao lado de Borghi, ministrando inúmeros workshops sobre pesquisas de interpretação para atores. Seu último trabalho como diretor foi "Jardim das Cerejeiras", de Tchekhov, que reuniu no elenco nomes como Tônia Carrero, Beth Goulart, Dirce Migiaccio, Renato Borghi, entre outros. Já como ator, seu último trabalho antes da Mostra 2002 foi "Barrela", de Plínio Marcos e direção de Sérgio Ferrara. Elcio realizou a "Mostra de Dramaturgia Contemporânea 2002", sendo um dos idealizadores do projeto e atuando em 14 das 15 peças apresentadas. Atualmente encontra-se realizando a segunda edição da "Mostra de Dramaturgia Contemporânea". Na primeira edição, a Mostra reuniu 16 autores e 13 diretores em 15 espetáculos que tiveram por objetivo valorizar e dar visibilidade ao trabalho dos novos dramaturgos brasileiros.

Luah Guimarãez
Formada em Artes Cênicas pela UNICAMP participou do Fall Studio Session ministrado pela companhia nova-iorquina Saratoga Internacional Theater Institute - SITI, fundada e co-dirigida por Anne Bogart e Tadashi Suzuki. Seus mais recentes trabalhos em teatro foram: "À Margem da Vida", de Tennessee Williams, direção de Beth Lopes, onde recebeu indicação para o Troféu Mambembe e Prêmio Apetesp na categoria Atriz Coadjuvante; "Esperando Godot", de Samuel Beckett, dirigido por Cristiane Paoli-Quito; "Um Céu de Estrelas", dirigido por Lígia Cortez, adaptação de Jean Claude Bernardet, Fernando Bonassi e Tata Amaral. Durante cinco anos (92-96) atuou para a Companhia Razões Inversas, sob a direção de Marcio Aurelio, em vários espetáculos: "Ricardo II", de William Shakespeare, "Peça Coração", de Heiner Muller, "A Bilha Quebrada", de Henrich Von Kleist, e "Torquato Tasso", de J.W. Goethe. Foi diretora assistente de Marcio Aurelio no espetáculo "Espírito da Terra". Atuou no longa-metragem "Lara", de Ana Maria Magalhães, em fase de finalização e dos curtas "Réquiem" de Moira Toledo e "A Primeira Vida" de Flávio Dezorzi, Luah Guimarãez, Geogette Fadel e Newton Moreno fundaram o Núcleo de Teatro Akasha em 2002. Este núcleo desenvolve, atualmente, um processo colaborativo com o texto "A Cicatriz é a Flor", de Newton Moreno. Desde 2001, trabalha na concepção da Mostra de Dramaturgia Contemporânea com o Núcleo de Teatro Promíscuo.

Débora Duboc
É uma das atrizes mais reconhecidas e consagradas da sua geração. Foi uma das realizadoras do projeto estético da Cia Razões Inversas, dirigida pelo encenador Marcio Aurelio. Atuou nos espetáculos "Ricardo II" de W. Shakespeare, "A Bilha Quebrada" de H. Kleist, "Arte da Comédia" de Edoardo Fellipo e "Srta. Else", de Schnitzler, pelo qual recebeu os prêmios de Melhor Atriz SHELL, APCA e APETESP. Com "O Homem das Galochas", de Vladimir Capella ganhou os prêmios APCA e APETESP. Fez também "As Três Irmãs" de Tchecov, dirigida por Enrique Diaz. Está produzindo com sua própria companhia, a Olhar Imaginário - Núcleo de Teatro, o musical contemporâneo "Espírito da Terra" com canções de F. Wedekind. Foi curadora e participou de 10 das 15 peças da "Mostra Contemporânea de Dramaturgia" apresentada no Teatro do SESI em Maio/Junho de 2002. Com os curadores recebeu o prêmio Shell de 2002 - Categoria Especial e junto com os atores, o APCA 2002 - Categoria Prêmio Especial da Crítica, pela atuação na Mostra. Sempre ligada à pesquisa teatral, recebeu a Bolsa Virtuose do Ministério da Cultura para desenvolver um trabalho sobre a máscara no teatro e no cinema. Atuou nos longas metragens "Através da Janela" de Tata Amaral, "Memórias Póstumas" de André Klotzel e protagonizou "Latitude Zero" e "Cabra Cega" de Toni Venturi, o último em finalização. Em 2000 representou o Brasil no Festival de Berlim com "Memórias Póstumas" e "Latitude Zero" . Por este filme recebeu os prêmios internacionais de Melhor Atriz em Miami e Kiev .

Fernando Bonassi
O diretor, escritor e roteirista Fernando Bonassi, que escreve semanalmente a coluna "Macho" na Revista da Folha, dirigiu vários curtas metragens, foi roteirista de longas como "Os Matadores", "Castelo Rá-Tim-Bum" e "Através da Janela" e programas de TV como "Mundo da Lua", da TV Cultura. Escreveu diversos romances e contos entre eles "O Amor em Chamas", "Subúrbio" e "Crimes Conjugais". Este último teve a adaptação cinematográfica dirigida por Tata Amaral e a teatral dirigida por Lígia Cortez. Em 2000 escreveu, juntamente com o Teatro de Vertigem, a peça "Apocalipse 1,11", sucesso de crítica e público. Escreveu, juntamente com Victor Navas, a adaptação cinematográfica do livro "Estação Carandiru", de Dráuzio Varella, para a direção de Hector Babenco, além de serem os autores de "Três Cigarros & a Última Lasanha, texto presente na Mostra (indicado ao prêmio Shell como melhor texto-2003). Em março de 2002, o texto de sua autoria, "Souvenirs", esteve em cartaz no Teatro Popular do Sesi, em São Paulo, com direção de Márcio Aurélio. Foi indicado como melhor autor ao prêmio Shell pelo texto "Três Cigarros e a Última Lasanha"

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