22 DE OUTUBRO DE 2004
50 ANOS DA MORTE VIVA DE OSWALD DE ANDRADE VIVO MAIS QUE NUNCA


Para compreender a história, a atuação presente e futura do Teatro Oficina é preciso interpretá-la antes de O Rei da Vela, mais precisamente, a partir de seus nove anos antes de O.A. e seus 37 depois.
As consequências da encenação do Rei trouxeram a busca do Teatro de Estádio.
A construção do Terreiro Eletrônico, o atual Oficina de Lina Bardi e Edson Ellito, deu as condições para encenações antropofágicas da cultura de mestiçagem antenada por Oswald. Criaram uma releitura, uma recriação da dramaturgia universal e brasileira. Desde as Bacantes dos Gregos, passando por Ham-let de Shakespeare, pelo Teatro Nô Japonês de Zeame, pelo de Cacilda Becker até Os Sertões de Euclydes da Cunha, pode-se afirmar que o Oficina é uma das Epifanias contemporâneas Oswald de Andrade, uma das devorações.
Com o Teatro de Estádio, salta-se para outra fase, a mais ambiciosa da história do nosso Teatro, a realização do sonho presente no artigo Do Teatro que é Bom, publicado no livro Ponta de Lança de 1943, em que Oswald conversa consigo mesmo e tem a iluminação “de um teatro para a vontade do povo, para o desejo e a emoção do povo como na Grécia”. Oswald, “na Grécia de Carnaval Brasileira“, antes de nomear o “Teatro de Estádio”, já havia escrito sua obra prima para esta forma de teatro: O Homem e o Cavalo, que depois de Os Sertões completado, inaugurará este espaço novo para a vida da cidade de São Paulo. A obra do dramaturgo, romancista, filósofo antifilosofal, e sobretudo Poeta ativo, lançador, inventor da vanguarda artística, agora no seu cinquentenário, é inspiração para o chegado momento do “fino biscoito servido às massas”, da realização do seu desejo de abrir sua obra na “Àgora, no Social, Libertada!”. No dia 22 de outubro de 1954, há cincoenta anos atrás, Oswald doente, de cama, morando num prédio do centro da cidade, empobrecido depois de ter investido toda sua fortuna, uma das maiores de São Paulo da época, em sua Obra-Vida, vivia de pequenas rendas. Seu filho Nonê conta que a pedido do pai saiu para cobrar os aluguéis atrasados de um teatrinho de propriedade da família: o Teatro Íntimo Nicette Bruno, então ocupado pela super Estrela Elvira Pagã. Quando seu filho voltou, do leito perguntou
- E aí , Elvira Pagô?
Foram suas últimas palavras, ou melhor seu último Poema Piada.

Dia 21-22 será portanto um dia de Celebração em toda a cidade, em todo o Brasil e no Oficina.
Tudo que a partir deste dia for criado no Oficina - a última parte de Os Sertões, A Luta, sua apresentação integral no mês de junho, suas viagens internacionais para Festivais na Europa, o lançamento dos DVDs do Festival Teatro Oficina – levará o selo do Cincoentenário. Em co-produção com o SESC, trabalha-se a realização de uma série de “Banquetes” com Artistas Multi Mídias, Filósofos, Músicos, Teólogos, Arquitetos, Críticos Literários, com Curadoria da Poeta Beatriz Azevedo e uma Exposição do Teatro Oficina 1958-2005 inspirada em intepretação oswaldiana de curadoria da arquiteta Cris Cortilio. Mas o mais importante é a dedicação desses trabalhos a este Poeta sentido no Oficina como dos mais fecundos e gulosos do mundo.

DIA 21- Primeira Vela

Será projetado, no CINESESC, O Rei da Vela. O Ponto detonador. O filme, feito a partir da encenação histórica e revolucionária para o teatro, da peça que colocou o teatro de Oswald na cena brasileira para não sair mais, será exibido as 21h, no Cine Sesc.
Uma vela da duração do filme 2h46 será acesa no início da sessão por José Celso Martinez Corrêa e colocada embaixo da tela.
No Final um bolo redondo como o formato da letra O com 50 Velas fazendo o A, será devorado pelo público. Antes as velas serão apagadas cantando-se o Pão de Açucar de Oswald e Caetano Veloso.

DIA 22

Noite de aventura da Comemoração do Cincoentenário pelo Oficina.
DEVORAÇÃO DE OSWALD DEVORADO DEVORANDO-NOS

C E L E B R A Ç Ã O
Os ingressos serão na base de pague quanto puder a partir de R$ 5,00 adquiridos na bilheteria do Teatro a partir de 19h.

Às 21:00 h Tambores tocam abrindo os trabalhos do cincoentenário com o público presente e com a apresentacão da música:

“DIÁRIO CONFESSIONAL”
composta por Ernst Widmer a partir dos versos de Oswald de Andrade.
Widmer foi trazido ao Brasil pelas mãos de Koellreutter, uma das figuras mais importantes da música brasileira no sec. XX. Nasceu em 25 de Abril de 1927 e morreu em 3 Jan. de 1990. Foi professor de música da Universidade da Bahia na época em que Koellreutter coordenava o curso e a universidade era o maior laboratório sonoro do país. Entre muitos outros alunos, foi professor de Tom Zé.

O Bixigão, meninos e meninas do Bixiga que trabalham com o Teatro Oficina, brincarão com o
PRIMEIRO CADERNO DO ALUNO DE POESIA OSWALD DE ANDRADE

Lançamento público da
PRIMEIRA VERSÃO DO PROGRAMA DE ARQUITETURA-URBANISMO E GESTÃO DO TEATRO DE ESTÁDIO
Versão escrita por José Celso Martinez Corrêa, inspirado em Oswald, a pedido dos arquitetos Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki, contratados pelo Grupo Silvio Santos para fazer o projeto do Teatro de Estádio.

Às 22:00 h início da leitura da adaptação da
3ª EXPEDICÃO, DE A LUTA DE OS SERTÕES DE EUCLYDES DA CUNHA.

O primeiro tratamento do roteiro desse trecho de “Os Sertões” para encenação, escrito por José Celso Martinez Correa, será lido com a participação do público. A Luta divide-se em quatro expedições. A terceira, comandada por um chefe militar antípoda de Antônio Conselheiro, o Coronel Moreira César, é a primeira a alcançar finalmente Canudos e combater dentro da cidadela. Moreira César e a expedição, num arrojo vibrante, compõem páginas das mais movimentadas de “Os Sertões” e a vitória de Canudos sobre as tropas, é responsável pelo crescimento vertiginoso da cidade e pela incrível força de re-existência com que os Canudenses vão Lutar daí em diante.

INICIO DO BANQUETE ANTROPOFÁGICO
BRINDE
com bons vinhos tintos secos, estourar de champagnes brutas, trazidas pelos participantes: Atuadores e Público.

JOSÉ MIGUEL WISNIK CANTA E TOCA AO PIANO MÚSICAS QUE COMPÔS PARA OS MISTÉRIOS GOZÓSOS

O Festim caminha por si de encontro ao Sol, com a certeza mais que nunca
que só a antropofagia nos une.

São Paulo, 19 de outubro de 2004
Ano 448 da deglutição do Bispo Sardinha
em plena Crise da Filosofia Messiânica e na Marcha para as Utopias