"O TEATRO BRASILEIRO DE JOSÉ CELSO MOSTRA EM MOSCOU O MAIS RADICAL ESPETÁCULO DA DÉCADA" - Gazeta Moscovita.

"Eu  não  o  conhecia pessoalmente,  senão  de  informação.  Tremi  quando  soube que seguia a mesma linha, exatamente, do José Celso.  Sou amigo e admirador deste último. Mas a sua direção nada tem a ver com o autor, nem com o teatro. Como o Vianinha, o nosso Zé acha que  só a  platéia  existe. Em suma: - para ele e o Líbero o mistério teatral reduz-se a duzentas senhoras gordas comendo pipocas.
    Dirá o leitor: - "É uma idéia". E eu concordo. "É uma idéia." Mas aí começa o cavo e afetuoso abismo entre mim e o Zé Celso, entre mim e o Ripoli.  Assim como o Zé Celso acha que o espetáculo nada tem a ver com o autor, eu entendo que o teatro nada tem a ver com a  platéia.  Só reconheço na platéia uma função estritamente pagante.  Não devia ter nem o direito do aplauso. O aplauso já me parece uma exorbitância.
    Vou um pouco mais longe: - também  acho  que,  por  causa  da  platéia, o teatro é a mais incriada das artes.  Mesmo os maiores poetas dramáticos escrevem para a platéia. A rigor, não existe o autor dramático absoluto, já que todos aceitam a co-autoria das duzentas senhoras gordas. Elas não sabem de nada, não entendem de nada, não pensam nada. Mas o espetáculo é feito para elas e, repito, feito à sua imagem e semelhança. E, porque existe uma co-autoria bastarda, o teatro ainda não conseguiu ser arte."

Nelson Rodrigues

NELSON RODRIGUES E O OFICINA SE ENCONTRAM NUM SALTO SOBRE O ABISMO COM BOCA DE OURO EM MOSCOU



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(em breve as traduções dessas matérias)
http://www.smotr.ru/chehov6/c6_oskal.htm (fotos)
http://park.ru/rubric.parkru?r=275

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