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TEATRO
OFICINA ENTRA NA “LUTA” E ENCONTRA O PÚBLICO
Abertura dos trabalhos do trimestre
2004. Ano 50 da eternidade de Oswald de Andrade.
Ano 43 do Teatro Oficina.
Depois de oito apresentações das três primeiras
partes de “Os Sertões”, A Terra, o Homem I e O Homem
II, e ensaios abertos do início de A Luta, no festival do Vale
do Rühr na Alemanha em maio deste ano, e mais quatro encenações
no Festival Internacional de Teatro de São José do Rio
Preto em julho, o Teatro Oficina Uzyna Uzona, dirigido por José
Celso Martinez Corrêa, entrou na preparação para
a montagem completa de “A Luta” — última e
mais longa parte da jornada de montagem integral do livro de Euclides
da Cunha.
Atuadores, escritores, músicos, preparadores vocais, preparadores
corporais, as crianças do Bixigão, percorrem agora o caminho
da Luta roteirizando o livro e realizando improvisos cujas descobertas
somadas aos primeiros tratamentos da dramaturgia serão a base
para a montagem do espetáculo.
Dividida em seis partes, “A Luta” é a razão
de ser da obra de Euclides. Em suas palavras, o tema, do qual A Terra
e O Homem são variantes. São quatro expedições
militares, que se sucedem aumentando progressivamente o número
de soldados e armamentos (de 150 até 8000 homens) e a patente
de seus chefes (de Tenente a Marechal) enviadas para extinguir o arraial
de Canudos. As últimas duas partes são Nova Fase da Luta
e Últimos Dias, páginas impregnadas da emoção
e paixão de Euclides já presente ao conflito nessa época,
enviado pelo jornal O Estado de São Paulo correspondente de guerra.
O Oficina dividirá A Luta em duas partes: A Luta 1a parte, 1a,
2ª, e 3ª expedições; A Luta 2ª parte, 4ª expedição,
Nova Fase da Luta e Últimos Dias.
Fazer A Luta no atual mundo em guerra, de Bagdá às favelas
cariocas e ruas de São Paulo, é para o Oficina e para
o público a maneira de, a partir da reinterpretação,
atualização e atuação dos fatos, rever e
reparar a história com o objetivo não de repetir os massacres,
mas de massacrá-los.
Retomando o movimento de criação de Os sertões
como teatro público, que quer atingir o social para viver na
ágora, no Teatro de Estádio, nesse cinquentenário
da “vida da morte” de Oswald de Andrade que deu ao Oficina
esse sonho, vamos reencontrar o público durante os ensaios para
com ele vivermos as improvisações dos roteiros de A Luta.Para
isso, o grupo promove uma nova série de ensaios abertos como
parte do processo de montagem através de improvisos que serão
feitos com o público sobre roteiros elaborados pelo elenco do
Uzyna Uzona.
Nesses improvisos abertos e roteirizados o público será
convidado a se encontrar nos coros de exércitos, jagunços,
caatingas, bichos, jornalistas, políticos, sertanejos, guias,
madrágoras, jagunças, etc… de “A Luta”
e atuar. Inventar a cena no te-ato inspirado pela obra de Euclides.
O primeiro ensaio acontece no dia 09/10 às 18h,
com os movimentos iniciais de agremiação de batalhões
do país inteiro na mobilização das tropas da Quarta
Expedição, depois da derrota da expedição
Moreira César, a terceira, que desvairou a capital nacional e
o Brasil e com as marchas das duas colunas em que se divide essa quarta
expedição até chegarem próximas a Canudos
e iniciarem a Luta tremenda que se realizará a partir daí
por 3 meses.
No dia 22/10, cinqüentenário da morte de Oswald
de Andrade, haverá outra improvisação aberta ao
público. Oswald inspira o trabalho da Companhia há
38 anos. O Oficina tem 43 anos, dái pode inferir-se a importância
desse autor para as realizações desse teatro. A poesia
ativa, a devoração antropofágica das culturas do
mundo todo, que ecoa claramente em Os Sertões, influencia a linguagem
artística do Oficina e deu a ele o sonho do Teatro de Estádio.
“Teatros de nossa época onde há de tornar-se realidade
o teatro de amanhã como foi o teatro na Grécia, para a
emoção do povo e a vontade do povo.” (O.A.). Esse
ano, nos seus últimos três meses, queremos devotá-lo
com força à realização desse sonho, que
é a construção do Teatro de Estádio ligando-se
ao atual Oficina, a construção da Universidade Popular
de Cultura Orgiástica, da qual o Movimento Bixigão que
acontece com as crianças e adolescentes do Bixiga é a
semente, e a construção da Oficina de Florestas, mas é
também o desenvolvimento da “atuação de presença
cênica” para a qual esses encontros com o público
serão fundamentais.Na seqüência, outros improvisos
abertos seguem paralelos à montagem de “A Luta”:
02/11 – dia de todos os mortos
15/11 – 115 anos da Proclamação da República
02/12 – 102 anos da publicação de Os Sertões
23/12 – eternidade de Luiz Antonio Martinez Correa, às
14:30
Para todos os ensaios — de 09/10 a 23/12 — o preço
sugerido ao público é de 5 reais, o que significa que
o espectador-ator tem a liberdade de decidir se deve ou pode pagar mais
ou menos, sem deixar de participar do espetáculo.
Finalmente, outro movimento que se organiza é a mostra de videos
realizados pelo Oficina e outras produções audiovisuais
ligadas ao imagiário do Teatro e de “Os Sertões”,
numa tentativa inédita de se tornar público o acervo produzido
ao longo dos seus 43 anos.
Entre as sessões confirmadas no festival, estão “O
Rei da Vela” e os DVD´s de Ham-let, Bacantes, Cacilda! e
Boca de Ouro, todos inéditos e nunca exibidos ao público.
A programação completa com datas e horários será
divulgada em breve em release divulgado à imprensa.
Essas ações aliadas a outras que virão no próximo
ano foram planeadas em Assembléia feita pelo grupo em agosto,
quando foi lavrada uma ata para definir as direções estratégicas
e os trabalhos da Cia. no próximo ano de gestão.
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