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O
Teatro Oficina abre este fluxograma eletrônico em momento
que não poderia ser mais propício e menos dramático.
Tampouco poderia ser menos teatral. É a tragicomédia
vivida: depois do tombamento do Teatro, em 1982, a ameaça
de tumbamento, tumulamento.
A construção
de um shopping, no entorno do Oficina, como planeja o grupo Silvio
Santos, "embausaria" o teatro, impossibilitando a expansão
em arena aberta no terreno que há nos fundos - atualmente
estacionamento do Baú da Felicidade - ambição
da Companhia Uzyna Uzona há
vinte anos. Contradição do teatro-baú, o Teatro
Oficina tem a vocação histórica de se tornar
um teatro-rua, espaço de passagem, articulado com a paisagem
urbana. Em 1984, Lina Bo Bardi desenhou
o primeiro esboço arquitetônico deste projeto, batizado
de Ágora. Desde então, surgiram mais dois projetos:
os dos arquitetos Edson Elito e Paulo
Mendes da Rocha.
Todos eles
têm a preocupação urbanística de transformar
o Teatro num espaço de passagem, com abertura para a rua
Japurá, que termina no terreno que está aos fundos
do Oficina. A idéia é que se constitua um local de
real utilização pública, que faça parte
da paisagem urbana, não se voltando para dentro, como uma
caixa de sapatos, mas dialogando com a cidade. O projeto de Paulo
Mendes da Rocha, contempla ainda a construção de outros
prédios que auxiliariam na produção da Associação
Uzyna Uzona: um embaixo do Minhocão e outros dois na rua
paralela à Jaceguai, onde se localiza o teatro hoje.
A lei assegura
que contruções até 300 metros próximas
a um edifício tombado não podem prejudiar sua visibilidade
ou estética. No entanto, o Condephaat (Conselho de Defesa
do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico
e Turístico do Estado de São Paulo) já aprovou,
preliminarmente, a construção do shopping, com base
numa planta baixa - falta ainda a consideração do
projeto todo para decisão final. No entanto, o promotor Daniel
Fink está promovendo reuniões para que a Associação
Teatro Oficina Uzyna Uzona e o grupo Silvio Santos conciliem seus
interesses.
Impasse?
O Teatro Oficina não quer o impasse e não é
contra a construção do shopping. A contracenação
dos dois projetos é símbolo da antropofagia, do tropicalismo,
elementos sempre presentes na história do Oficina. Nas reuniões
no prédio do Baú e no Teatro, convocadas pelo promotor,
o grupo SS se propôs a construir os prédios que ficam
na frente do Teatro, mas não quis tocar no tabu que se tornou
o terreno dos fundos.
De
acordo com os acertos do último encontro, o Oficina deve
apresentar uma proposta de projeto para o shopping e teatro aberto.
Além do apoio e assinaturas de artistas como Fernanda Montenegro,
Ney Latorraca, Sergio Mamberti, Luis Melo e outros, o Oficina está
colhendo depoimentos de intelectuais, arquitetos e homens públicos
em favor do projeto Ágora.
No
sentido da construção de um espaço urbano democrático,
aberto e múltiplo; e não de fortificações
e condomínios, o manifesto
do Oficina também está disponível na internet
para que seja acessado e divulgado amplamente.

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