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Tréplica
para o Grupo Sílvio Santos
Excelentíssimo
Promotor da Procuradoria do Meio Ambiente
Dr. Roberto Carramenha
Recebemos
a cópia por Vsa. enviada da carta manifestação do Grupo Silvio Santos,
diante da proposta da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona contida
no manifesto "O Bixigão". Os autos de um processo como uma peça
de teatro, precisam quando encerram um ato, ter as posições do drama
em conflito bem recolocados para que não se perca a clareza do enredo
geral. Estamos dando aqui agora, a réplica aos ítens "técnicos"
do Dr Marcelo Terra. Mesmo que a peça conclua por uma impossiblidade
de acordo entre as partes, não podemos deixar de acreditar na possibilidade
de comunicação com o público e de dar chance que o antagonista conheça
o pensamento insano do protagonista, ou vice versa. Por isso solicitamos
a Vs. que inclua nos autos este texto e o envie para o Grupo Silvio
Santos. Apesar de longo, quando for lido, não será inútil para o
final do juizo dos atos que ainda acontecerão desta intensa tragicomédiorgya
ao vivo.
1
- A proposta que escrevi a pedido do Dr. Marcelo Terra, mais do
que uma tentativa de acordo foi uma proposta de trabalho. Partiu
da declaração que fiz na audiência do dia 17 de janeiro a esta promotoria
que somente seria possível a discussão entre as partes, quando se
levasse em conta o projeto que há 22 anos o Oficina vem concebendo
para seu entorno de imóvel tombado, afim de que o Grupo Silvio Santos
tivesse a mínima informação sobre o que, com o que, com quem, está,
esteve, discutindo sua tentativa de acordo. "Tecnicamente" uma proposta
de conciliação nasce acima de tudo do entendimento dos direitos,
projetos, desejos, das partes, e não por critérios exclusivamente
da "objetividade", da "articulacão", da "clareza" da lógica subjetiva
e delirante do "tudo por dinheiro".
2
- Não sou "patrono" de Associação nenhuma. Sou diretor do Teatro
Oficina e presidente da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona, que
zela pelos objetivos vivos que inspiraram o Tombamento deste bem
Tombado, sua manutenção e principalmente seu crescimento. Trabalhamos
com o Conselho da Associação minuciosa e criadoramente lsobre a
situação especifica que inspirou o texto, que com muito orgulho,
eu, José Celso Martinez Corrêa, diretor, ator, produtor e dramaturgo
premiado, digitei com meus próprios dedos. Como o assunto é de importância
vital para o Centro de São Paulo, esperava nem digo, o mesmo do
Diretor do grupo, mas que Silvio Santos do alto do seu pedestal,
tivesse a delicadeza e a humildade, por respeito a justiça da cidade,
de manifestar-se diante de uma proposta de trabalho, de um "Manifesto"
que tem tudo a ver com ele, feito por um artista reconhecido de
sua mesma cidade. Os entendimentos de contrários somente são possíveis
na prática do trabalho comum e o contrário de uma guerra. Sou líder
de um grupo cultural, que se manifesta apaixonada e personificadamente,
em manifestos também, como os nossos ancestrais modernistas de 22.
E muitas vezes. É nosso estilo. Cartas abertas que não se conformam
com os segredinhos do negócio quando uma causa pública está em jogo.
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