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ZÉ
CELSO GANHA ALIADOS NA LUTA PELO OFICINA
"O
ESTADO DE S. PAULO", 29/06/2000
por Beth Néspoli
O
geógrafo Milton Santos e a filósofa Marilena Chauí
são os mais novos aliados do diretor José Celso Martinez
Corrêa em sua luta pela preservação do Teatro
Oficina, ameaçado pela construção do
Shopping Bela Vista Festival Center, de propriedade do empresário
Silvio Santos.
Milton
Santos e Marilena Chauí ambos vencedores do Prêmio
Multicultural 2000 Estadão de Cultura vão participar
hoje à noite, no Teatro Oficina, de uma espécie de
conselho deliberativo que contará com a presença de
José Guilherme de Castro, representante do Conselho de Defesa
do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico
e Turístico (Condephaat). Participam ainda do debate aberto
ao público o geógrafo Aziz AbSaber, os arquitetos
Paulo Mendes da Rocha,
Edson Elito e Joaquim
Guedes, o ator Sérgio Mamberti, o diretor Hugo Possolo, o
dramaturgo Amir Labaki e a atriz Beth Coelho.
Como
hoje é dia de São Pedro, Zé Celso vai acender
uma fogueira no centro do Oficina o fogo do conselho às
19 horas. O músico José Miguel Wisnick vai interpretar,
ao piano, a canção Inverno, às 21 horas, senha
para o início do debate. "A minha casa é maloca
rasgada no futuro/ é inverno é eterno enquanto duro/
osso duro osso duro/ que ninguém há de roer",
são alguns versos da canção.
Para
Zé Celso, o confronto entre o Oficina e o shopping do dono
da rede de televisão SBT é representativo de um embate
muito mais amplo. "A luta pelo Brasil contra o Brasil mercadão".
É o espaço da criação artística
e crítica contra o espaço do consumo. Enquanto o Oficina
desenhado para ser uma passagem, uma espécie de praça
no Bixiga representa o espaço público e democrático,
o shopping reforça o apartheid econômico e social.
"É
dificil convencer um empresário que a luz, a água,
o fogo e o ar, elementos fundamentais ao Teatro Oficina, sejam mais
importantes do que a construção de um shopping".
Não há dúvida de que, se for construído
o prédio desenhado pelo arquiteto Julio Neves um centro
de compras e lazer de oito andares com direito a uma torre com vista
panorâmica - , as características arquitetônicas
do Oficina estarão desfiguradas.
A
mobilização dos intelectuais não deveria ser
o único obstáculo no caminho de Silvio Santos. Afinal,
o Oficina foi tombado pelo Patrimônio Histórico em
1982 e, pelas normas estabelecidas pelo Condephaat, nenhuma obra
pode ser feita no entorno de 300 metros de cada imóvel tombado.
No entanto, o próprio Condephaat que ressaltaou não
só a importância arquitetônica, mas artística
do Oficina no parecer de tombamento aprovou a obra de Silvio Santos
em 1997.
"O
parecer para a aprovação foi apocalíptico,
na linha se está ruim, deixa ficar pior", diz Zé
Celso. A alegação foi de que a área já
estaria degradada pelos elevados prédios construídos
no entorno. Mas nem tudo está perdido. Uma reportagem do
jornalista Alceu Luís Castilho, publicada no Estado, sobre
a disputa entre o grupo Silvio Santos e o diretor Zé Celso
chamou a atenção do Procurador de Justiça Daniel
Fink, que abriu processo para investigar o caso. "O surgimento
desses jovens procuradores, éticos e inteligentes, está
entre as mudanças positivas percebidas no País",
diz Zé Celso.
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