Ata da Assembléia Geral
Teatro Oficina Uzyna Uzona - Brasil
O Arco Íris enraizado
Os Quatro Tempos dos 4O anos de Oficina
Dia 16 de agosto, 2001

Os Quatro Tempos dos 4O anos de Oficina

1- Cia. de Teatro Oficina Ltda.

Primeiro contrato social, escrito por Modesto Carvalhosa o mesmo que hoje, está a frente da defesa dos direitos ambientais e constitucionais do entorno do Oficina ameaçado pela Broadway do Bexiga. Realismo stanislawiskiano. Celia Helena a grande diva caminhando em silencio esperando o revolucionario Nil,
-"Nil ainda não vêm?"
Energia flutuando no mundo no corpo esguio de pele morena iluminando as meias-luzes, sentido com auto penetração e explosão dos clichês da representação e expanção da energia emocional de Isaurinha Garcia, envolvendo o espaço todo,mas ainda dentro do palco, arena, ou do teatro sanduiche, fera enjaulada.

Renato Borghi, Kusnet, Fauzi Arap, Etty Frazer, Francisco Martins, Ronald Daniel, Raul Cortez, Itala Nandi, Fernando Peixoto, Miriam Meler, Claudio Marzo, Liana Duval, RosaMaria Murtinho, Mauro Mendonça, Abrão Farc, Maria Fernanda. Tereza Bastos a bela bilheteira, Garota do Bexiga, cabelos ruivos cainda de um só lado, seios fartos e belos, pousados na caixa da bilheteria com um vaso com cravos vermelhos e muitos outros .


2- Incêndio do Teatro

Abelardo I Renato Borghi: "- Fogo! Fogo! Fogo! "
O periodo Oswaldiano que libertou Oficina do quadro do palco e de sua confinação num territorio especializado chamado teatro. Oswald trouxe o teatro como arte, como poesia e como Paixão social, estabelecendo as origens pré Anchieta do Teatro Brasileiro, no ritual de antropofagia dos indios caetês no teato da devoração do Bispo Sardinha; ao mesmo tempo ligando-o ao teatro revolucionário russo ao futurismo internacional. Barbaro tecnizado. Helio Eichbauer criou os cenarios da revolução tropicalista. Rogerio Duprat e Damianao Cozzella a Musica. Maria Esther Stoklos a Dança. Flavio Imperio a Arquitetura.

Oswald trouxe riqueza incabivel nas estruras antigas do Teatro. Foi exigindo mutações de apoteose. A entrada do Coro da Origem da Tragédia de " Roda Viva"de Chico Buarque; A reinterpretação tropicalista de Brecht; A relação com a vida, pessoal, social, politica , e com as outras artes e tecnologias. Lina Bardi e Flavio Imperio trouxeram revolucões profundas no espaço cênico. Itala Nandi a primeira beleza, o primeiro nu inocente. A luta armada e o desbunde: a criação coletiva,

"Gracias Señor"
A revolução
O voltar a querer,
o silêncio,
a alucinação e o teatro sagrado
"As Tres Irmãs"
que espatifou o primeiro cordão dourado do Oficina.
O sufoco da ditadura miltar, a reação á 68 em todo mundo,
voltava a limitar o teatro ao quadro italiano,.
ao mesmo tempo exigia do teatro revoluções imensas,
continuar o discurso do movimento que apaixounou o fim dos 6O.

Nestes dois primeiros periodos Renato Borghi foi o ator que concentrou o movimento de nossa geração e das anteriores: Madame Morineau, Kusnet mas não bateu na época (agora 2001 não, bate) com a geração dos Coros que fundaram os periodos futuros do Oficina: Luis Fernando Guimarães, Samuka, Henricão, Silvinha Werneck... Luis Antonio Martinez Correa e Analu Prestes, estrearam o grupo Pão e Circo nos porões do Teatro subindo depois ao espaço principalpara consegração internacional.


3 - "O Oficina-Samba"

Comunidade no Teatro Oficinacom o jornal "O Bondinho" e o "Ex" imprensa nanica, Inspiração de Hamilton de Almeida que fez jornal até na Tiradentes, quando presos na invasão policial ao Oficina dia 21 de abril de 1974. O período de exílio, com o contacto com a revolução portuguesa,moçambicana, o cinema com Celso Lucas,"25" e "O Parto" e o teato na revolucão portuguesa, com a democracia direta dos Conselhos Revolucionários. O Movimento teve continuidade com o retorno ao Brasil na abertura devagar. Toda uma fase rica de experiências revolucionárias com a reocupação do Teatro. Nos quatro anos de exílio o treatro foi dirigido por Luis Antonio Martinez Corrêa e Tereza Bastos. Lá nasceu do Onotorindo de Caca Rosset e Maria Alice Vergueiro esta muito ativa em toda a fase do exílio e a viagem do grupo para Portugal.

Oficina Quinto Tempo

O início da realização do projeto atual de transformação do espaço, com a ocupação e desmotagem do Teatro de arquibancadas e de palco, por este movimento do "Coro do Ensaio Geral do Carnaval do Povo", do "Forró do Avanço "de Edgard Ferreira , Sandy Celeste e Surubim, pintor e cirandeiro. A engenharia do Uzyna Uzona, criada pela Poeta Caterine Hisch. A criação do Arquiivo do Oficina Vinte Anos por Anelena du Staal,
Hoje em Campinas no aquivo de Lutas Sociais, Edagard Levenheuth.

O Movimento do Video e Cinema com Noilton Nunes, Edson Elito futuro arquiteto com Lina do Oficina terrerio, Tadeu Jungle, e Walter da Silveira.
A Macumbeira Flora.
A Cozinheira Zuria com a Cantina Cabaret que estará dia 16 presente na festa com sua graandeza de Papisa Popular:Fofoqueira Sagrada!
O inicio da Epopéia com Silvio Santos que queria comprar o Teatro, e a luta pública que impediu que isto acontecesse com apoio dos artistas da música, do teatro, do cinema e do publico.

Periodo de grande consciência do espaço do Bairro, da descoberta que dia16 é dia de Omulú, que o Oficina tinha Caveira de Burro de Libertas, escrava liberta e presenteada por seu amante feitor com os títulos de propriedade de Chácara onde é o bairro Bela Vista até a Avenida Paulista. Por ter suas terras griladas, tendo de confinar povo do seu quilombo nos cortiços, como Medeia castigou o lugar com a febre amarela, do deus da Variola, que graçou no Bairro, e batizou-lhe: Bexiga.

Omulú exige que se construa terreiros para o seu culto de cura.
Descobrimos a maravilha proustiana do candomblé como diz Celso Furtado, foi mais facil entender a cultura grega e seu teatro, principalmente as Bacantes, rito de origem do teatro e a opera brasileira elektocandomblaica que começamos estudar já neste periodo. O Teatro Foi Tombado com o projeto de Teatro rua, terreiro eletronico, "Catacumba dando para o Bau da Felicidade" , como Lina Bardi definia seu projeto, exigiu que colocassemos na testa do teatro a Bigorna de Ogum, os ferros do terreiro.

Oficina é um terreiro de teat(r)o da idade do Ferro, para Omulu, da idade anterior, como reconhecimento de Nana Buruku, de Oxum de todos orixás de antes do Ferro e das divindades tupis e tupinambás, os Jaceguai, nome da rua = os come cabeças, lugar sagrado destinado aos cultos de Dionisos. O término do Filme o "Rei da Vela", por Noilton Nunes e por mim. As lutas para a Desapropriação do Teatro, presentes no Vídeo premiado até hoje não exibido, dormindo nas pratileiras das TV Cultura: "Caderneta de Campo".
O início clandestino das obras do Oficina, até a entrada em cena de Celso Furtado no Ministério da Cutura que investiu na erecção das colunas das estruras, espinha dorsal ainda que transitoria, do projeto Lina Bardi já com Edson Elito.

Toda esta fase é de teatos, construção de maquetes das futurtas encenações dos anos 9O. Não ha pratica de teatro explicito, mas tudo se consegue com o teato na vida pessoal e pública. A Chegada de Denise Assunção, Pascoal da Conceição, Luciana Dommschke, anunciando o próximo período com a leitura encenada de "O Homem e o Cavalo" com mais de 15O pessoas, no Teatro Sergio Cardoso.


4- Marcelo Drummond em 1986

coincidindo com o erguer das colunas do Oficina chegou de Dionisos, para dar o início aos ensaios de Bacantes, interompido com o assassinato de Luis Antonio, e abrir o processo de aglutinação de elenco de sua geração para a para a retomado da prática teatral. Período difícil por haver uma condenação do Oficina à morte, no seu chamado período de ouro e uma recusa de perceber que havia um movimento intenso de um segundo nascimento público do teatro, muito bem percebido no belissimo no livro de Mauro Meichas "Uma Pulsão especular" .

Somente o aval de Raul Cortez quando veio fazer "As Boas" e a gestão de Marilena Chaui abriram as portas para o Oficina existir a luz do sol. O novo período de ouro, percebido pelas novas gerações mas recusado pelos antigos, retomava a prática progressiva do Oficina, com Ham-let, Marcelo Drummond, Alleyona Cavalli, Alexandre Borges, Julia Lemmertz, Pascoal da Conceicão e Denise Assunção, Nelson de Sá, Hector Othon e muitos outros. Numa perspectiva histórica e crítica mais contemporânea vai se perceber os periodos 1, 2 e 3 como precursores do que se realizaria no Oficina como a Ópera de Carvaval, a Tragicomediorgya, o Tea-to , a Música, o Teatro de Estádio, o teatro de Zé Celso o período mais fertil e original de criação como diretor, ator, dramaturgo e artista.

O Festival de Teatro Oficina patrocinado pela Petrobras, por si revela e vai revelar virtualmente a valorização de " Boca de Ouro", Marcelo Drummond, Fernando Coimbra, Silvia Prado, Camila Mota, emergindo a protagonização contracenando com as Granfas, Jacqueline Dallabona, Gisela Marques, Sandra Tenorio, Raquel Gomes, Adão Filho, Ary Porto. Oficina virado vaso, bacia de Gafieira no cenario chão, vermelho, boca, da arquiteta Cristina Cortillo; com "Cacilda!'" Bete Coelho, Giulias Gam, Leonas Cavalli, Iara Janra, Ligia Cortez, Mika Lins, Lucienne Adami. Ainda, Flavio Rocha, Fransergio Araujo...

Na escultura cênica de Laura Vinci que já viu o teatro esvasiado das estruturas para "Os Sertões" no ano que vem, onde poderá ser suspensa a pedra do Anjo no espaço esvaziado. Ainda este ano, "Bacantes" e "Ham-let" filmados com público presente, ao vivo, por Tadeu Jungle, Dib Luft, transmitidos na Internet e lançamento do 1º DVD do Festival Teatro Oficina: Boca de Ouro. O ano que vem continua no primeiro semestre com "Pra dar um Fim ao Juizo de Deus", " Taniko", "Ela" e "As Boas". Depois do Ciclo dos quarenta a vida recomeça em "Os Sertões" de Euclides da Cunha, agora em fase de Oficinas, Estudos e ensaios abertos.

Teatro Oficina Uzyna Uzona

 

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