Chuva decepciona público, organização e comerciantes
22/09/2006 - 17h02

Otavio Maia
Enviado a Belo Horizonte


A chuva não decepcionou apenas os torcedores na Expominas, Belo Horizonte, onde se realiza o confronto de Brasil x Suécia pela repescagem da Copa Davis. A insatisfação tomou conta da organização, da imprensa e certamente dos jogadores. Quem também perdeu, ou deixou de ganhar, foram os vendedores da feira de produtos de cultura mineira e tênis, organizada como complemento ao evento principal, os jogos.

Antes de alcançar a arena, o torcedor é obrigado a passar por um longo corredor, localizado no prédio da Expominas. Lá estão lado a lado os estandes. No começo, peças de artesanato, amostras grátis do café mineiro, quitutes típicos, entre outros. Mais à frente, o passante pode conferir as camisetas chamativas, sempre em verde e amarelo, da grife de Gustavo Kuerten, ou então comprar raquetes e material esportivo em lojas especializadas ou ainda visitar o museu do tênis e as clássicas raquetes de madeira.

Brenda Costa é a vendedora do primeiro estande da feira. A moça de altura média, cabelos encaracolados, fala mansa e sotaque carregado não esconde a decepção. O anúncio do cancelamento da rodada por chuva espantou os clientes. "Hoje tinha muito menos do que a gente esperava. De manhã estava um pouco melhor, mas o pessoal só olhava, nada de comprar. De repente todo mundo foi embora de uma vez", disse ela, da OUI Presentes.

Pouco à frente está Carlos Eduardo Boquady. Bem articulado e desinibido, comanda um estande especializado em jóias e gemas. Apesar de reconhecer o movimento abaixo do esperado, explica que não há prejuízo. "A maioria dos estandes foi cedida pelo Sebrae, então a gente não chega a sair perdendo, mas para o sábado pretendemos ter mais visitação", disse ele.

Nem todo mundo, é verdade, saiu perdendo. Pelo menos na parte da manhã, uma tenda em especial teve grande movimentação. O mau tempo não cooperava com os jogos, o frio persistia e as pessoas preferiram ficar na parte interna do Expominas e aproveitar para se aquecer tomando o café mineiro. Belas moças vestidas de branco se revezavam no atendimento e serviam as amostras grátis. "Chegou a ter quase 200 pessoas aqui pela manhã, mas depois das 14h00 foi todo mundo embora", contou uma das moças.

O desapontamento chegou dobrado para os que vieram de longe. Felipe Dias, 20, por exemplo, viajou de Divinópolis, no mesmo Estado, até Belo Horizonte. O objetivo: fazer o curso de capacitação para treinadores, outro evento paralelo, e assistir às três primeiras partidas. Com a previsão de chuva para sábado, sabe que pode voltar sem ver de perto sequer um ponto. Ele lamenta e faz votos que o tempo melhore. Como todos os outros.