Tênis brasileiro amarga quarto ano na segunda divisão
25/09/2006 - 12h53

Suely Kawana

Depois de viver todo o auge da carreira de Gustavo Kuerten e figurar entre as maiores potências do tênis internacional por sete temporadas consecutivas, o Brasil caiu para a segunda divisão em 2003 e desde então não conseguiu mais se recuperar. A derrota nesta segunda-feira para a Suécia forçou a permanência no zonal americano pelo quarto ano seguido.

O Grupo Mundial da Copa Davis foi criado em 1981 como uma forma de diminuir as intermináveis rodadas eliminatórias do sistema anterior. Passou a ter somente 16 países e instituiu o critério de acesso e descenso. O Brasil entrou na elite naquele primeiro ano, mas saiu rapidamente e só retornou em 1988. Aí viveu uma grande fase, com Luiz Mattar, Jaime Oncins e Cássio Motta, chegando a disputar a semifinal de 1992. Caiu em 93 e esperou até o surgimento de Gustavo Kuerten para voltar à elite em 97, vivendo então um período de vitórias espetaculares, dentro e fora de casa, sobre potências como Austrália, França e Espanha, e atingindo novamente a semifinal de 2000.

A mais recente queda aconteceu em 2003, quando o Brasil foi obrigado a ir até o veloz tapete da Suécia e, mesmo com dois grandes participações de Guga, caiu na quinta partida. Viajou então para o também rapidíssimo piso do Canadá e acabou rebaixado em outro quinto jogo. O confronto marcou o recorde de 47 aces de Gustavo Kuerten, que permanece a maior marca da Copa Davis.

O calvário brasileiro aumentou na temporada seguinte, quando Guga liderou o boicote à Confederação e o time ficou sem os principais tenistas da época. Acabou rebaixado para terceira divisão, de onde só saiu em 2005 já com a volta dos melhores classificados. Adversários pouco tradicionais permitiram a ascensão ao zonal 1, onde neste ano o Brasil ganhou de Equador e Peru fora de casa.

Este foi o 136º duelo que o Brasil disputou na história da Copa Davis, onde estreou em 1932. Soma agora 77 vitórias e 59 derrotas. Nos tempos em que o torneio era um duelo para saber quem enfrentaria o campeão do ano anterior (a chamada "challenge round"), chegamos duas outras vezes à semifinal, em 66 e 71, com Thomaz Koch e Edison Mandarino.