Ranking confirma má fase do tênis feminino dos EUA
24/08/2006 às 15h43

New Haven (Estados Unidos) - De Chris Evert a Martina Navratilova, de Monica Seles, Lindsay Davenport e as irmãs Williams, os Estados Unidos dominaram o circuito feminino de tênis por mais de 30 anos. Mas agora os tempos são outros.

Pela primeira vez desde a utilização dos rankings computadorizados em 1975, os EUA não têm uma jogadora no top 10. No ranking desta segunda-feira, Davenport caiu para a 11ª posição na lista de entradas e acabou com décadas da tradição norte-americana de ter sempre uma representante entre as 10 melhores tenistas.

Para se ter uma idéia do domínio dos EUA no circuito até então, apenas 15 mulheres foram número 1 do mundo nestes 31 anos e oito delas eram norte-americanas. Agora a América vê Monica Seles e Jennifer Capriati para todos os efeitos aposentadas, Davenport em seus últimos anos de circuito e as irmãs Williams indo de contusão a contusão.

"Eu honestamente não sei qual é a resposta. Acho que Serena, Venus e eu fizemos um bom trabalho ficando no topo na última década. Mas infelizmente não apareceram mais estrelas norte-americanas para ajudar com o fardo ainda", afirmou Davenport, a última líder do ranking que os Estados Unidos produziram.

Na lista desta segunda-feira, havia nada menos que quatro russas no top 10. Elena Dementieva, quinta do ranking, disse que a pressão de se igualar às grandes estrelas pode ser um dos problemas no tênis norte-americano. "Acho que para as jovens tenistas é muito difícil porque elas têm muitos ídolos", opinou a russa. "É tão difícil jogar no nível dos superjogadores como Andre Agassi e Lindsay Davenport e perceber que você não é tão perfeito quanto eles", acrescentou.

"É estranho porque quando jogo aqui nos EUA eu vejo muitos clubes de tênis e academias, é impressionante como são profissionais aqui. Na Rússia, os jovens contam apenas com o apoio dos pais", contou a tenista.

Para o ex-número 1 do mundo Andy Roddick, o público norte-americano está mal acostumado. "Percebo que as pessoas estão assim porque nós temos sido mimados da melhor forma possível, com campeão após campeão. Mas houve também uma espécie de fase de transição entre 1986 e 1988. As pessoas precisam entender que esses momentos vêm em ondas", analisou o campeão do Masters Series de Cincinnati.