Saretta supera guerra psicológica e vai à final no Paraguai
17/11/2006 às 23h34
Assunção (Paraguai) - Flávio Saretta venceu mais uma batalha física, mental e técnica e está a um triunfo de fechar o ano como começou: comemorando título. Nesta sexta-feira, o paulista se classificou para a final da etapa de Assunção da Copa Petrobras ao derrotar o polêmico austríaco Daniel Koellerer por 6/3, 6/7 (6/8), 3/1 e desistência. O europeu sofreu uma queda ao tentar um voleio, sentiu-se enjoado e abandonou o jogo chorando.
Tanto Saretta quanto Koellerer haviam jogado maratonas no dia anterior. O brasileiro precisou de 3h02min para derrotar Ricardo Mello, ao passo que o rival ficou 4h34min em ação antes de eliminar o cabeca-de-chave 1 Martin Vassalo Arguello. E nesta sexta, a batalha também foi longa. No momento do abandono, o relógio cravava 3 horas de jogo.
Como se esperava, a partida foi cheia de provocações e ironias. O europeu é conhecido pelo mau comportamento em quadra e neste ano ficou seis meses suspenso pela ATP por ofender Nicolas Almagro em Acapulco. O tenista de Americana tentou se manter tranquilo, mas em alguns momentos entrou na guerra psicológica do adversário.
"É complicado jogar contra ele. Toda hora vai reclamar com o árbitro, com a torcida. Não deixa o jogo rolar", disse Saretta, que no segundo game já resmungava da demora do rival em repor a bola em jogo. "Não se pode entrar no jogo dele de jeito nenhum, é o tipo de partida que ele gosta."
No quarto game do segundo set, o paulista se irritou ainda mais com a demora quando Koellerer se recusou a sacar por causa da presença de uma mariposa na quadra. "Isso não pode ser sério", chiou o brasileiro. A resposta veio rápida. O austríaco olhou para o juiz e disparou: "Estou assustado, não temos isso na Europa."
Outro momento curioso foi quando "Crazy Dany", como é conhecido no circuito, erro um saque e não gostou da marcação do árbitro. Saretta, já saturado com a quebra de ritmo, marcou a bola fora desenhando um círculo exagerado no saibro com a raquete. No ponto seguinte, o adversário fechou o game com boa deixada e imitou o gesto, mas no meio da quadra, para ironizar o brasileiro. Em ambas as ocasiões o público caiu na risada.
"Quando aconteceu isso, eu virei de costas e fui sentar. Nem olhei para não ficar com raiva, só ouvi as pessoas rindo", disse o ex número 44 do mundo. "Às vezes você acaba entrando nessa. Uma hora ele me deu uma curta no smash quando eu estava fora da quadra, depois eu fiz o mesmo para descontar, é difícil um jogo assim."
Saretta sabe que cuidar do físico para a decisão será um desafio. "Hoje já acordei meio cansado, vai ser complicado. Mas uma final é sempre uma adrenalina a mais. Teria sido melhor se tivesse ganhado em dois sets", lembrou o jogador, que sacou em 6/4 no tiebreak da segunda parcial antes de ver Koellerer virar para 8/6.
Neste sábado, a partir de 19 horas (de Brasília) o atleta de Americana vai enfrentar Guillermo Cañas, que derrotou Carlos Berlocq por 6/2 e 6/4. Saretta pode impedir o domínio total da Argentina na Copa, já que o país vizinho conquistou as quatro etapas anteriores e pode comemorar outra vez com Cañas.
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