Cachês ameaçam o tênis, alerta diretor de Queen´s
09/12/2006 às 16h42

Londres (GBR) - O diretor do torneio do Queen´s Club, Ian Wight, fez um alerta a seus pares durante o jantar anual dos cronistas esportivos especializados em tênis, realizado na quarta-feira em Londres: "As taxas de participação dos jogadores estão atingindo níveis inacreditáveis. Senhoras e senhores, estamos matando o nosso esporte."

Wight sabe profundamente do que falta, já que vem sendo bem sucedido em conseguir que astros participem do "Stella Artois Championship", o tradicional torneio londrino. "Nós todos somos culpados por colocar o interesse próprio acima do futuro comercial do tênis. O cachê alcançou níveis difíceis de se acreditar." Wight reconhece que ele é tão culpado quanto os outros. Se torneio já garantiu, por exemplo, a presença do espanhol Rafael Nadal por dois anos. Mas ele adverte que os cachês elevados, a longo prazo, ameaçam a saúde do esporte. "É uma loucura que um jogador possa receber o triplo do que ganharia se fosse o campeão, apenas por participar."

O presidente executivo da ATP, Etienne de Villiers, que estava presente ao jantar, comentou o assunto, mas acha que Wight está se preocupando demais. "Temos acompanhado as garantias, de uma forma geral, e elas são, normalmente, em torno de 25% a 30%", afirma. "É impossível parar esta prática, assim como não se pode impedir as pessoas de abrir a geladeira para ver o que tem dentro. Estamos introduzindo medidas que esperamos nos permitam compreender a prática melhor." O dirigente da ATP reconhece, porém, a necessidade de se gerenciar melhor os torneios para melhorar os incentivos e o comprometimento dos jogadores. Fazendo isso, vamos trazer a situação de volta a um certo equilibrio. Enfatizo, porém, que isso não é uma enorme crise."