Stosur relembra doença e fica feliz por recolocar Austrália em destaque
03/06/2009 às 14h13

Elói Silveira
Especial de Paris

Com uma bonita história de recuperação após séria doença entre 2007 e 2008, Samantha Stosur vai finalmente encontrando posição de destaque no tênis feminino graças à inesperada semifinal de Roland Garros. A tenista de 24 anos também se torna responsável pela volta de seu país a um cenário de destaque em um Grand Slam no saibro, algo poucas vezes visto na história.

Com o triunfo desta quarta-feira para cima de Sorana Cirstea, Stosur colocou a Austrália na primeira semifinal de Grand Slam desde 2000, quando Jelena Dokic fez campanha similar em Wimbledon. Em Roland Garros, o feito é ainda mais impressionante: a última a chegar tão longe havia sido Nicole Provis, em 1988. Se avançar, terá chance de igualar a lendária Margaret Court, campeã em 1973.

Nem mesmo entre os homens as chances australianas no saibro são elevadas. Rod Laver, há 40 anos, foi o último a brilhar em Paris. Mas para alcançar tal fase, ela precisou superar um problema complicado. Ao contrair a rara doença de Lyme em meados de 2007, Stosur precisou deixar o tênis, passou meses de cama e só após longo tratamento conseguiu recuperar a força e retornar ao circuito.

Em sua "segunda carreira", também mudou de estilo. Ainda tentou se manter como uma das melhores duplistas do mundo (foi número 1 em 2006), mas tomou uma importante decisão de se dedicar às simples. Com ajustes e nova técnica, mostrou sua nova "cara" em 2009, com vitória sobre Serena Williams em Sydney e quartas-de-final em Miami. O salto decisivo, porém, veio agora no Grand Slam francês, em piso em que havia vencido apenas uma partida em quatro disputadas.

Nesta quarta, Stosur extravasou sua alegria ao garantir sua maior campanha e falou com orgulho da fase difícil em que esteve doente. "É verdade que tive momentos duros nos dois últimos anos. Aqui, em 2008, foi exatamente quando decidi voltar e hoje vejo como melhorei desde aquela participação. Mas tudo era diferente naquela época, porque eu tomava muito cuidado e não sabia ainda se poderia voltar ao meu melhor nível", lembrou.

"E nunca pensei em chegar tão longe em um Grand Slam. Eu não pensava nem no tênis, para ser honesta. Tudo que queria era recuperar de vez minha saúde e me dizia : 'Você jogará de novo'. Minha família nessas horas foi incrível, meus amigos me apoiaram, foram momentos difíceis, mas felizmente tive um grande apoio. E agora isso faz parte do passado, quero esquecer e focar de novo na carreira", contou.

Sobre a outra fase, a de jogadora de simples, Stosur também se mostrou satisfeita e certa de que agora será vista como "especialista" de simples. "Eu havia pensado em continuar nas duplas. No ano passado tive bastante sucesso na volta. Gosto muito, mas este ano decidi que as simples seriam prioridade. Tive de mudar umas duas, três coisas no meu estilo, mas agora vejo que o trabalho está dando resultado", comentou.

Só para se ter uma ideia da força da tenista nas duplas, ela tem em seu currículo 22 títulos, sendo dois em Grand Slam (US Open e Roland Garros) e outros dois em duplas mistas (Wimbledon e Aberto da Austrália). Em simples, ganhou apenas torneios ITF (comparáveis aos challengers do masculino) e chegou a quatro finais torneio menores. O que explica tamanha felicidade pelo momento atual.

"Estou feliz, cansada, mas bastante animada. É uma mistura grande de sensações. Estou feliz também pelo meu pais, me contaram que as pessoas estão contentes e que estão torcendo por mim. Isso me deixa muito, muito feliz", encerrou Stosur.
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