"Fazer uma final de Roland Garros é muito especial", diz o incrédulo Melo
03/06/2009 às 16h39

Elói Silveira
Especial de Paris

Os cerca de 15 minutos entre a vitória e a conversa com a imprensa não foram suficientes para que Marcelo Melo compreendesse a dimensão do feito que acabara de conseguir. Ainda de uniforme, ele não escondeu a felicidade por ter chegado à final de duplas mistas de Roland Garros e por ter a possibilidade de escrever seu nome na galeria de campeões do Grand Slam parisiense.

Ao lado de Vania King, Melo derrotou a forte dupla formada por Max Mirnyi e Nadia Petrova, cabeças-de-chave número 4, em um apertado match-tiebreak. "Não estou acreditando até agora. Quando o cara errou a última bola, a sensação foi impressionante. Já tinha jogado outros torneios, Aberto da Austrália, feito quartas, mas fazer final de Roland Garros é especial. Eu estava muito nervoso neste jogo", reconheceu, já prevendo mais "problemas" para a final desta quinta-feira.

"Amanhã vamos entrar na quadra principal, vai ser um momento muito legal. Pode ser dupla mista, qeu seja. Mas todos os top 10 estão jogando e sou eu que estou na final. Vai ser uma história importante para mim. Hoje tinha bastante brasileiro torcendo, felizes por ver alguém representando bem o país. Quero continuar a me divetir e vamos tentar ganhar, claro", completou.

Eliminado na primeira rodada de duplas ao lado de André Sá, Melo encontrou na duplas mistas a salvação para a campanha em Paris. E assim como outros tantos casos curiosos, ele por pouco não jogar, já que sua parceria "tradicional", a francesa Alizé Cornet, resolveu não tentar a sorte como na Austrália. "Acabei assinando com a Vania faltando 10 minutos para o limite das inscrições. Eu já a conhecia de Memphis", contou, relatando em seguindo como aconteceu o entrosamento.

"A gente está jogando bem porque ela tem segurado legal do fundo e no voleio também. Eu estou solto, cruzando todas as bolas e está dando certo. A comunicação é mais para saber onde vai devolver, mas o que está bom, está bom. Se cruzou, cruzou, é mais ou menos isso. Pegamos o entrosamento na hora, no aquecimento. Mas o importante é estar descontraído", explicou Melo.

Ainda sobre King, Melo brincou com a grande diferença de 38 centímetros entre eles (ele tem 2,03 m e ela 1,65 m). "Vi muita gente comentando sobre o fato de eu ser grande e ela pequena. Mas para muita gente que fica do meu lado já é complicado também", disse, rindo.

Com a descontração e o jogo afiado, os dois caminharam até a semifinal sem perder sets e conseguiram se manter firme na dura decisão desta quinta. Melo elogiou a atuação da parceira no momento crucial. "No 8/7 do match-tiebreak eu arrisquei cruzar e ela (Petrova) errou na fita. Mas a Vania sacou bem nesses dois pontos, no 9/7 foi em cima do Mirnyi e ela segurou bem a pressão".

Na decisão, os dois terão pela frente os norte-americanos Bob Bryan e Liezel Huber, os cabeças-de-chave número 1 e fortes individualmente. Nada, porém, que assuste o "gigante" mineiro. "Agora qualquer um pode ganhar. O jogo de hoje já achei que a gente tinha menos chance, porque o Max saca a 200 km/h e ela acima da média do feminino. A Huber não saca tanto, mas é número 1 e vai ser duro".
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