Federer pega Del Potro para ficar perto do único Grand Slam que não tem
04/06/2009 às 18h30
Elói Silveira
Especial de Paris
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| Federer disputa 20ª semi consecutiva de Slam |
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Mais do que ter derrotado Gael Monfils, na partida de quartas-de-final de Roland Garros Roger Federer saiu satisfeito por ter conseguido controlar o nervosismo e a pressão que está em seus ombros. Favorito disparado ao título após as quedas de Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray, ele terá nesta sexta-feira outro grande desafio, contra o quinto do ranking Juan Martin del Potro, e precisa vencer para ficar perto de mais uma grande glória.
Apesar da pequena diferença no ranking, o que destoa entre ele e o argentino é o currículo. Federer disputa nada menos que sua 20ª semifinal consecutiva de Grand Slam, enquanto Del Potro apenas estreia. Em Roland Garros, o suíço está em pela quinta vez seguida nesta fase e soma apenas uma derrota, em 2005, para Nadal. Nos últimos três, foi sempre à decisão, mas perdeu a chance de conquistar o título.
Com caminho teoricamente livre, Federer tem chance de enfim levantar a 14ª taça de Grand Slam e de igualar o recorde estabelecido por Pete Sampras em 2002, no US Open. Mais do que isso, pode se tornar apenas o sexto tenista da história a vencer todos os quatro principais torneios do circuito. E pode seguir os passos de Andre Agassi, último a conseguir. O norte-americano conquistou Roland Garros, o derradeiro da lista, em sua 11ª participação, tendo somando antes 31 vitórias. Federer tem 32 agora e chega ao mesmo número de campanhas.
Mas para sonhar com estas marcas, ele terá de passar obrigatoriamente por outra importante: a de maior número de finais de Grand Slam. Com 18 por enquanto, ele pode igualar Ivan Lendl nesta sexta-feira.
Exatamente por todas essas buscas - e pelas recentes derrotas em finais, como na Austrália, em que chorou após cair novamente em cinco sets diante do espanhol -, Federer vem recebendo incrível apoio do público e até dos jogadores. Ele mesmo admitiu ter se impressionado com a receptividade dos franceses, que o teriam "adotado" nos últimos anos.
Dos jogadores, ouviu diversos "Agora é sua chance" e até do próprio Del Potro receberá apoio caso vença o duelo desta sexta. Para encerrar seus pontos favoráveis no duelo, nada como um retrospecto de cinco vitórias contra o argentino, sem nunca perder um set. Neste ano, jogaram duas vezes e Federer marcou um duplo 6/0 na Austrália e outro triunfo tranquilo na semifinal de Madri.
Del Potro, por sua vez, pode usar exatamente a pouca experiência e a sensação de quem não tem nada a perder para passar a pressão para o outro lado. Aos 20 anos, disputa sua primeira grande partida, após ter chegado a duas semifinais de Masters 1000 neste ano. Se vencer, além de frustrar a torcida, vai se tornar o quinto tenista de seu país a chegar a uma final em Paris, repetindo Guillermo Vilas, Guillermo Coria, Gastón Gaudio e Mariano Puerta.
Além disso, vem em ótima forma no torneio, tendo perdido apenas um set - contra Jo-Wilfried Tsonga, nas oitavas - e jogado um pouco menos que Federer: 10h44 contra 12h11 do suíço.
Antes mesmo de conhecer o destino dos dois, o torcedor saberá quem será o primeiro finalista no duelo entre Fernando González e Robin Soderling, marcado para as 14h, na quadra Philippe Chatrier. O chileno entra como favorito por ter também mais experiência e por já ter disputado uma final de Grand Slam (Aberto da Austrália de 2007). Ele é ainda o tenista que menos jogou até agora entre os semifinalistas, com 8h33 e também só soma um set perdido - contra Murray, nas quartas.
Já com a garantia de voltar ao top 10, González tenta se espelhar na campanha de 1998, quando brilhou em Paris ao conquistar o título juvenil. Ele ainda tenta levar o Chile à sexta final de Grand Slam, para justificar o título de "Esportista do Ano" ganho em 2008, após a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim. Em 2009, ainda fez boas campanhas no saibro, com o título em Viña del Mar e semi em Barcelona.
Do outro lado da quadra, ele terá o imprevisível Soderling. Longe da lista de favoritos, o sueco entrou confiante após boa campanha na Copa das Nações, em que venceu seus três jogos de simples, um deles com direito a 6/0 e 6/0 para cima de Rainer Schuettler. Depois de passar por David Fererer, encarou nas oitavas-de-final o tetracampeão Nadal e conseguiu o maior feito da carreira ao vencer por 3 sets a 1 e registrar o primeiro revés do espanhol na competição.
Mostrando que aquela vitória não havia vindo por acaso, seguiu em forma e atropelou Nikolay Davydenko nas quartas. Após receber elogios de Federer e de outros rivais, ele espera agora aproveitar novamente a condição de zebra para chegar à primeira final de Grand Slam. Soderling, que vem sendo treinado por Magnus Norman, finalista de 2000 e ex-número 2, nunca havia vencido oito jogos seguidos e nunca sequer havia estado nas quartas-de-final em outro torneio deste porte.
Além de Norman, ele tenta igualar outros grandes suecos finalistas de Roland Garros, como Bjorn Borg, Stefan Edberg, Mats Wilander, Mikael Pernforns e Svend Davidson. De Borg, aliás, recebeu uma mensagem de apoio e foi até citado pela imprensa como seu "enviado especial" para impedir que Nadal quebrasse sua marca de quatro títulos seguidos.
Em termos de ranking, as semifinais devem mudar apenas a situação de González e Soderling. O chileno pulará para o número 9 se for à final e ao número 6 se for campeão. Já o sueco passa ao 12º posto com a vitória nesta sexta e entra no top 10 com o título. Por outro lado, ganhando ou perdendo, Federer e Del Potro seguirão em segundo e quinto lugares, respectivamente.