Soderling ganha batalha épica contra González a aguarda Federer na final
05/06/2009 às 11h49
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| Em jogo tenso, sueco soube manter a cabeça no lugar |
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Paris (França) - O sueco Robin Soderling aprontou mais uma surpresa, conseguiu o que parecia improvável e chegou pela primeira vez à decisão de um evento de Grand Slam. Nesta sexta-feira, o cabeça-de-chave 23 superou batalha épica contra o chileno Fernando González, por 3 sets a 2, parciais de 6/3, 7/5, 5/7, 4/6 e 6/4, em maratona de 3h28, e agora aguarda pelo suíço Roger Federer ou o argentino Juan Martin Del Potro na final em Roland Garros. O retrospecto entre Soderling e González agora está igualado por 4 a 4.
Desde que passou a treinar com o compatriota Magnus Norman, Soderling reencontrou seu melhor jogo e passou a ter outra atitude dentro de quadra. Antes considerado um tenista problemático e de mente fraca, ele agora demonstra postura sóbria e decidida, além de adotar boas estratégias, dependendo do oponente que terá em seu caminho. Ele, que no momento é o 25º melhor do mundo, já garante a 12ª posição - a melhor da carreira - e pode ser o nono da ATP se levar a melhor no domingo.
Curiosamente, o último sueco a avançar à decisão em Paris foi justamente Norman. Em 2000, ele perdeu para Gustavo Kuerten, em dura batalha de quatro sets, que rendeu ao brasileiro sua segunda taça no charmoso evento francês. Guga ainda venceria mais uma vez, no ano seguinte. Norman e o catarinense se aposentaram com o mesmo problema - uma contusão crônica nos quadris. Desde Mats Wilander, campeão em 1988, a Suécia não leva o troféu do Grand Slam disputado no saibro.
Soderling faz campanha irrepreensível na capital francesa. No melhor momento da carreira, obteve sua vitória mais emblemática da carreira ao despachar o tetracampeão Rafael Nadal ainda na fase de oitavas-de-final. O espanhol, que neste ano quebrou o recorde de partidas invictas em Roland Garros, perdeu uma série de 31 partidas sem nunca ter sido derrotado no saibro parisiense. Motivado, o sueco atropelou o russo Nikolay Davydenko nas quartas antes de encarar o chileno.
González ao menos confirma o bom momento na terra batida nesta temporada. Ele ergueu seu quarto troféu jogando em casa, em Viña Del Mar, em fevereiro. Depois, foi semifinalista no forte ATP 500 de Barcelona e parou na penúltima rodada no Masters 1000 de Roma, derrotado pelo espanhol Rafael Nadal. Em Paris, passou por Jiri Vanek, Rui Machado, Josselin Ouanna, Victor Hanescu e Andy Murray. Com o desempenho, ele volta ao top 10.
O jogoA partida começou bastante equilibrada e, como esperado, com os dois arriscando bastante os golpes de direita, sempre buscando as linhas. González, mais intenso, obteve a primeira quebra da partida, logo no terceiro game. Porém, ele perdeu um pouco o foco e levou a virada do rival de Tibro, que se recuperou na sequência e derrubou o saque do chileno no sexto game para sair na frente.
O segundo set começou da mesma forma, mas desta vez os dois foram mais regulares. Extremamente concentrado, Soderling conseguiu abrir 2 a 0 ao quebrar González no 11º game e depois confirmar com relativa tranquilidade. O troco veio na mesma moeda, com o sul-americano colocando pressão sobre o europeu e diminuindo a desvantagem. O jogo ganhou em emoção e com a torcida lotando a quadra Philippe Chatrier empolgada com a atitude mais vibrante do tenista de 28 anos.

A partir de então o sueco sentiu o momento e a maior experiência do jogador de Santiago fez a diferença. "Voando baixo" na quadra, González encurralou o oponente com seus potentes forehands e manteve o equilíbrio para empatar a partida e levar para a parcial decisiva. Embalado, ele abriu 4/1 de frente, porém, com muita frieza, Soderling não se entregou e reverteu novamente o placar, vencendo cinco games consecutivos e sacramentando a classificação com uma bela paralela de direita - sua marca registrada em toda a competição.
Os números demonstram o alto nível da partida entre ambos. Com muita agressividade, o sueco disparou 74 winners e 16 aces. Arriscando mais, ele cometeu 45 erros não forçados, contra 33 do chileno, que terminou o jogo com 59 bolas vencedoras e 22 aces. A tática do 23º favorito surtiu efeito e ele concretizou cinco chances de quebra em 18 que teve a seu favor. Já González aproveitou cinco oportunidades em sete. Na rede, o atleta de 24 anos também foi superior, com 28 em 39 pontos, para um percentual de 72%. No total, o vencedor faturou 170 pontos de 324 disputados.