Federer tenta superar zebra para enfim alcançar marcas históricas do tênis
06/06/2009 às 16h05

Elói Silveira
Especial de Paris

Federer luta de novo pelos recordes
Se nos últimos três anos o foco da final de Roland Garros era dividido com o até então imbatível Rafael Nadal, neste domingo, Roger Federer entra como grande protagonista e tem sua maior chance de enfim conquistar o único grande título que não tem em seu currículo. A um triunfo da glória, desta vez ele não enfrenta um carrasco, mas sim o sueco Robin Sderling, 25º do ranking e tenista que até então não havia sequer chegado às quartas-de-final em torneio deste porte.

Desde que viu seus grandes rivais caírem aos poucos, Federer se tornou o favorito absoluto no torneio que passou a virar uma obsessão. E ao mesmo tempo que encontrou apoio ainda maior da torcida e até mesmo dos jogadores, deparou-se com a grande pressão de enfim igualar recordes lendários e de colocar com destaque ainda maior seu nome entre os maiores de todos os tempos.

Por isso mesmo, a final deste domingo tem tudo para ser extremamente importante para a história do esporte, até mais do que outras como a do Aberto da Austro deste ano, por exemplo. Se naquela ocasião Federer também tinha chance de levantar a 14ª taça de Grand Slam e igualar a marca de Pete Sampras, agora ele pode faturar prêmio em dobro, tornando-se também um dos seis tenistas a vencer pelo menos uma vez todos os maiores torneios do circuito.

Até então, apenas Fred Perry, Dom Budge, Rod Laver, Roy Emerson e Andre Agassi realizaram tal feito, sendo que três (Perry, Budge e Agassi) conseguiram exatamente em Paris. Aliás, o cenário para festa já está montado, com a presença de Agassi confirmada para a entrega do troféu. Outro ponto que o coloca próximo do norte-americano é de poder chegar à marca na 11ª tentativa, exatamente como em 1999.

Em relação ao recorde de Sampras, o suíço pode igualá-lo mas tendo disputado 12 torneios a menos (52 contra 40). Em sua 19ª final de Grand Slam, número que apenas Ivan Lendl atingiu, tenta evitar a "maldição" de Ken Rosewall, que perdeu quatro finais de Wimbledon, exatamente o último dos quatro maiores torneios que lhe faltava.

E se alguém duvidava de sua capacidade no piso lento, Federer confirmou com sua quarta final seguida que é um dos grandes. Antes dele, apenas oito tenistas haviam chegado a tal proeza. No geral, já tem série de cinco finais seguidas de Grand Slam após ter perdido outra de dez - recorde absoluto - ao cair na seimifinal do Aberto da Austrália do ano passado.

Já em total de títulos, busca a 59ª taça, a nona no saibro na carreira e a segunda no ano. Antes, brilhou em Madri e agora já acumula 11 vitórias seguidas no piso. Para chegar à decisão, porém, teve de batalhar e passar 16h40 em quadra. Esta é a primeira vez que ele chega à decisão tendo conseguido apenas duas vitórias por 3 sets a 0 e outras duas em cinco.

E se os números podem pressioná-lo, Federer tem outros importantes contra Soderling em que pode se apoiar. Por exemplo, ele venceu todos os novatos em finais de Grand Slam que enfrentou: Marcos Baghdatis, Austrália-06; Fernando González, Austrália-2007; Novak Djokovic, no US Open-07; Andy Murray, no US Open-08. Aliás, seu desempenho em decisões é perfeito contra outros adversários que não Nadal: 11-0.

Contra o sueco, tem nada menos que nove vitórias em igual número de jogos, sendo que no último confronto, há três semanas, em Madri, venceu por 6/1 e 7/5, no mesmo piso. A única diferença é que Soderling não havia ainda mostrado o tênis fenomenal apresentado até agora no Grand Slam. Nessa campanha, aliás, mais do que disputar seu primeiro título, ele lembrará para semrpe da atuação nas oitavas-de-final.

Nesta partida, em quadra central lotada, fez o que parecia impossível e quebrou a série de 31 vitórias seguidas de Nadal no torneio ao vencer de forma incontestável, por 3 a 1. Não satisfeito, seguiu de forma brilhante ao eliminado Nikolay Davydenko e ao salvar um quinto set praticamente perdido contra González na semifinal.

Exausto (curiosamente jogou nove segundo a menos que Federer ao longo do torneio), mas feliz, Soderling entra como "vilão", mas também pode marcar o nome de outras maneiras. Se vencer, será o 11º da lista de jogadores que mais disputaram Grand Slam antes de vencê-los, com 22 participações. O "líder" é Kim Warwick, com 32. Ele pode também se juntar ao um grupo de cinco jogadores a ter conquistado a primeira taça no saibro exatamente em Roland Garros, sendo que o último foi Gustavo Kuerten.

Para seu país, ele apenas aumenta a longa relação de amor com Paris. Antes, seis outros compatriota chegaram à decisão e três venceram (Sven Davidson, Bjorn Borg e Mats Wilander). Já em termos pessoais, tenta melhorar sua série invicta para dez partidas, algo jamais conseguido anteriormente, e pode parar no décimo lugar do ranking, o melhor da carreira. Por enquanto, ele já para em 12º.

A final dos contrastes e, possivelmente, dos recordes, começa às 10h (de Brasília) neste domingo e terá transmissão ao vivo de Tenisbrasil no Placar Ao Vivo .
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