O adeus de Jaime Oncins
Por José Nilton Dalcim

João Pires/ JumpNum longínquo maio de 1986, um garoto magricela, cabelos loiros encaracolados e pesados golpes de fundo de quadra ganhava seu primeiro ponto no circuito profissional. Tinha apenas 15 anos e jogava um circuito satélite em Piracicaba, interior de São Paulo. Ele espichou, chegou a 1,91m e viveu o sonho que quase todo juvenil tem: chegar aos maiores torneios do mundo, vencer estrelas, disputar a Copa Davis.

Jaime de Oliveira Oncins encerra nesta semana, na Costa do Sauípe, a sua carreira profissional. Aceitou convite para jogar a chave de simples, o que não fazia desde fevereiro de 99, apenas para realizar a sua despedida oficial das quadras. Jogará ainda a chave de duplas, ao lado do argentino Lucas Arnold, uma especialidade a que se dedicou nas duas últimas temporadas e lhe deu também uma coleção invejável de conquistas.

Até 93, no seu auge como jogador de simples, Oncins ganhou dois ATP Tour (Bolonha e Búzios), foi às quartas-de-final de Roland Garros e das Olimpíadas de Barcelona, derrotou estrelas como Ivan Lendl e Michael Chang. Como duplista, venceu outros cinco grandes torneios e alcançou as semifinais de duplas mistas de Roland Garros.

Na entrevista exclusiva abaixo, Jaime fala um pouco do seu passado, do seu projeto de continuar no tênis e revela que sonha em dirigir o time brasileiro da Copa Davis. Confira:

Então este é seu último torneio pra valer?
Oncins - Aceitei o convite para jogar simples, o que não faço há muito tempo, como uma forma de marcar minha despedida do circuito. Afinal, tive resultados mais importantes em simples do que em duplas. Este será meu último torneio do nível ATP. Talvez ainda jogue duplas em um ou outro challenger pelo Brasil, mas não terei mais compromisso nem ambições.

Você está preparado para dizer adeus?
Oncins - Estou administrando isso desde que decidi sair do circuito, no começo do ano. A cabeça está preparada, estou pronto para uma nova fase.

E qual é essa nova fase?
Oncins - Sempre quis passar à frente as coisas que aprendi. Tenho minha academia para cuidar e, ainda no meio deste ano, dois jogadores me procuraram para ser seu treinador. Só não aceitei porque ainda estava no circuito, mas é legal saber que há gente que acredita na minha experiência e trabalho.

Mas continuar a carreira como treinador significa permanecer no circuito, não?
Oncins - É diferente, você não precisa treinar e não sente o estresse de competir tanto.

Qual é a melhor lembrança de sua carreira?
Oncins - Ah, certamente a Copa Davis, desde a primeira até a última. Integrei dois grupos totalmente diferentes que foram às semifinais (em 92, com Luiz Mattar, Cássio Motta e Fernando Roese, e em 99, com Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni). Em uma, era o novato; na outra, fui o veterano.

Você aceitaria assumir o comando do time da Davis?
Oncins - Esse é um desafio que certamente todo mundo gostaria de enfrentar. Adoraria. A Davis é algo totalmente diferente do circuito, é preciso ter espírito. Acho que posso ajudar muito.

Como você vê esta nova geração, a geração pós-Guga?
Oncins - A melhor coisa que aconteceu a ela foi a enxurrada de torneios que estamos tendo em 2001. O pessoal pode assim ganhar importantes pontos e experiência sem viajar tanto. Mas o problema do tênis brasileiro continua sendo o individualismo, cada um fazendo as coisas do seu jeito. O ideal seria termos um grupo, como os grandes centros possuem, que se reúne para treinos, tenha diferentes treinadores, um puxando o outro. Quem sabe, a Confederação poderia investir nesses caras e depois ter um retorno financeiro através deles próprios, uma base de troca.

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