O
golpe não está funcionando?
Por Henrique Terroni
Filho
Quem
já não passou por isto?
Se for um a aluno que está aprendendo,
ainda nas primeiras aulas, enquanto todos os fundamentos vão gradativamente
sendo assimilados, um teima em não evoluir!
Se já está
num estágio mais evoluído, jogando com amigos ou em competição,
de repente, sem um motivo aparente, um golpe começa a declinar.
Pode ser o forehand, backhand, saque, voleio, etc. Pode surgir e desaparecer rapidamente,
num treinamento ou num jogo. Mas pode perdurar por semanas ou meses. Quando isto
ocorre, costumo dizer que o tenista entrou na síndrome do golpe.
Normalmente, quando acontece, é comum o jogo declinar como um todo. Os
outros fundamentos, que vinham funcionando bem, parecem ficar contaminados pelo
golpe que não está funcionando.
Por que isto ocorre?
Pelo fato de que, inconscientemente, o tenista começa a focar toda a sua
atenção no golpe que está falhando. O passo seguinte é
a ansiedade, como se todo o jogo se resumisse naquele fundamento. Fazê-lo
voltar ao normal passa a ser uma obsessão e como isto normalmente não
ocorre de imediato, surge a insegurança, irritação pelos
erros cometidos e quando ele se dá conta todo o seu jogo está comprometido.
O que fazer?
A primeira providência é mental. Pura e simplesmente
"esquecer" o golpe. Minimizar a excessiva importância que o jogador
estava dando a ele, por não estar funcionando, e valorizar os demais fundamentos.
Afinal, o jogo não se resume a um forehand, backhand, saque ou voleio.
Todos os golpes apresentam o mesmo grau de dificuldade e importância.
Em muitos casos, apenas esta atitude simplista de dar ao fundamento a sua real
importância, dentro do contexto do jogo como um todo, rapidamente resolve
o problema. Pode-se perguntar: "Mas por que isto aconteceu?" Muitas
vezes não há uma causa aparente. No tênis é normal
um golpe entrar em "baixa" temporariamente. Ou motivado por um fato
concreto. Uma mudança na mecânica do golpe, até meio inconsciente,
por ter visto alguém fazendo diferente, o uso de uma variação,
slice ou spin, sem ainda estar preparado ou orientado, querer obter um desempenho
do golpe superior às condições do momento, etc. Voltar ao
"arroz com feijão" e deixar as coisas evoluírem normalmente
pode ser a solução.
Muito bem! Você "desencanou",
tirou o foco do golpe, minimizou sua importância e tudo está resolvido,
certo?...Não necessariamente!
Após o trabalho mental, persistindo
o problema, é hora de cuidar da parte técnica. O primeiro passo
é analisar friamente o que está ocorrendo com o golpe, uma vez que
toda falha tem uma causa e um efeito.
Imaginemos que o problema seja
o backhand. A bola está subindo muito? Ou ficando na rede? Pode ser a angulação
da raquete no momento do contato com a bola, motivada por uma empunhadura inadequada.
O golpe não tem potência, velocidade ou profundidade? Provavelmente
a preparação está atrasada e não está havendo
a correta transmissão do peso do corpo no momento do golpe. Problemas no
direcionamento, paralelas e cruzadas? Com certeza o golpe está fora do
"time" no ponto de contato específico.
Detectada a causa
que está ocasionando o problema, é hora do trabalho braçal.
O golpe, após ser corrigido, deve ser repetido várias vezes, a princípio
lentamente e aumentando gradualmente conforme a confiança for aumentando,
até o ponto ideal que é o equilíbrio com os demais fundamentos.
Este trabalho é aconselhável que seja coordenado e orientado por
um profissional.
É de fundamental importância que neste processo
não pode haver ansiedade nem pressa. Deixe as coisas acontecerem e evoluírem
naturalmente.
E é importante lembrar que os outros golpes não
podem ser esquecidos. Caso contrário, conserta-se o que não estava
funcionando e um outro começa a falhar. E aí começamos tudo
de novo!
10/08/2006
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Henrique Terroni Filho, 1ª classe da Federação Paulista,
participou de competições oficiais nacionais e internacionais até
meados de 1970. Professor de tênis para adultos e crianças há
25 anos. Autor do Programa "Tênis: terapia para crianças",
em conjunto com psicólogos. Consultor para clubes e academias nas áreas
administrativa, financeira e técnica. Formação em Administração
de Empresas, pós-graduação em Administração
Financeira e Marketing, curso em Psicologia do Esporte.
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