Tennis-elbow: 10 dicas técnicas
Por Ludgero Braga Neto
No artigo anterior sobre tennis elbow, foram apresentadas
algumas dicas quanto à escolha do equipamento. Recebi
muitos e-mails pedindo dicas técnicas para evitar ou
melhorar este tipo de lesão tão incômoda
para os amantes do tênis. Na verdade, existem dois fatores
causadores de tennis-elbow mais relevantes que a escolha do
equipamento: técnica e condicionamento físico.
Dentre os e-mails que recebi, percebi que a maioria dos que
têm tennis-elbow voltaram a sentir dores após
o tratamento médico e fisioterápico. Esta reincidência
normalmente ocorre devido ao não tratamento da causa
do problema, a qual está intimamente ligada à
técnica (maneira com que o tenista golpeia a bola).
Portanto, para resolver o problema definitivamente, não
adianta apenas parar de jogar/treinar, tratar a lesão
e voltar para a quadra com uma técnica incorreta. Se
o tenista não melhorar a mecânica de seus golpes,
o problema voltará, ocorrendo o seguinte ciclo:
Dor Médico --> Pausa --> Tratamento
--> Jogo
Sendo assim, este artigo tem como objetivo oferecer dicas
técnicas que auxiliem os tenistas que sofrem de tennis-elbow,
além de promover uma maneira de golpear a bola com
maior potência e menor esforço físico,
visando portanto a otimização.
Vale ressaltar a importância de procurar um médico,
de preferência especializado em Medicina Esportiva,
ao primeiro sintoma de dor. Este procedimento poderá
evitar o agravamento da lesão.
Golpes de Fundo de Quadra (ground
strokes)
1. Executar o contato raquete-bola à frente do
corpo.
Esta é uma das dicas mais comuns entre os professores
de tênis, mas vamos entender as vantagens:
- Facilita a transferência do peso do corpo sobre
a bola. Isso diminui a sobrecarga, principalmente sobre
o conjunto cotovelo/antebraço;
- Facilita uma ampla terminação (follow-through)
do golpe, evitando as intensas contrações
musculares causadas pelas desacelerações bruscas;
- Aumenta a liberdade para golpear a bola na cruzada sem
a utilização exagerada do punho. Quando o
contato é atrasado, a bola tende a sair na paralela.
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Forehand de Hewitt |
Backhand de Calatrava |
2. Antecipar a preparação (backswing).
Os golpes típicos do fundo de quadra - direita (forehand)
e esquerda (backhand) - devem seguir a seguinte ordem de movimento:
1) preparação; 2) passos de ajuste; e 3) terminação. No
momento em que a bola tocar a sua quadra, procure já
ter finalizado a preparação. Com isso você
terá mais tempo para ajustar a posição
de seu corpo em relação à bola, evitando
o contato atrasado que, como já vimos anteriormente,
pode causar lesões.
3. Aumente a terminação (follow-through).
Todos os golpes do tênis possuem três fases: 1)
fase de aceleração da raquete; 2) contato raquete-bola;
e 3) fase de desaceleração da raquete. Independente
do efeito com que você bate na bola, procure sempre
fazer uma terminação bem ampla. Assim você
terá mais tempo para desacelerar a raquete suavemente,
sobrecarregando menos o cotovelo/antebraço.
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Terminação
curta |
Terminação
longa |
4. Aumente o tempo de contato raquete-bola.
Aumentando o tempo de contato entre as cordas da raquete e
a bola, o "efeito
estilingue" entre elas será mais eficiente: as
cordas deformam mais e consequentemente transferem maior quantidade
de energia para a bola. Assim você terá que acelerar
menos a raquete, "economizando" o cotovelo / antebraço.
Dica bem prática para aumentar o tempo de contato:
"bata e acompanhe a trajetória da bola com a cabeça
da raquete".
Voleio
5. Utilize o "slice" para volear.
Uma dica muito importante para o voleio é utilizar
o efeito slice, também conhecido como "underspin".
Procure "cortar" a bola, movendo a raquete de cima
para baixo, isso aumentará a amplitude do golpe, evitando
uma brusca desaceleração. Além disso,
o efeito slice mantém a bola baixa após o contato
com o solo, dificultando a devolução do adversário.
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Voleio de direita
de Mirnyi |
Voleio de esquerda
de Sampras |
Saque
6. Lance a bola à frente do corpo
No lançamento da bola (toss), procure colocá-la
em um ponto a sua frente. Isso
obrigará você a "buscar" a bola, estendendo
os joelhos, quadril e cotovelo. Desta forma você vai
utilizar todo o corpo para sacar, diminuindo a responsabilidade
do cotovelo/antebraço na execução do
saque. Se você lançar a bola acima de sua cabeça,
não poderá utilizar todo o corpo e acabará
sacando "só com o braço".
7. Terminação ampla
Se
você for destro, procure sacar da direita para a esquerda,
assim sua terminação será mais ampla.
Os canhotos, obviamente, devem sacar da esquerda para a direita.
Portanto, durante a execução do saque, seu braço
dominante (que segura a raquete) deve cruzar o tronco. Se
isso não acontecer, além de ter de desacelerar
bruscamente a raquete, você terá de flexionar
o punho (snapp) com grande amplitude. Esses dois movimentos
são altamente lesivos.
Para Todos os Golpes
8. Utilize a empunhadura adequada
Se você utilizar uma empunhadura inadequada, seus movimentos
para golpear a bola necessitarão de grande esforço
e portanto terão maiores chances de lesionar seu braço.
Abaixo, segue a lista das 7 empunhaduras mais utilizadas no
tênis, bem como a maneira correta de segurá-las:
| Empunhadura |
Posição da palma da mão
em relação ao cabo |
| Continental |
Face 2 |
| Between |
Entre face 2 e face 3 |
| Eastern de Direita |
Face 3 |
| Eastern de Esquerda |
Face 7 |
| Semi-Western |
Entre face 3 e 4 |
| Western |
Face 4 |
| Full-Western |
Face 5 |
Assim sendo, tenistas que sofrem de tênis-elbow devem
utilizar as seguintes empunhaduras:
- Direita com top spin - Eastern de direita
- Esquerda com top spin (1 mão) - Eastern de
esquerda
- Esquerda com top spin (2 mãos) - mão
de baixo (dominante): continental; mão de cima (não-dominante):
eastern de direita
- Direita com slice - Continental
- Esquerda com slice - Continental
- Voleio de direita - Continental
- Voleio de esquerda - Continental
- Smash - Continental ou between
- Saque - Continental ou between
9. Olhe a bola!!!
Parece uma dica óbvia... mas é só ficarmos
cinco minutos assistindo a uma aula de tênis para ouvirmos
o professor dizer esta frase, talvez a mais clássica
dentro do ensino do tênis.
Apesar de óbvia, procure olhar ainda mais a bola, a
fim de acertar o "sweet-spot" da raquete. Mas o
que é sweet-spot? É a região do encordoamento
da raquete onde ocorre a menor transferência de vibração
para o braço, além é claro, de impulsionar
mais eficientemente a bola.
Procure olhar para a bola desde o momento em que esta toca
as cordas da raquete de seu adversário e tente "achar"
a costura ou a marca da bola. Isso vai melhorar sua concentração.
Repare como os grandes jogadores olham radicalmente a bola:
10. Lei dos mais fortes
Procure travar o punho e utilizar mais o ombro. Com isto,
você terá as seguintes vantagens:
§ o ângulo de contato entre as cordas da raquete
e a bola irá variar menos, aumentando a precisão
do golpe;
§ sendo o ombro uma articulação maior e
mais forte que o cotovelo, você terá menor chance
de lesões.
Bibliografia:
BRODY, H. Tennis science for tennis players. University of
Pennsylvania Press, Philadelphia, 1.989.
CARROLL, R. Tennis Elbow: incidence in local league players.
British Journal of Sports Medicine. 15(4): 250-256. 1981.
GROPPEL, J.L.; SHIN I.; THOMAS J.A; WELK, G.J. The effects
of string type and tension on impact in midsized and oversized
tennis racquets. The International Journal of Sports Biomechanics,
3, 40-46, 1987.
PLUIM B.M. Rackets, strings and balls in relation to tennis
elbow. In: HAAKE S.J., COE A. (eds.) Tennis Science &
Technology. Oxford, London, Edinburgh, Malden, Victoria, Paris,
Blackwell Science Ltd., pp. 389-393, 2.000.
PRIEST,J.D.; BRADEN,V.; GERBERICH, S.G. The elbow and tennis
- part 1. Physician and Sportsmedicine 8(4): 81-91. 1980a
Estou à disposição para dúvidas
e discusssões.
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Prof. Ms. LUDGERO BRAGA NETO é tenista de primeira classe pela Federação
Paulista de Tênis, Mestre em Educação
Física pela USP, onde atualmente faz Doutorado
em Biomecânica do Tênis e é professor
da disciplina Tênis. Atualmente é também
coordenador técnico da Academia Slice Tennis,
onde é o treinador da tenista Jenifer Widjaja.
Contatos pelo fone (11) 9281-2177
E-mail: ludgero@usp.br |
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