Lesões no tênis - casos reais
Por Raul Oliveira
O fisioterapeuta português Raul Oliveira, no blog “R´Equilibri_us”, vinha, desde fevereiro deste ano, chamando a atenção para os problemas físicos de Rafael Nadal, que acabaram resultando na sua desistência de disputar a edição deste ano de Wimbledon, torneio que venceu no ano passado. O especialista, a título de colaboração, autorizou a publicação de um resumo de sua análise do problema, que pode ser lido na sequência.
Lesões no tênis - casos reais
Em 15 de fevereiro passado, registrei em post intitulado “Lesões no Tênis – Casos Reais (1)” as queixas de Rafael Nadal a respeito do joelho, que o obrigaram a parar de competir durante três semanas. As constantes mudanças de direção e/ou velocidade, com movimentos de "cutting" em diversas sentidos, em pisos diferentes, e as recepções no piso, após o movimento de serviço, exigem dos joelhos e, particularmente do aparelho extensor, cargas muito intensas que vão deixando as suas marcas.
As bandas de dispersão de força de adesivo branco, que Nadal usa já há muito tempo, em ambos os joelhos, sobre a metade inferior dos tendões patelares, parecem indicar tendinopatias de inserção.
Relembramos agora os comentários feitos naquela ocasião:
Esta condição, que parece persistir há vários meses, sugere uma situação de tendinose que implica em algumas alterações estruturais do tendão, o que exige tempo e paciência. Não há tratamentos milagrosos nem com 100% de sucesso. Se assim fosse, já em fevereiro teria dado resultado.
As críticas que Nadal faz, tal como outros tenistas profissionais, ao calendário sobrecarregado de competições fazem todo o sentido, mas a defesa do título de nº 1 do mundo pelas atuais regras não deixa escolha.
Diante destas informações e com um quadro clinico de sinais e sintomas que persistem há vários meses, provavelmente duas semanas de tratamento não serão suficientes para Rafael Nadal estar no melhor nível em Wimbledon. Apesar de toda a competência, boa vontade e empenho quer de Nadal quer da equipe clinica que o acompanha, sendo reais as queixas existentes há vários meses, sugerem uma situação de tendinose (alterações estruturais do tendão do quadricipite) bilateral, que exige mais tempo e regresso gradual à competição.
De acordo com o doutor Cotorro, médico da Federação Espanhola e responsável pelo centro Mapfre de medicina de tênis, “Nadal apresenta uma vez realizados os exames pertinentes, uma tendinite de inserção de ambos os tendões quadricipitales, com ligeiro edema ósseo em ambos os pólos superiores da rótula. Será submetido a tratamento intensivo à base de antiinflamatórios orais, mesoterapia local, mais fisioterapia (magnetoterapia, termoterapia), assim como potenciação muscular progressiva de ambos os quadríceps." De acordo com a notícia, Nadal regressaria à atividade esportiva de forma progressiva "a partir das 48 horas de tratamento".
Não há evidência científica que este tipo de tratamento preconizado seja o mais eficiente, nem garantias de que se invertam as alterações estruturais dos tendões em pouco tempo e muito menos em 48 horas. Não há tratamentos milagrosos no caso das tendinopatias crónicas nem tipos de tratamento com 100% de sucesso.
Todos gostaríamos de ver Nadal defender seu título em Wimbledon e jogar ao mais alto nível pelo que esperamos que os tratamentos tenham os efeitos desejados em tempo útil. Algumas vezes, pode-se mascarar o problema por algum tempo, ignorar algumas queixas, mas a fatura acaba sempre por aparecer.
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Raul Oliveira, de 47 anos, fisioterapeuta e professor, de origem angolana, escreve para o blog R´Equilibri_us e tem seu consultório de fisioterapia localizado em Oeiras, Lisboa.
raulov@netcabo.pt |