Edison Mandarino

Temperamento calmo, mas um leão na quadra, José Edison Mandarino conquistou um lugar especial na história do tênis brasileiro principalmente pelas campanhas memoráveis na Copa Davis. Ao lado de Thomaz Koch, esteve por duas vezes nas semifinais interzonais da competição. Ao longo de 10 anos de campanha, colocou seu nome entre os 10 maiores vencedores de todos os tempos.

Nascido na cidade gaúcha de Jaguarão a 26 de março de 1941, ele costumava jogar com o irmão mais velho de Thomaz, nos anos 50. Mas seu pai Giácomo, ex-lutador de boxe, foi trabalhar na embaixada em Buenos Aires e Edison mudou logo de país. Foi lá onde começou a jogar, aos 6 anos, tornando-se campeão argentino em todas as categorias menores. "Ser tenista naquela década de 50 era loucura. Tinha de largar os estudos, mas meu pai me deu força", conta ele.

Dono de todos os golpes, concentração e controle emocional, Mandarino compensava a pequena estatura. Desenvolveu um jogo habilidoso com bolas colocadas. Seus resultados mais expressivos aconteceram na Davis. Uma das maiores proezas foi derrotar Dennis Ralston na Davis de 66, em Porto Alegre. "Me jogaram de roupa e tudo na piscina e lembro de ter visto meu pai nu no vestiário, embaixo do chuveiro, com as nádegas ensaguentadas, de tanto raspar no cimento". Suas curtinhas foram decisivas para ganhar também de Cliff Richey.

Mandarino calcula ter jogado em mais de 100 cidades e exibe fotos com o presidente Truman, o xá Reza Pahlevi e Pelé. Numa dessas viagens, em 67, jogou num torneio na França e conheceu Mari Carmen Hernandez Coronado, sobrinha do técnico de futebol da Espanha. Depois de um ano estavam casados. Ele se mudou para a Espanha e mora desde então em Madri. Ela foi uma das melhores tenistas espanholas. "Naqueles tempos, antes do tênis explodir, os jogadores eram quase uma família. Havia festas após os torneios, era mais divertido.

Entre suas grandes vitórias, estão as que obteve sobre Santana, Roy Emerson, Arthur Ashe, Roscoe Tanner, Ilie Nastase e John Newcombe. Campeão brasileiro de 67 e 70, ouro de duplas no Pan de 67, Mandarino numa mais voltou a morar no Brasil. Depois de encerrar a carreira, em 73, foi diretor do torneio de Madri, diretor de uma promotora, representou marcos como Spalding e Lotto e chegou a capitão do time espanhol da Davis, até 85, ao lado de Manoel Santana. Sorriso largo, fala mansa, operou o quadril e não joga desde 92.

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