Bellucci joga muito, mas Robredo vence e fatura título do Brasil Open
14/02/2009 às 23h55

Costa do Sauípe (BA) - A torcida fez uma grande festa, o representante nacional teve boa atuação, mas quem comemorou o título do Brasil Open foi o espanhol Tommy Robredo. Neste sábado, o cabeça-de-chave 2 bateu Thomaz Bellucci por 6/3, 3/6 e 6/4, após 2h12 de partida, e se sagrou campeão do torneio disputado na Costa do Sauípe.

Mesmo com o vice-campeonato, o atleta de Tietê dará grande salto no ranking de entradas da ATP e vai aparecer entre os 70 melhores no ranking internacional, sua melhor colocação na carreira; atualmente, ele é o 84º do mundo. O evento, disputado em quadras de saibro, pertence à série 250 da ATP e distribui US$562,500 em premiações.

O tenista de Barcelona começou com tudo a abriu confortável vantagem de 4/1, diante de um rival acuado com a responsabilidade. Bellucci teve uma oportunidade de devolver a quebra quando o oponente sacava para fechar o set, mas acabou errando um golpe relativamente fácil e deu moral ao adversário, que fechou em 6/3.

Assim como havia acontecido nas rodadas anteriores, no segundo set Bellucci foi buscar forças na arquibancada, e impôs ao ex-número 5 do mundo seu primeiro set perdido até então. O paulista saiu de situações desconfortáveis, duas vezes com 0/30 e não se abateu. No oitavo game, ele quebrou o espanhol e na sequência sacou para empatar, com um lindo winner de forehand.

Ambos seguiram o mesmo ritmo das duas primeiras parciais e a partida permaneceu sem um favorito ao título. Novamente Robredo colocou a experiência em quadra e derrubou o serviço do brasileiro no sexto game. Bellucci ainda teve a chance de equilibrar as ações no sétimo game, mas errou muito e viu o oponente abrir ampla vantagem. O paulista ainda devolveu a quebra e chegou a 4/5, mas na hora de empatar não manteve o alto nível e viu o rival fechar a partida.

Coincidentemente, Robredo e Bellucci terminaram a partida com o mesmo aproveitamento de pontos vencidos no primeiro serviço: 68%. Mas a diferença crucial acabou sendo no momento de derrubar o saque do adversário. O número 1 do País concretizou duas chances em cinco que teve à disposição, ao passo que o europeu conseguiu uma a mais, exatamente a que definiu o torneio. "Hoje procurei colocar mais o primeiro saque na quadra, mas falhei um pouco nisso, estava um pouco desgastado dos outros jogos", falou o brasileiro.

"Jogar uma final de ATP foi uma experiência nova para mim, isso traz um pouco de tensão, principalmente no começo. Comecei atrás e ele me deu poucas oportunidades de entrar no jogo. Tive que criar algumas chances", comentou o número 1 do Brasil. "Mas foi muito equilibrado. O jogo poderia ter ido para os dois lados. São dois ou três pontos que acabam fazendo a diferença".

Novamente um dos principais temas da entrevista de Bellucci foi o apoio da torcida. "Normalmente há pouca gente torcendo por nós no circuito. Aqui havia minha família, meus amigos, todos me davam carinho dentro e fora da quadra. Queria ter ganhado o torneio para eles", revelou. "Parecia Copa Davis. Teve uma hora no 5/3 (do terceiro set) que chegou a dar arrepio."

O campeão Robredo também teve apoio de um pequeno, mas animado grupo - de espanhóis. "É muito bom que no tênis haja partidas com um público tão grande, que motiva um lado e motiva o outro, foi um grande jogo", disse ele, que elogiou o paulista. "É muito difícil para um brasileiro jogar depois do Guga (Kuerten). Mas ele tem muita qualidade."

A campanha na Costa do Sauípe foi a mais destacada do jogador de Tietê em sua carreira como profissional. Na Bahia, ele parou rivais de alto gabarito, como o italiano Potito Starace e o espanhol Juan Carlos Ferrero. O torneio marcou também a primeira vez que Bellucci passou da fase de oitavas de um ATP.

"Planejei entrar no top 50 neste ano. Acho que estou conseguindo. Não fiz muitos pontos no começo, mas no Brasil Open já foi um belo pulo", falou o jovem de 21 anos, que foi o terceiro representante nacional a chegar a uma final do torneio. Antes dele, Gustavo Kuerten foi campeão em 2002 e 2004 e Fernando Meligeni, foi vice em 2001.

Robredo comemora seu oitavo troféu e espanta de vez a má fase que o acompanhava já há algum tempo. Ele veio embalado pelas semifinais em Viña del Mar e leva novamente o taça para a Espanha, já que em 2008 seu compatriota Nicolas Almagro foi o vencedor.
 
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