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A dificuldade em trabalhar pelo tênis brasileiro

Por Albers Bernardes

Durante todo o ano de 2001 me dediquei a um interessante e bem-intencionado projeto chamado SMS Tennis 2001. Ele foi criado com o principal objetivo de ajudar muitos jovens tenistas a fazer uma transição ao circuito profissional um pouco menos traumática do que sempre foi e acabei contando com a compreensão e o patrocínio da SMS Tecnologia Eletrônica.

Creio que muitos de vocês viram ou ouviram falar desse projeto, pois ele foi tema de duas colunas anteriores. O SMS Tennis Open me consumiu preciosas horas de sono, idas e vindas a muitos lugares para providenciar todos os detalhes que um programa desse porte demanda. Afinal, realizamos vários torneios preparatórios, além do evento profissional de US$ 25 mil.

Entrei nesta empreitada muito mais pensando em fazer algo de bom pelo meu esporte, do qual vivo e ao qual devo tudo o que tenho, do que pelo dinheiro que isso poderia trazer.

Acabei tendo muitas alegrias, mas também algumas decepções. E por isso acho essencial alertar as pessoas que, como eu, pensam em trazer algum benefício para o tênis.

O mercado que hoje existe dentro do nosso esporte simplesmente não se importa com essas iniciativas e o que acontece é que cada um quer levar o "seu". Partem do princípio de que, se está organizando um torneio profissional de tênis, é porque tem muito dinheiro na jogada e aí os ânimos ficam aguçados.

As pessoas diretamente envolvidas na organização de torneios não imaginam que, se os custos para organizar um evento deste porte não fossem tão altos, haveria mais patrocinadores e mais gente interessada em promover torneios. E haveria mais trabalho para todo mundo.

Mas isto eu já sabia.

O que eu não desconhecia é um certo tipo de figura com a qual me deparei da pior maneira. Não vou citar nomes, mas pelo perfil talvez você reconheça. Este tipo de pessoa chega quando o evento já está quase pronto e oferece os seus serviços como auxiliar na organização. Você acha que pode confiar nesta pessoa, afinal trata-se de um nome conhecido dentro do ambiente do tênis.

Você o contrata para ser seu auxiliar na organização do evento e em poucos dias este cara está se apresentando como seu sócio. Durante o evento este cara se aproveitará da situação para aparecer, fazer seus contatos e preparar sua próxima investida em algum outro desavisado como eu.

Se você tem vontade de fazer algo pelo tênis, como eu tive, tome cuidado com as pessoas que você for selecionar para o trabalho.

Afora estes problemas, o evento foi um sucesso. Um ótimo público esteve durante toda a semana e na final, mesmo com dois argentinos jogando, as arquibancadas estiveram praticamente lotadas.

Nosso patrocinador, a SMS Tecnologia Eletrônica, ficou muito satisfeito com o evento e o objetivo de ajudar muitos jovens tenistas foi alcançado. Quanto a mim tenho a certeza de ter feito o melhor possível e ter ajudado muita gente através deste projeto, sem precisar lesar ninguém.

Um grande abraço e a todos um feliz natal e um 2002 de muito sucesso, dentro e fora das quadras.


Clique aqui para ver as colunas anteriores

Albers Bernardes foi tenista juvenil e profissional e atualmente é professor do Clube Esportivo Helvétia, em São Paulo, além de proprietário da Crosscourt Esportes.

Email: crosscourt@uol.com.br

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