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Bang-bang no tênis juvenil

Por Albers Bernardes

De algum tempo para cá uma espécie de lei se institucionalizou no tênis juvenil nacional.

É preciso bater forte na bola a qualquer preço. Coisas muito importantes como controle de bola, inteligência tática, porcentagens, etc.. estão sendo deixadas de lado em prol desta mentalidade que busca potência e maravilhosos winners, na maioria em bolas e situações pouco indicadas para tal.

Isto tem um pouco a ver com a ansiedade dos pais, que exigem bolas fortes o tempo todo, simplesmente porque as bolas do Guga são fortes, e também com a submissão de alguns treinadores que acham que o mais importante é agradar a estes pais, que afinal são quem paga a conta.

Recentemente em um torneio em São Paulo, presenciei uma conversa entre uma mãe e um filho que havia acabado de vencer um jogo na categoria 10 anos.

A mãe comentava:" Não gostei do jogo, você bateu pouco na bola"!!!
Parece que hoje em dia, este é o único quesito que importa na hora de se avaliar o desempenho ou a qualidade de um jogador. Tanto que se criou o termo "Baloieiro ou Baloeira" para se definir um jogador regular.
Ok!! Chame o Alex Corretja de Baloeiro e ele te mostrará sua conta bancária. Aí talvez, ao ver os números, você pare para pensar e reveja seus conceitos.

É preciso entender que até possuir aqueles golpes fantasticamente fortes, o Guga trabalhou muito seu controle de bola, sua regularidade, sua colocação de bola e principalmente que até hoje ele gasta boa parte de seu tempo trabalhando este aspecto de seu jogo.
Particularmente, quando vou a um torneio juvenil, gosto de ver os "Baloeiros" porque são os mais inteligentes taticamente, fortes mentalmente, dispostos a lutar por todos os pontos e isto me agrada muito mais do que ver aqueles batedores, que acham que o tênis é uma loteria, onde simplesmente se dá uma pancada e espera para ver se entrou.

Acho que devemos ensinar estes meninos a desenvolverem um jogo que lhes permita jogar bem todo dia, com regularidade e inteligência, e não depender de estar num dia em que "tudo deu certo".

Deveriam pensar como por exemplo um piloto de avião, que tem que pilotar todo dia, um equipamento que vale US$ 30 milhões, com 100 pessoas a bordo. Este cara pode se dar ao luxo de pilotar mal? Claro que não!!

Um juvenil que quer ser profissional tem que pensar assim e ser regular todo dia, e não dar a desculpa de que "hoje nada deu certo".
Se conseguirmos trabalhar nesta direção, estaremos formando jogadores com muito mais chances de sucesso no circuito profissional.


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Albers Bernardes foi tenista juvenil e profissional e atualmente é professor do Clube Esportivo Helvétia, em São Paulo, além de proprietário da Crosscourt Esportes.

Email: crosscourt@uol.com.br

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