Excesso de taxas prejudica massificação
Por José Nilton Dalcim
Entre tantas dificuldades que se tem para jogar tênis no
Brasil, uma das mais antigas e mais injustas são as taxas
compulsórias que se cobra a todo aquele que pretende disputar
um campeonato, seja um principiante sonhador, um veterano
atrás de divertimento ou um juvenil à procura de seu futuro.
Há cobranças de toda a parte. A federação de cada estado,
que tem a responsabilidade de registrar jogadores, organizar
torneios amadores e estabelecer rankings, dá a primeira facada,
ao cobrar a famosa e odiada taxa anual, que ultrapassa a casa
dos R$ 100 em muitos lugares. É mais ou menos como o IPVA
que se paga por ter um carro. O problema é que o jogador matriculado
vai ter também de gastar com o "pedágio" de cada
estrada que passar, ou seja, desembolsa pelo menos outros
R$ 15 ou R$ 20 a cada torneio que se inscreve, taxa esta paga
aos organizadores do evento.
Obedecendo a terrível lógica tributária nacional, o tenista
que quer tão-somente se divertir, sem jamais pensar em ser
um Guga, é forçado a pagar imposto atrás de imposto. Mais
grave ainda: não tem absolutamente nada de volta, nem um descontinho
para encordoar a raquete na loja da esquina. O contribuinte
é quem tem de bancar com toda a estrutura. Paga o próprio
troféu que sonha ganhar, paga pela bolinha muitas vezes gasta
que lhe dão para jogar, paga por fora o trabalho do pegador
de bola, paga o estacionamento, o lanche, a água.
Convenhamos que é difícil praticar esporte num país que tenha
uma filosofia tão destrutiva e pouco compensadora. É óbvio
que o tênis se torna então ainda mais elitista. Não bastasse
o preço do equipamento e da aula, ainda se inventa caça-níqueis
sucessivos e cada vez mais vorazes. Há muita federação vivendo
exclusivamente de taxa anual e taxa de campeonato (normalmente,
fatura 50% desta receita). Há muito "promotor" que
faz um torneio por semana para fazer caixa no final do mês,
prática que se estende com rapidez para academias, onde "ranking
interno" e "desafio" virou sinônimo de salvação
da lavoura.
Fica evidente a falta de uma visão mais profissional, tanto
para quem dirige o esporte como para quem abre uma academia.
Não se pode acreditar que a penalização contínua do praticante
vai ajudar a se criar base no esporte. Para cada dez entusiasmados
alunos que chegam, certamente fogem vinte.
A sensatez aponta para o caminho da quantidade. Quanto mais
gente estiver na quadra, mais se venderão bolas e raquetes,
mais horas serão alugadas, mais ingressos vendidos, mais gente
assistindo TV. É puro e simples, que tal experimentar?
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José Nilton Dalcim,
paulista de 45 anos, é jornalista especializado em esporte
há 24 anos. Acompanha o circuito do tênis desde 1980.
É diretor editorial de tenisbr@sil.
Fale com José Nilton: joni1@uol.com.br
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