O poder paralelo
Por José Nilton Dalcim
Organização, prestígio, dinheiro, bom
relacionamento. Santa Catarina está emergindo mesmo
como o novo poder do tênis brasileiro. A queda-de-braço
com a Confederação Brasileira na recente promoção
da Copa Davis entre Brasil e Austrália provou o quanto
os catarinenses estão fortes. Com o aval da família
Kuerten, arrumou apoio federal em Brasília e praticamente
obrigou a transferência da sede para Florianópolis.
Em tempo escasso, conseguiram terminar a obra do majestoso
estádio à beira-mar que, apesar de não
ficar às mil maravilhas, não comprometeu o evento.
Santa Catarina tem um trunfo bastante especial nas mãos.
O atual presidente da Federação local, Jorge
Rosa, é um apaixonado por tênis e homem de grandes
idéias. Melhor ainda, muito bem relacionado. Neto de
um ex-governador, tem amigos de grande influência, como
o atual governador Espiridião Amin. Joga seu indispensável
tênis semanal ao lado de personalidades como Paulo Bornhausen,
nada menos que o filho de Jorge Bornhausen, o presidente nacional
do PFL e um dos mais respeitáveis políticos
brasileiros da atualidade.
Não foi surpresa, portanto, que a Federação
Catarinense obtivesse o aval governamental para tocar ousados
projetos, como o centro de treinamento a ser erguido em Canasvieiras
ou as quadras públicas que ficarão na Beira-mar.
A confiabilidade permitiu também que o contrato assinado
com o Ministério de Esportes e Turismo para a Davis
ficasse em nome da Prefeitura, já que a CBT continua
proibida de receber verbas oficiais devido a sua dívida
junto ao INSS e ao FGTS.
Há um indisfarçável descontentamento
dos dirigentes catarinenses com relação à
atual administração da Confederação.
Embora ninguém admita publicamente, os sinais estão
cada vez mais claros de que uma ação fiscalizadora
está sendo armada nos bastidores. A presença
do senador Geraldo Althoff na Davis de Florianópolis
agitou a moçada. Ele vejam que curioso - pertence
ao PFL catarinense, é o relator da CPI do Futebol e
foi informalmente inquirido sobre a possibilidade de esta
CPI se estender aos demais esportes. Disse que não
dá. Teria de ser criada uma nova Comissão Parlamentar,
o que é um procedimento complexo.
A distribuição dos ingressos feita pela CBT
ajudou a piorar o relacionamento entre as partes. Ninguém
por lá engoliu aquela remessa de 900 ingressos (meros
9% do total de 10 mil lugares) para a venda pública
em Florianópolis. A cota se esgotou em horas. Também
constrangedora foi a cena em que o ministro dos Esportes Carlos
Melles foi barrado por um segurança.
Jorge Rosa não esconde que, na sua opinião,
a Secretaria Nacional dos Esportes, hoje presidida por Lars
Grael, deveria exigir uma auditoria completa nas contas de
todas as Confederações, como uma forma de colocar
ordem no cenário nacional.
Se a CPI depende de complexos instrumentos políticos,
a auditoria pode ser determinada pela vontade única
do Ministério. Vale lembrar que a Secretaria é
um cargo que também pertence ao PFL.
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José Nilton Dalcim,
paulista de 45 anos, é jornalista especializado em esporte
há 24 anos. Acompanha o circuito do tênis desde 1980.
É diretor editorial de tenisbr@sil.
Fale com José Nilton: joni1@uol.com.br
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