Tênis amplia seu espaço na
TV européia
Por José Nilton Dalcim
Esporte perigosamente estagnado nos Estados Unidos e mal-tratado
na pobre América Latina, o tênis cria raízes cada vez maiores
na Europa. A prova maior disso foi o recente acordo firmado
pela Associação masculina (ATP) e várias redes de TV da Europa,
que irão garantir um aumento significativo na transmissão
de jogos de todos os Masters Series e da Masters Cup.
No Reino Unido, a Sky Sports mostrará todos os torneios ao
vivo, enquanto a França terá nada menos que três canais acompanhando
o esporte: o Pathe Sport seguirá todo o calendário de 2002,
enquanto o France 2 e o France 3 transmitirão as semifinais
e final dos Masters Series ao vivo, com óbvia ênfase ao MS
de Paris.
A rede a cabo Stream e a estatal RAI trabalharão juntas
na Itália. A primeira mostrará os torneios e a gigante RAI
dará destaque total para os Masters Series de Monte Carlo
e Roma. Outro bom acordo aconteceu na Alemanha, onde o Premiere
World mostrará "melhores momentos" diários de cada Masters
Series, com cobertura especial de Hamburgo pela DSF.
Um outro contrato, específico para alavancar a Masters Cup,
foi fechado com a Eurosport, uma das maiores empresas de telecomunicações
do mundo, que transmitirá o evento com exclusividade para
54 países em 18 línguas. A Eurosport, que já transmitia 12
eventos masculinos por temporada, irá aumentar seu espaço
para 20 torneios e prometeu boletins especiais durante os
Abertos da Austrália, França e EUA.
Tudo isso acontece porque a ATP sabe, de cor e salteado,
da importância de uma ampla divulgação do tênis como veículo
de marketing. Por isso, conseguiu a promessa da ESPN norte-americana
de aumentar as transmissões de torneios em 12%, o que inclui
a América Latina e a Ásia.
Quem sabe, o Brasil ganhe um pouco com isso, mas não foi
o que aconteceu no último Aberto da Austrália, onde a ESPN
International deve ter levado os fãs à loucura, ao insistir
em não mostrar quase nenhum jogo que não envolvesse sul-americanos.
A mesma ESPN deve mostrar Roland Garros - que tradicionalmente
tem uma excelente cobertura -, enquanto Wimbledon e US Open
pertenciam à falida PSN. A SporTV, que renovou os contratos
para todos os Masters Series e a Masters Cup, além da Copa
Davis, deve ficar com esses dois Grand Slam, que eram seus
antes da PSN. A ESPN Brasil deve entrar com seu pacote de
torneios masculinos menores, como tem feito nas duas últimas
temporadas.
Fora da TV a cabo, nada. Como era de se esperar. Nem mesmo
as finais da França, anteriormente mostradas pelo consórcio
Record-Koch Tavares, estão garantidas. E uma má notícia: a
Globo ainda tem os direitos sobre Wimbledon, o que é uma garantia
de que não vamos mesmo ver a grama sagrada do All England
Club.
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José Nilton Dalcim,
paulista de 45 anos, é jornalista especializado em esporte
há 24 anos. Acompanha o circuito do tênis desde 1980.
É diretor editorial de tenisbr@sil.
Fale com José Nilton: joni1@uol.com.br
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