Os melhores brasileiros de todos os tempos
Por José Nilton Dalcim
Movido pela curiosidade de um internauta e pela ascensão
de Flávio Saretta - que lentamente vai confirmando
a previsão de ser o melhor produto da nova geração
-, consegui a duras penas fazer um levantamento da pequeníssima
lista de tenistas brasileiros que já figuraram entre
os 100 melhores do mundo, desde que a ATP e a WTA passaram
a divulgar seus rankings, entre 74 e 75.
Chegou-se a 22 nomes, apenas quatro deles no feminino (mas
isso até parece um sonho em função da
última década de pífios resultados).
Desse total, 10 ousaram estar entre os 50 primeiros e novamente
surpresa: dois foram mulheres.
Mas a lista, conforme publicado abaixo, de forma simples
e seca, não faz jus à realidade. Alguns lembretes
históricos precisam ser anexados para que o retrato
de 28 anos de tênis profissional brasileiro seja mais
fiel a seus heróis.
Thomaz Koch, por exemplo, aparece como o segundo maior destaque
nacional de todos os tempos. Foi 24º colocado ao final
da temporada 74, justamente a primeira em que o ranking da
ATP existiu. Mas, baseado na lista anual preparada pela Federação
Internacional e por rankings da revista norte-americana "Tennis",
ainda que empíricos e pouco matemáticos, vê-se
que Koch chegou a figurar entre os 10 melhores do mundo no
auge de sua forma, entre 66 e 70.
Outro injustiça ocorre com o talentosíssimo
Carlos Kirmayr, um dos mais espetaculares jogadores de sua
época, eficaz em simples e duplas. A melhor classificação
de Kiki foi o 36º lugar, em 81. Ele deu incrível
azar. Seu mais espetacular feito não foi considerado
para o ranking, pois Forest Hills só passou a contar
pontos para a ATP justamente no ano seguinte. Assim, a histórica
vitória sobre John McEnroe, então número
2 do mundo, e o vice-campeonato só valeram para os
saudosistas. Cálculos seguros indicam que Kirmayr teria
alcançado o 16º lugar do ranking.
Sem jamais questionar a qualidade e a dedicação
de estrelas como Júlio Goes, Ivan Kley e Givaldo Barbosa,
há uma diferença clássica entre os homens
dos anos 80 e qualquer uma das meninas ou as atuais campanhas
de André Sá. Afinal, o tênis masculino
viveu nesse período uma fartura de torneios de todos
os tamanhos e assim teve o privilégio de colecionar
pontos e dólares praticamente sem sair de casa, algo
que Niege Dias, Patrícia Medrado, Cláudia Monteiro
ou Andrea Vieira raramente usufruiram.
Aliás, esse ë justamente o argumento que separa
Gustavo Kuerten de qualquer outro desses inegáveis
heróis. Guga venceu apenas dois challengers no Brasil
antes de explodir em Roland Garros de 97. E ao longo de sua
fulminante ascensão, conquistou torneios de primeiríssima
linha nos Estados Unidos (o primeiro desde Koch, em 71), Europa
e América do Sul.
Por último, é importante lembrar que Maria
Esther Bueno foi considerada número 1 do mundo nos
anos de 59, 60 e 64 pela Federação Internacional,
que publicava uma lista anual. Este conceito acabou (felizmente)
absorvido pela Associação feminina, com a observação
que se refere ao tênis amador, ou seja, até 1968.
Veja e guarde a lista dos 22 brasileiros a ter figurado ao
menos por uma semana no grupo dos 100 melhores da era profissional.
Eles merecem aplauso:
Jogador |
Melhor
ranking |
Ano |
Gustavo
Kuerten |
1 |
00 |
Thomaz
Koch |
24 |
74 |
Fernando
Meligeni |
25 |
99 |
Luiz Mattar |
29 |
89 |
Marcos
Hocevar |
30 |
83 |
Niege Dias |
32 |
88 |
Jaime Oncins |
34 |
93 |
Carlos
Kirmayr |
36 |
81 |
Patrícia
Medrado |
48 |
82 |
Cássio
Motta |
48 |
86 |
Júlio
Goes |
68 |
85 |
Cláudia
Monteiro |
72 |
82 |
Andrea
Vieira |
76 |
89 |
André
Sá |
79 |
00 |
Flávio
Saretta |
79 |
02 |
Ivan Kley |
81 |
86 |
Givaldo
Barbosa |
82 |
84 |
Danilo
Marcelino |
91 |
91 |
Roger Guedes |
93 |
83 |
João
Soares |
95 |
82 |
Alexandre
Simoni |
96 |
01 |
Fernando
Roese |
99 |
91 |
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José Nilton Dalcim,
paulista de 45 anos, é jornalista especializado em esporte
há 24 anos. Acompanha o circuito do tênis desde 1980.
É diretor editorial de tenisbr@sil.
Fale com José Nilton: joni1@uol.com.br
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