Calendário do tênis pode mudar
em 2005
Por José Nilton Dalcim
O que não tem falta é reunião
e troca de correspondência entre a Federação
Internacional e a Associação masculina de tênis.
Todo mundo empenhado em encontrar a fórmula mágica
que permita essencialmente que Roland Garros e Wimbledon fiquem
mais distantes entre si. Documentos confidenciais mostram
que a data marcada para isso é 2005.
A tradição é uma das marcas registradas
do tênis, que procura balancear sua mística com
a inevitável evolução do esporte como
um todo. Wimbledon criou o tênis como conhecemos hoje
em 1877 e determinou uma regra própria para agendar
a abertura do seu evento décadas afora. Basicamente,
o torneio começa na última segunda-feira do
mês de junho.
Quando o então Nacional francês se tornou aberto
a estrangeiros, em 1925, e passou a ser a terceira perna do
Grand Slam, seu início passou a ser quatro segundas-feiras
anteriores a Wimbledon. E assim tem sido. A mudança
radical do saibro para a grama em tão curto intervalo
não foi empecilho para Rod Laver, na década
de 60, nem para Bjorn Borg no final dos anos 70 e até
mesmo estrelas modernas, como Stefan Edberg e Andre Agassi,
conseguiram chegar à final de Paris e Londres no mesmo
ano.
Mas as reclamações continuam. O circuito masculino
em geral pede maior tempo de adaptação, alegando
que tem sido extenuante o esforço das duas semanas
de jogos no saibro francês. Assim - e Guga é
um exemplo - fica difícil para os finalistas de Roland
Garros emendarem duas semanas de treino na grama para jogar
Wimbledon.
A Federação Internacional, o All England Club
e a ATP não tem o menor interesse num esvaziamento
daquele que ainda é o mais importante dos Grand Slam.
Foi o que motivou o atendimento ao apelo dos tenistas e adotar
o sistema de 32 cabeças-de-chave, ainda que continue
com o direito de não obedecer fielmente ao ranking.
Na tentativa de reestudar o calendário a partir de
2005, a Federação Internacional aproveita para
convencer a ATP a lhe dar mais uma semana de Copa Davis. Atualmente,
a competição por países conta com quatro
rodadas de disputa (fevereiro, abril, setembro e novembro)
e a intenção é incluir uma semana em
julho, logo após Wimbledon. E para quê? Para
aumentar o grupo mundial de 16 para 24 países. É
outra medida salutar, já que constantemente se vê
países de primeira linha, especialmente da Europa,
ser rebaixados por falta de espaço.
As mudanças no calendário não devem
ser anunciadas antes do final da próxima temporada.
O adiamento para 2005 se deve à necessária inclusão
das Olimpíadas de Atenas em julho de 2004, o que deverá
atrasar o US Open em uma semana.
Clique aqui para ver as colunas anteriores
 |
José Nilton Dalcim,
paulista de 45 anos, é jornalista especializado em esporte
há 24 anos. Acompanha o circuito do tênis desde 1980.
É diretor editorial de tenisbr@sil.
Fale com José Nilton: joni1@uol.com.br
|
|