Suécia é a melhor saída para o tênis brasileiro na Davis
Por José Nilton Dalcim

Como era mais do que esperado, o tênis brasileiro está de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído. Ou seja, na briga por estar na elite mundial. Conforme o próprio Gustavo Kuerten afirmou em fevereiro, em sua passagem pela Costa do Sauípe, não temos é verdade um grupo para disputar o título da Copa Davis com as maiores potências, mas a nossa realidade também não pode ser o sofrimento diante de adversários como Uruguai, Peru ou Equador.

O mais curioso é que o Brasil fica à mercê de um dilema para a repescagem de setembro, quando certamente terá de encarar um dos oito países que foram eliminados na primeira rodada do Grupo Mundial. Porque existem chances reais de se enfrentar em casa a Suíça ou a Espanha, o que poderia trazer para o nosso saibro nada menos que Roger Federer ou Rafael Nadal.

Seria uma promoção sensacional para o tênis brasileiro, tão necessitado de uma injeção de ânimo, e ainda mais para a Confederação Brasileira, que não acha caminho para encher os cofres. Mas ao mesmo tempo isso também significaria a redução drástica das chances de vitória, ainda mais se considerarmos que sim, temos um time coeso e lutador, mas sem qualidade técnica atual para encarar um desafio desse tamanho.

Assim, a melhor torcida mesmo fica para o sorteio indicar a Suécia como adversário de setembro. Os motivos são excelentes: o Brasil jogaria em casa, a promoção ficaria enriquecida pelo fato de os suecos serem uma das maiores potências das últimas três décadas e, melhor ainda, a chance de vitória ficaria bem grande. A Suécia de Bjorn Borg e Mats Wilander deixou de ter um especialista em saibro há muito tempo e seu único top 50 é o contundido Thomas Johansson. Os outros a figurar entre os 100 melhores são Robin Soderling, 61º nesta semana, e o veterano Jonas Bjorkman, cujo maior currículo atual está no quarto lugar que ocupa no ranking de duplas.

À exceção da Holanda, que levaria a um sorteio para definir a sede, todos os demais adversários obrigariam o time de Fernando Meligeni a continuar jogando fora de casa. Contra Alemanha e Eslováquia, as chances seriam pequenas num piso extremamente rápido. Um pouco melhor contra Romênia e Áustria.

Embora esteja um tanto longe do que se poderia sonhar, o grupo atual da Davis tem seus méritos e versatilidades, o que pelo menos não deixa mais o Brasil tão dependente do piso de saibro. É fato que Flávio Saretta, Ricardo Mello e André Sá têm bom desempenho na quadra sintética e que possuímos bons duplistas, como Marcos Daniel, mas não temos uma dupla de fato. Como ainda faltam cinco meses para o teste final, o negócio é torcer para que a sorte nos ajude e que os brasileiros consigam embalar na temporada. Porque união e garra ajudam, mas não bastam na elite da Davis.

 

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José Nilton Dalcim, paulista de 45 anos, é jornalista especializado em esporte há 24 anos. Acompanha o circuito do tênis desde 1980. É diretor editorial de tenisbr@sil.


Fale com José Nilton: joni1@uol.com.br