A moralidade no esporte
Por Fernando Fontoura
Li
um artigo de um filósofo americano falando sobre a fantástica marca
de Lance Armstrong, o ciclista que conquistou por sete vezes seguidas o primeiro
lugar no Tour de France, a competição ciclística mais importante
e difícil do mundo. Em uma parte de seu artigo ele pergunta por que as
conquistas esportivas têm um enorme apelo na vida humana. A resposta, conclui
o filósofo, encontra-se em um aspecto raramente reconhecido no esporte:
seu significado moral. O que as vitórias desses atletas nos fornecem é
um raro e crucial valor moral: o testemunho da conquista humana.
A moralidade
baseia-se nos melhores valores humanos e estes valores, nas melhores virtudes
pessoais. Colocar em prática as melhores virtudes é fazer os valores
trabalharem a favor da moralidade. A moral não é apenas um conjunto
de valores que guia nossas ações, mas é a própria
ação que dá sentido a esses valores. Quando se fala em moral
pensa-se apenas como algo intelectual ou teórico, mas a moral é,
antes de tudo, prática. Pois só a prática mostra o resultado
daquilo que pensamos e do conjunto de ações que escolhemos como
guia.
Quando
um atleta como Guga, Senna, Daiane dos Santos ou Armstrong alcançam suas
conquistas, estão exteriorizando naquele momento tudo o que valorizaram
antes dessa conquista. O esporte premia o melhor, a elite e sua única igualdade
está em que cada competidor tem as mesmas oportunidades para mostrar seus
valores, seus talentos e sua determinação. Ao celebrar a vitória
de um sobre muitos, celebra-se a capacidade humana de vencer desafios, de ter
um objetivo maior e de colocar toda sua disposição ao serviço
de seus valores.
A vitória de um atleta nos faz ter a nobre visão
do potencial humano e é isso que faz com que todos gostemos de ver, admirar
e se emocionar com cada conquista desses grandes seres humanos. Para nós
que não podemos sacar a 240 km/h como Roddick ou não podemos correr
de bicicleta como Armstrong, cabe-nos levar para nossa vida aquilo que os atletas
nos passam através de suas conquistas: objetivo, determinação,
persistência, valores e prática moral. Em qual aspecto de minha vida
posso colocar todas essas virtudes? Quão mais longe não iria se
colocasse o melhor de mim naquilo que realmente gosto?
São perguntas
que podemos responder cada vez que vemos um atleta alcançando o topo de
suas conquistas.
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Fernando Fontoura, ex-professor de tênis por dez anos
e filho da tenista Henny Fontoura, já publicou dois livros
técnicos - "Configure seu Jogo", em 1998, e "Tênis Para Todos", em 2003. Atualmente escreve "Filosofia das Quadras", uma reunião de suas principais crônicas.
Fale com o Fernando: fcdafontoura@hotmail.com |
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