| Um menos um |
| Por Fernando Fontoura |
21/06/2006 |
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Como dizia um perdedor bem humorado: “O que atrapalhou
meu jogo foi meu próprio jogo”.
Partindo desta premissa, o que atrapalha o mercado de tênis
é o próprio mercado, ou as pessoas que o formam,
ou as mentes pequenas que elas têm, ou a falta de um
planejamento claro, objetivo e de longo prazo. Quando falo
das pessoas que formam o mercado, não me refiro a nenhuma
classe em especial, mas a todas: professores, lojas, indústria,
promotoras e até jogadores.
Pergunte a um engenheiro sério o que ele faria com
uma obra condenada. Se ficaria passando reboco e pintando
a fachada ou se usaria de energia, força, inteligência
e propósito para construir outra obra.
O que o mercado de tênis precisa não é
uma restauração. Precisa ser implodido e começado
de novo. Não se reestruturam vícios. Se eliminam.
Não se adapta a uma dor de cabeça, combate-a.
A filosofia moral predominante neste meio não é
da virtude pela virtude, mas da virtude pelo vício.
Não há uma melhora gradual e constante, mas
uma melhora em cima do ruim, um ajuste em cima do torto, uma
correção em cima do erro. Estas são atitudes
primárias para se ajustar um caminho ou uma direção,
mas não atitudes eficazes de quem quer galgar uma montanha.
Não se corrigem erros o tempo todo durante um escalada.
Planeja-se antes, faz-se um curso de ação naquilo
que se pode prever e então se trabalham as virtudes.
A adoração à falha, que é motivo
de todas as campanhas políticas no Brasil, desde síndico
até presidente da República, não pode
ser um código objetivo e eficiente para uma ação
clara e um resultado positivo. Corrigir um erro não
é algo positivo. O positivo se cria em cima do que
está corrigido através de mais ações
positivas. Um menos um é zero. Apenas a soma de um
mais um é que trará algo de melhor àquilo
que era apenas uma correção.
Como vivemos este fantasma da adoração do erro
por muitos anos no Brasil - pois cada presidente diz que está
tapando buracos e falhas do governo anterior e joga para o
atemporal sua verdadeira responsabilidade, que é a
de somar -, no mercado de tênis também sofremos
as conseqüências desta infame filosofia.
Seria medo do sucesso? Seria medo da responsabilidade? Seria
uma fuga pela tangente ante o comprometimento? Seria falta
de convicções sobre o certo e o errado, o justo
e o injusto, o verdadeiro e o falso?
Moralmente, uma pessoa de poder tem que ter o mínimo
de conhecimento sobre os julgamentos de valor. O que é
bom ou mau para o mercado em que atuo? Se não há
estas convicções, nem ao menos em termos gerais,
o resultado, como coerência de sua incoerência,
só pode ser um: confusão. Confusão entre
pensamento e ação, entre ideal e realidade.
Recebo e-mails de alguns guerreiros do tênis que investem
sua inteligência, esforço e tempo na tentativa
de dar uma coerência em um mercado tão incoerente.
Esses não são cartolas, nomes de peso da mídia,
diretores de empresas ou grandes ex-jogadores com infra-estrutura
para fazer algo maior. São consumidores desse mercado
que querem algo mais do que lhes é oferecido. Eles
sabem que precisam fazer algo, mas não têm muita
noção do quê, de como ou por onde atuar.
Um catalisador precisa surgir para aglutinar esses heróis
anônimos que têm uma mente aberta e visão
de longo prazo para algo que usufruem a curto prazo, seja
por seu lazer ou por um sonho distante de seu filho ou filha
alcançarem a independência financeira através
de um esporte tão promissor e mutilado ao mesmo tempo.
Por esta simples coluna (simples a coluna, não o site
em que tenho o prazer de participar), penso que tenho a obrigação
de retratar algo e a resposta que recebo destes heróis
é a melhor recompensa que poderia imaginar.
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Fernando Fontoura,
ex-professor de tênis por dez anos
e filho da tenista Henny Fontoura, já publicou
dois livros
técnicos - "Configure seu Jogo", em
1998, e "Tênis Para Todos", em 2003.
Atualmente escreve "Filosofia das Quadras",
uma reunião de suas principais crônicas.
Fale com o Fernando: fcdafontoura@hotmail.com |
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