Esporte objetivo
Por Fernando Fontoura 04/07/2006
 

Vendo o Brasil perder para a França na Copa do Mundo, pensei: "Por isso que gosto do tênis". É um esporte objetivo. Ganha o melhor. No caso deste jogo entre as seleções, ganhou também o melhor. Nada de mágoas tipo "poderíamos ter ganhado se..." ou "se tivesse mais cinco minutos..." ou "o placar não espelhou o jogo" ou "nem sempre ganha o melhor...". Nada disso.

O Brasil não poderia ter ganhado nem se tivesse mais noventa minutos, o placar espelhou a realidade do jogo e ganhou o melhor. Assim é no tênis. Um esporte justo em todos os sentidos. Todos têm a oportunidade de dar seu melhor independente das condições de quadra e tempo, que são para os dois. No tênis sempre vence o melhor naquele momento, não importando a "camisa", a "tradição", o "nome". Tudo é possível dentro das quadras, pois a cada jogo há de se provar o suposto favoritismo.

Culpar quem? O juiz? Os juizes de linha? Nem pensar. Sendo o futebol um esporte de tempo, uma jogada pode decidir tudo. No tênis, por ser um esporte de pontos, há de se fazer várias jogadas até se conquistar o placar. Não há golpe de sorte ou bola resvalada no zagueiro, aos 48 do segundo tempo, que dará uma vitória imerecida ao tenista.

Apenas a vitória merecida acontece. Como a vitória da França sobre o Brasil. Nada mais do que merecida. Ali foi a vitória das virtudes contra o vício: o vício da falta de motivação. No tênis, a virtude sempre ganha. Aquele que desenvolver melhor suas virtudes técnicas, táticas, mentais e de movimentação sairá ganhando. Aquele que tiver mais concentrado, mais ativo, mais taticamente planejado, mais tecnicamente treinado. É um esporte de mais, de valores explícitos e virtudes ativas, diferentemente do futebol onde nem sempre o melhor consegue colocar suas virtudes em prática em determinado tempo. Mas isso não apaga que teve a virtude mínima de fazer um gol, que é o objetivo maior do esporte. Acaba sempre a virtude prevalecendo, mas não a soma delas como no tênis.

Desculpas como as que citei acima e que são comuns no futebol, não se aplicam ao tênis. As únicas desculpas que você pode dar são: não treinei o suficiente ou ele jogou melhor. A primeira tem a ver com suas virtudes e a segunda com a do adversário. E sua saída é desenvolvê-las ou...ir jogar futebol.

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Fernando Fontoura, ex-professor de tênis por dez anos
e filho da tenista Henny Fontoura, já publicou dois livros
técnicos - "Configure seu Jogo", em 1998, e "Tênis Para Todos", em 2003. Atualmente escreve "Filosofia das Quadras", uma reunião de suas principais crônicas.

Fale com o Fernando: fcdafontoura@hotmail.com