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| Por Fernando Fontoura |
02/08/2006 |
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Pseudo
professores
Muitos leitores me escrevem dizendo que um dos fatores de por
que o tênis está em baixa (alguns dizem que ele não está
em baixa, mas no nível que é real) é a falta de formação
de nossos professores, treinadores e pessoas que, de alguma forma, lidam com o
ensino do esporte no Brasil. Que ainda nem é tão sério quando
são apenas professores sem cursos, sem especializações, sem
postura ou sem informação atualizada. Que pior que isso é
quando eles querem sair da quadra e se metem a realizar eventos sem qualidade
devido à falta de competência para esse fim.
Devo concordar
em parte, pois em qualquer profissão um mau profissional leva à
derrocada de muitos que o rodeiam. Mas a falta de uma especialização,
curso, simpósio ou qualquer outra informação mais atual se
deve também à falta de cobrança dos consumidores em relação
a esse serviço.
Assim como um grande jogador desempenha o suficiente
para ganhar um jogo e só dá mais quando instigado pela adversário,
o ser humano em geral (sem entrar no mérito se isso é o ideal ou
não) funciona melhor quando está com água pelo pescoço.
A vontade deveria ser a grande motivadora, mas pressão é mais eficiente
em muitos casos.
A concorrência deveria ser a maior propulsora para
um melhor serviço, mas desde que os consumidores cobrem por isso. Há
a concorrência no mercado, mas não há a cobrança. Quando
não há cobrança, quem sai ganhando? O menos preparado, o
menos instruído, o menos capacitado. Pois não há fator de
diferenciação e, quando há, é só depois que
o aluno já desperdiçou uma boa quantidade de tempo e dinheiro em
um serviço inadequado e aí saiu para ir a outro "profissional".
Ou seja, apenas por comparação. Isso é muito pouco para quem
quer exigir qualidade no que compra.
Ser ex-jogador, ex-profissional não
conta em nada na hora de passar a didática progressiva para iniciantes
e muitas vezes não contará nada nem para os que jogam por competição
se não houver um estudo prévio de como passar hierarquicamente as
informações.
Como seres humanos, temos uma capacidade limitada
de reter informações e de especialização. É
impossível saber de tudo e ser especialista em todas as áreas. Por
isso, o trabalho em grupo é tão importante. Professor de tênis
ou treinador, na quadra; professor de educação física, na
preparação; nutricionista, na alimentação; fisioterapeuta,
na recuperação e assim por diante. E esta falta de conhecimento
e informação é um dos fatores que desagrega a classe de professores.
Como cada um sabe implicitamente que não tem toda essa competência,
prefere se isolar para que essa falta não apareça. Quem tem embasamento
não tem medo da "concorrência".
CREF
Como
assunto ligado ao primeiro tópico e também muito comentado, vou
transcrever aqui uma parte de uma resposta que dei a um leitor sobre esse assunto:
"Tenho
uma séria divergência entre Faculdade e Cursos Técnicos. O
ensino superior no Brasil, como em todos os níveis, é um dos piores
do mundo. Dizer que um aluno que sai de nossas faculdades pode dar aulas de tênis
só porque viu precariamente durante o curso é uma mentira deslavada.
Ao mesmo tempo, apenas ter sido ex-jogador não leva ninguém a ser
automaticamente bom professor ou instrutor ou técnico.
O CREF tem
sua legitimidade no tocante à abrangência da profissão, ou
seja, limitar as áreas de atuação daqueles que não
fizeram a faculdade de educação física, mas não teria
como restringir que se exerça a profissão por não ter sido
formado na faculdade. Somente professor de educação física
formado na faculdade pode, por exemplo, dar aulas em escolas e nunca um provisionado.
É gozado, para não dizer ridículo, como no Brasil, onde há
um dos piores ensinos do mundo, é o país onde mais se valoriza um
diploma.
Não defendo de forma alguma a não educação
e o não conhecimento, mas defendo a coerência. Se é para valorizar
o conhecimento, que se valorize TODO conhecimento que tenha embasamento, não
apenas o universitário. Nos EUA, onde tenho uma sobrinha que joga em uma
universidade, qualquer tipo de conhecimento devidamente estabelecido é
contado por alto valor. Um professor formado pela USPTR pode ter acesso de trabalho
em qualquer faculdade, porque lá como o ensino e o conhecimento são
de qualidade, TODO conhecimento é valorizado. Aqui, valorizam uma parte
em detrimento de outra e no fim quem sofre é o consumidor que tem professores
como bem exemplificasse (no caso, pseudo professores). E eu não acredito
na forma que a CBT está fazendo essa nivelação, pois pegaram
exatamente muitos daqueles que não têm um curso sequer para opinar.
Afinal, assim é o Brasil, o país do palpite onde menos se tem conhecimento."
Apenas
para acrescentar: informação e conhecimento não são
as mesmas coisas. Posso me informar sobre minhocas pela Internet, mas só
terei conhecimento quando pegar uma na mão, in loco. A faculdade dá
uma precária informação e não se aplica essa informação
o suficiente para que ela se torne um conhecimento. Fazer algum regulamento em
cima do inadequado ou do parcial é garantir uma falácia regulamentada,
mas jamais isso se tornará uma verdade.
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Fernando Fontoura, ex-professor de tênis por dez anos
e filho
da tenista Henny Fontoura, já publicou dois livros
técnicos
- "Configure seu Jogo", em 1998, e "Tênis Para Todos",
em 2003. Atualmente escreve "Filosofia das Quadras", uma reunião
de suas principais crônicas.
Fale com o Fernando: fcdafontoura@hotmail.com |
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