É preciso repensar a lei
Por Marcelo Meyer
Pelo 12º ano consecutivo, a Meyer Tennis realizou há
poucos dias o seu Curso para Professores. Foram mais de 200
inscritos de todo o país nos dois dias de evento, o
que prova o otimismo e o crescimento do mercado, além
da conscientização cada vez maior da importância
de se adquirir novos conhecimentos. Empresas voltadas para
o tênis, como a Rainha e a Wilson, deram seu apoio e
foram destaques na minifeira de esportes que acompanhou o
evento.
Entre os vários temas abordados, um mereceu especial
destaque. Tivemos a oportunidade de receber o presidente do
Conselho Regional de Educação Física
do Estado de São Paulo, Flávio del Manto, para
a discussão sobre a recente lei federal aprovada, que
proíbe qualquer pessoa a trabalhar com esporte caso
não tenha o diploma de curso superior em Educação
Física.
A princípio, existem alguns precedentes para aqueles
que atuam há algum tempo no ensino do esporte, os quais
poderão obter credenciamento junto ao Conselho através
do chamado "direito adquirido". Para isso, terá
de apresentar documento que ateste seu trabalho durante pelo
menos três anos, até 98.
O assunto é polêmico e ainda está no
início de sua discussão. Afinal, existem modalidades
esportivas como tênis, judô, golfe, hipismo, iatismo,
esgrima, remo ou surfe em que basicamente as pessoas se especializam
e aprendem com a prática, com a convivência,
com a competição.
Seria realmente um grande sonho para o desenvolvimento deste
país se pudéssemos oferecer faculdades públicas
e gratuitas de Educação Física para todos.
Infelizmente, essa não é nossa realidade. Uma
universidade particular custa em média R$ 600,00, sem
falar nos custos indiretos, como livros ou transporte. E mesmo
assim, a maciça maioria dessas faculdades particulares
não tem estrutura esportiva adequada, como um centro
de tênis, um campo de golfe, uma raia, um campo de saltos
de hipismo.
Com efeito, professores sem preparo adequado podem trazer
consequências muito graves para seus alunos, uma vez
que o esporte atua no desenvolvimento físico e emocional,
além de poder levar a lesões musculares se não
for bem executado. Porém, isso acontece também
com profissionais como médicos ou dentistas, que estão
sujeitos a erros.
O ideal seria que todos os profissionais que atuam no segmento
esportivo tivessem formação escolar da mais
alta qualidade, até porque acredito que educação
é iniciativa básica para se formar uma grande
nação. Na prática, já que não
temos essa sólida condição, minha preocupação
é muito séria pois um dos grandes benefícios
que o esporte oferece a qualquer cidadão, principalmente
para aqueles de origem mais humilde, é poder se desenvolver
profissionalmente no mercado de trabalho.
Não gostaria de ver milhares destes dedicados professores,
que hoje atuam no nosso país, sem emprego ou sem perspectiva
de trabalho. Eles atuam certamente naquilo que mais gostam.
Pediria às autoridades e às instituições
competentes dentro deste preocupante assunto que revisassem
cuidadosamente a lei e fizessem adaptações,
para que o sonho tivesse um pouco mais a feição
da realidade brasileira.
Será que Guga, Robert Scheidt, Rodrigo Pessoa não
teriam competência para ensinar seus esportes para a
nova geração?
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Marcelo Meyer é
um dos mais importantes técnicos do país,
tanto na formação de jogadores como no
plano profissional. Treinou, entre outros, Marcelo Saliola,
Fernando Meligeni, Andrea Vieira. Sua academia, na região
de Cotia, é uma das mais completas do país.
Email: meyer@meyertennis.com.br
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