Faltou profissionalismo
Por Fernando Sampaio
22/09/2006

O regulamento da ITF para Copa Davis diz que, no caso de confrontos pelo Grupo Mundial e playoffs, a organização deverá ter uma lona para cobertura das quadras. Portanto, é imperdoável a bagunça da organização em Belo Horizonte. Na minha opinião, isso é um reflexo da atual administração da CBT. Falta profissionalismo.

Na terça-feira, uma chuva muito forte atingiu o Sul do Brasil e as previsões meteorológicas indicavam que a chuva atingiria a região Sudeste. Na quarta-feira, como previsto, a forte chuva alagou a quadra central no Expominas. Para complicar, a lona pedida com atraso foi entregue no local errado.

Curiosamente, o repórter da Jovem Pan Márcio Spimpolo esteve em Belo Horizonte para o jogo Cruzeiro e Santos. No aeroporto, ele disse ao motorista que gostaria de ir ao Mineirão. Após cruzar a cidade, ele chegou na churrascaria Mineirão. Será que não foi este motorista que entregou a lona no Minas Tênis Clube? Bom, acho que já gastei muita vela com o defunto errado.

Ao contrário da maioria dos colegas jornalistas e amantes do tênis, fui favorável à convocação do Guga para o confronto. Entendo que sua presença é fundamental. Guga é Guga. Técnicamente, ele não tem limites. O cara vem treinando como um leão e ninguém pode duvidar de suas possibilidades. Lembram do Ronaldo?

O único problema é que, como ele não está em condições de enfrentar as maratonas de simples, ficamos sem opção caso algo aconteça com Mello ou Saretta. Foi uma aposta do Meligeni e deve ser respeitada. Ele é o técnico. Minha escolha seria diferente. Eu teria Thiago Alves, Ricardo Mello, Marcos Daniel e André Sá.

Além termos mais uma opção, estaríamos premiando o esforço deles na temporada. Mello é sempre um guerreiro. Thiago está na sua melhor fase física e técnica. Marcos Daniel é uma opção para duplas e simples. Sá é nosso titular nas duplas e vem jogando bem.

Sou fã número 1 do Saretta. Fora das quadras é uma das pessoas mais humanas que conheci no circuito. Mas, para entrar na equipe, teria que mostrar mais vontade de jogar tênis, disciplina de atleta e profissionalismo. E isso tudo ele não demonstrado. De qualquer forma, devemos respeitar a sua decisão de jogar e treinar menos. É uma pena. Ele é nosso maior talento.

Gosto de técnicos mais durões, estilo Larri Passos, Scolari e Leão. O jogador pode ser habilidoso mas, se não gostar de treinar, fica fora do time. Carlos Alberto Parreira é diferente. Embora os reservas do Brasil estivessem jogando melhor nos treinos da Copa do Mundo da Alemanha, Parreira apostou nos jogadores de sua confiança: Dida, Cafu, Roberto Carlos, Ronaldão e Adriano. Parreira acreditou que de uma hora para outra eles jogariam como há dois anos atrás. Deu errado.

Espero que a aposta de Meligeni dê certo. Até porque ninguém garante que a seleção seria campeã com Robinho e Cia. E a culpa não pode ser sempre dos técnicos.

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Fernando Sampaio
Jornalista e comentarista da Rádio Jovem Pan, em São Paulo. Acompanhou por vários anos o circuito internacional para o programa "Bastidores" da SporTV. Atualmente, é também colunista da Revista "Tênis".

Fale com o Fernando: fernandosampaio@jovempan.com.br