A emoção de ver Guga de volta nas duplas
Por Fernando Sampaio
25/09/2006

Deu a lógica. A Suécia bateu o Brasil. E se Thomas Johansson estivesse vindo, o confronto teria terminado no domingo.

Apesar da vitória, Flávio Saretta mostrou postura de Copa Davis. Vestiu a camisa. Não podemos avaliar o trabalho da equipe apenas pela derrota contra a Suécia. Precisamos lembrar que para chegar na final da Zona Americana, ganhamos confrontos muito difíceis fora de casa. A avaliação da equipe até aqui é positiva.

Agora, bola pra frente. Precisamos dar iníco a tão prometida renovação da equipe. Por enquanto, a renovação ficou na promessa.

Neste caminho rumo ao Grupo Mundial, perdemos oportunidades para testar novos jogadores. Será que Guga precisava jogar contra Antilhas Holandesas? Será que Marcos Daniel e Thiago Alves não poderiam ter uma oportunidade? E os juvenis? Entendo que jogamos muitos confrontos fora de casa e com a corda no pescoço. Foram poucas as oportunidades de fazer experiência. Mas, Thiago e Daniel poderiam estar junto da equipe, assim como alguns juvenis.

Se existe dinheiro para convidar todos os presidentes de Federações para o confronto em Minas Gerais, tem de haver dinheiro para levar mais jogadores. Será que a CBT deve gastar dinheiro para fazer esse lobby político? Tenho certeza que não. Lembrei do Ricardo Teixeira na Copa.

Outro ponto que deve ser discutido é a escolha da sede da Copa Davis. Sempre ouvi críticas que na era "Nelson Nastás" a escolha era política ou financeira. E agora? Será que o ideal para o Brasil era enfrentar a Suécia na altitude de Nova Lima? E o confronto em Joinville? Por que um lugar tão distante, tão longe do público e da grande mídia, no caminho inverso da popularização? Gastamos quase um milhão de reais neste confronto contra Antilhas. É um absurdo.

Não entendo por que não aproveitamos a infra-estrutura existente nas grandes capitais. No Brasil, somos megalomaníacos. Precisamos construir mega-estádios. A quem interessa gastar tanto dinheiro?

Na Europa, onde o controle financeiro é maior, as coisas são diferentes. Para citar apenas dois exemplos, a França recebeu o Brasil em Pau e a Suécia em Heisingborg. Os ginásios eram pequenos. Lá, eles aproveitam a estrutura existente. E olha que os confrontos eram válidos pelo Grupo Mundial. Será que somos mais ricos que eles?

Isto vale também para o tão prometido Centro de Treinamento. Espero que a idéia tenha morrido. O centro tem um alto custo de manutenção e a tendência é virar um cabide de emprego. Aqui em São Paulo, existem academias de primeiro mundo. Seria muito mais sensato aproveitar esta estrutura. Recentemente, a própria CBT convidou as melhores tenistas para treinar em Itajaí. O problema é saber se fizeram concorrência. Afinal, as melhores tenistas estão no Sudeste e o custo da viagem é alto.

Portanto, defendo há anos a idéia de que a CBT não deve ser organizadora de eventos e nem manter centros de treinamentos. Ela não tem estrutura para isso. Sua finalidade não é essa. O objetivo da CBT é ajudar no desenvolvimento do esporte. Ela não é promotora. Em BH, demos um show de amadorismo no caso da cobertura da quadra. Temos excelentes promotoras no Brasil. Por que não fazer uma concorrência?

Desculpe não ter falado muito de nossos tenistas. Guga, Sá, Saretta, Mello e toda equipe estão de parabéns. Valeu a luta. O Brasil foi muito bem representado. Não havia muito o que ser feito. Achei melhor mostrar que fora das quadras ainda somos segunda divisão.

E lembre-se que domingo temos eleição no país. E que a única maneira de nos livrar dos políticos é através do voto. Todo país tem o governo que merece. Infelizmente, no tênis não podemos votar.

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Fernando Sampaio
Jornalista e comentarista da Rádio Jovem Pan, em São Paulo. Acompanhou por vários anos o circuito internacional para o programa "Bastidores" da SporTV. Atualmente, é também colunista da Revista "Tênis".

Fale com o Fernando: fernandosampaio@jovempan.com.br