Como está o tênis no Brasil?
Por Sabrina Giusto

Esta foi exatamente a pergunta que fui convidada a responder no último congresso da Federação Internacional de Tênis (IITF) para treinadores de tênis em Assunção, Paraguai. Estavam junto comigo no palco mais três ex-grandes jogadores da Argentina, Colômbia e Paraguai, Marcelo Ingaramo (ARG), Iván Molina (COL) e Larissa Schaerer (PAR). A ITF nos aconselhou a não falar sobre política e sim relacionar o tênis competitivo dentro do país com o sul-americano e também dizer o que estava sendo feito para massificar o nosso esporte no país.

Meu primeiro passo foi dominar o medo de falar num palco para 160 treinadores sul-americanos em espanhol, diante do chefe e os diretores de desenvolvimento da ITF. Quando finalmente consegui fazer com que o microfone parasse de tremer nas minhas mãos, comecei a colocar uma idéia muito positiva das iniciativas particulares que estão sendo tomadas aqui e seus êxitos, bem como a nossa safra de jogadores juvenis que não devem em nada para nenhum país sul-americano.

Resolvi falar das coisas boas (idéia conjunta com o professor Alexandre Costa) pois das ruins seria muito fácil. Até pela presença enorme de argentinos na platéia, fiz questão absoluta de que todos tivessem uma idéia boa do quanto os brasileiros possuem capacidade para tocar projetos sem precisar de entidades ou governo.

As iniciativas individuais estão aí para comprovar que quando uma pessoa quer mesmo realizar algo, ela faz. Este é o principal passo. Instituto Tênis, Fundação Guga Kuerten, Criança Feliz na Escola (Larri Passos), Wimbelendom (Marcelo Ruschel) e tantas outras que existem, só comprovam a força de vontade de pessoas que não esperaram apoio de suas federações ou confederações para fazer algo pelo tênis.

Quanto à competição, nossa geração de meninas de 15 e 16 anos está em um alto nível. Temos quase 10 jogadoras que estão dando muito duro, jogando ao redor do mundo e sabem muito bem as dificuldades que terão pela frente. Mas junto com isto vem a convicção que querem seguir dentro do tênis e fazer dele sua profissão.

Também são frutos de esforços individuais e junto com seus técnicos planejam seu calendário de treinos e competições. No lado masculino também não ficamos atrás, temos meninos com nível sul-americano em praticamente todas as categorias.

E aí? O que fazer para crescermos em todos os níveis? Primeiro.....copiar a Argentina, onde os clubes fecharam suas portas pois não existem mais vagas nas escolas de tênis e a fila de espera tanto de alunos como a busca de professores é enorme. Assisti a uma palestra do diretor de capacitação e marketing da Associação Argentina de Tênis impressionante. Me deixou com a cabeça pulsando tanto de idéias como de tristeza por não termos algo do tipo.

Os itens mencionados na palestra vão desde colocar minitênis na beira da praia, ídolos argentinos em todos os eventos - que são quase três por mês -, slogans, até o mínimo de taxas cobradas possível, pois taxas como as nossas - onde uma confederação cobra mais de R$ 120,00 para uma filiação e uma federação mais de R$ 85,00 -, torna inviável qualquer aumento no número de tenistas. Por sinal, o alerta foi dado na Copa RS, uma competição que se caracterizava por colocar sempre mais de 300 atletas e em 2004 não chegou a 200 inscrições.

Onde ficam os profissionais que vivem do esporte? Aqui não falo de jogadores, falo do imenso grupo de professores, treinadores, preparadores físicos, fisioterapeutas, psicólogos, donos de loja de material esportivo, promotores, marcas de raquete e por aí vai. Com certeza, esperar que algo caia do céu não é o caminho. Cada um deve e pode fazer algo. Buscar conhecimento, estudar, trocar idéias com outras pessoas e o principal, colocar em prática. Os benefícios serão para todos pois ainda vai demorar muito para que as entidades que governam o tênis neste país estejam organizadas o bastante para dar esta força que o tênis está precisando. É urgente que todos se mobilizem!

 

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Sabrina Giusto, ex-jogadora profissional e uma das coordenadoras da equipe SMS/Sogipa, colabora com a Cosat e CBT em viagens com equipes infanto-juvenis e profissionais